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ASPAS
ROSINHA NA TV
Roberta Salomone
"Simplesmente Rosinha", copyright No. (www.no.com.br), 29/06/01
"Enquanto o governador do Rio, Anthony Garotinho, chora as mágoas de ter perdido o seu programa de TV, Rosinha Matheus, sua mulher, prepara a sua estréia na televisão. Sob a bênção de Marlene Mattos, a primeira-dama do estado do Rio de Janeiro, aguarda, ansiosa, a finalização do piloto de ‘Simplesmente Rosinha’. Pronto, o projeto, que segundo a assessoria de Rosinha foi todo custeado pela produtora de Marlene, 2 Emes, será apresentado a três emissoras. A direção do programa ficará a cargo da irmã da empresária de Xuxa, Ângela Mattos.
A explicação para o nascimento da parceria entre a empresária de Xuxa e a primeira-dama do estado é tão pura e singela quanto a aura evangélica que o programa terá. Segundo Rosinha, Marlene fez tudo de graça por apostar no talento dela como apresentadora. Marlene não atendeu aos pedidos de entrevista.
E Rosinha aposta na sua própria vocação, dando até a impressão de duvidar do futuro político do marido (que vem crescendo nas pesquisas para presidente e poderia também tentar a reeleição para governador). ‘Ser primeira-dama é por um tempo determinado e um programa desse pode vingar e permanecer no ar por muito tempo. Eu acho que estou, na verdade, procurando uma alternativa de trabalho porque vai acabar o governo e a gente precisa continuar trabalhando, né?’, disse em entrevista a no..
Na última quarta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio determinou a retirada de ‘Fala, Governador’ do ar. Apresentado por Garotinho, o programa, que era transmitido na Rádio Tupi AM e na TV Record, foi considerado propaganda eleitoral. Além de ficar sem o programa, o governador vai ter de pagar multa de 50 mil Ufirs (cerca de R$ 60 mil). Para Rosinha, o nascimento de ‘Simplesmente Rosinha’ e o fim de ‘Fala, Governador’ foi uma grande coincidência. ‘O meu programa já tem sido amadurecido desde março de 1999’, garante.
O que a senhora gravou no piloto de ‘Simplesmente Rosinha’?
Gravei uma entrevista com o tema ‘Dar ou não dar dinheiro a meninos de rua’, em que participaram o juiz Siro Darlan e um ex-morador de rua que hoje trabalha com meninos de rua. Também apresentamos uma coreografia de Carlinhos de Jesus para uma música gospel e um conjunto chamado Complexo J, que toca gospel.
Só a música gospel terá vez no programa?
Não. Os temas vão ser diversos, mas o editorial do programa terá a essência cristã, que tem o papel de resgatar os valores. Quero falar de amor, fé e perseverança.
Por que a senhora chamou a Marlene Mattos para dirigir o programa?
Porque quero aprender com quem sabe (risos). Eu já havia conversado com ela sobre isso em março de 1999, mas na época não tinha tempo para esse projeto, nem sabia ainda que perfil de programa poderia fazer. Aí acabei nem pensando mais nisso porque me envolvi muito com a obra social, com a secretaria e um programa não era uma coisa que simplesmente queria fazer por fazer. E também, claro, não faria antes de passar por um teste, como foi a gravação desse piloto. Em maio desse ano, liguei pra ela e perguntei se ainda estava de pé a proposta que ela tinha me feito. Em três dias, ela resolveu tudo, marcou estúdio, o cenário ficou pronto e fomos gravar.
A senhora ficou nervosa?
Não fiquei nervosa não, fiquei um pouco ansiosa, mas a Marlene me deixou muito à vontade. Conversamos muito e pedi para que ela fosse muito franca comigo. Eu só me arriscaria a fazer alguma coisa se ela realmente achasse que eu tivesse condições de crescer. Se ela achasse que não era a minha praia, eu ia dali direto para casa. A gente não nasce sabendo das coisas, mas às vezes a gente não tem talento mesmo.
E o que ela falou para a senhora depois da gravação?
Ela acha que eu posso crescer muito, que tenho jeito e que em pouco tempo irei dominar a forma de apresentar o programa. Graças a Deus que ela achou isso... (risos)
Como era o cenário?
A Marlene mandou fazer um cenário com muitas fotos minhas, paisagens e um jardim de inverno. No centro do palco, tem um sofá e uma cadeira em que fico sentada durante as entrevistas. Do outro lado, tem uma mesa que é tirada para os números musicais.
E que roupa a senhora usou?
Um terninho lilás claro. Ela que arranjou para mim.
A gravação de seu programa foi divulgada logo depois do programa de TV do seu marido ter sido embargado...
Isso foi simplesmente uma coincidência. O meu programa já tem sido amadurecido desde março de 1999.
E o que ele está achando dessa idéia?
Ele acha legal. Na gravação do piloto, apesar de ter chegado no finalzinho, gostou. Mas quando falei que iria conversar com a Marlene, ele ficou na dúvida.
Qual vai ser o objetivo principal do seu programa?
Levar a mensagem do que acredito para as pessoas. Na verdade, queria uma alternativa de programação, como era a novela ‘Chiquitas’ e é o ‘Chaves’. Por que você acha que esses programas fazem tanto sucesso? Porque é puro para as crianças. Eu quero fazer um programa de emoções positivas, que ajude a repensar a sociedade que vivemos hoje, o papel da família, a responsabilidade dos pais e dos filhos.
O que não vai entrar no seu programa?
Exagero. Ele vai ter uma linha cristã e por isso, não entra nada que possa deturpar a cabeça dos adolescentes, crianças e famílias. Nada que possa agredir um lar vai ter vez no meu programa.
E a senhora acha que pode conseguir garantir audiência dessa forma, já que ela tem sido medida hoje em dia, por exemplo, pelos dramas ‘mundo cão’ e a quantidade de mulheres seminuas?
Acho que o público está se cansando disso... Mas independente disso, vou tentar. Eu não posso ter medo porque a gente tenta pra ver se vai dar certo e vou torcer que dê. O que não posso é me arrepender mais tarde de não ter feito uma coisa que acho que é saudável.
E ser primeira-dama, ajuda ou atrapalha nesse caso?
Estou fazendo esse projeto num período em que vou começar como primeira-dama, mas terminar sem ser. Porque ser primeira-dama é por um tempo determinado e um programa desse pode vingar e permanecer no ar por muito tempo. Eu acho que estou, na verdade, procurando uma alternativa de trabalho porque vai acabar o governo e a gente precisa continuar trabalhando, né?
Em quem a senhora se espelha na televisão?
Olha, eu não sei se hoje eu estou me espelhando em alguém. Eu admiro alguns programas, mas o meu é diferente de tudo que está no ar hoje. Gosto muito do Jô Soares, Marília Gabriela, Hebe Camargo, Ana Maria Braga e Bóris Cosoy. Procuro observar sempre como eles se comportam. Mas estou me espelhando na experiência que tenho de vida. Busquei um perfil para mim mesma."

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