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ASPAS
MASSACRE EM FORTALEZA
O Público
"Imprensa Brasileira Destaca Massacre", copyright O Público, 26/8/01
"A chacina dos portugueses em Fortaleza foi ontem tema de primeira página em todos os grandes jornais brasileiros. Os diários cariocas ‘O Globo’ e ‘Jornal do Brasil’ não só dão conta do móbil dos homicídios - o roubo – como transcrevem declarações de alguns dos suspeitos. Também os principais títulos da imprensa paulista, ‘O Estado de São Paulo’ e a ‘Folha de São Paulo’, relatam os dias trágicos que se viveram desde a chegada dos portugueses até à descoberta dos seus corpos. Ambos acompanham os textos com fotografias da remoção dos cadáveres. Por fim, no Ceará, o ‘Diário do Nordeste’ descreve a campa dos empresários, realçando o facto de os assassinos terem colocado diversas camadas de cimento e areia sobre cada dois corpos e de a laje final de cimento, que servia de chão ao bar Vela Latina, ter sido pintada de verde."
Sofia Rodrigues
" Crime de Fortaleza domina audiências televisivas", copyright O Público, 28/8/01
" A descoberta dos corpos dos seis portugueses assassinados no Brasil, a revelação dos detalhes macabros do caso, as sucessivas entrevistas aos autores confessos do crime (algumas em directo) e a atenção dada aos familiares das vítimas em Portugal fizeram disparar as audiências dos noticiários de todas as estações, durante o fim-de-semana (ver destaque - páginas 2 a 4). As notícias da hora de almoço e os telejornais, bem como alguns especiais de informação, dominaram as audiências de sábado e domingo, superadas apenas pela liderança da imbatível telenovela Olhos de Água.
Logo na sexta-feira, pouco passava das 23h00, SIC e TVI interromperam a programação para dar conta das últimas informações sobre a descoberta dos cadáveres no chão de um bar, numa praia de Fortaleza. Apesar do adiantado da hora, estes especiais de informação foram os programas mais vistos do dia. Registaram uma audiência média perto dos 14 por cento (a SIC em primeiro lugar) e um ‘share’ à volta dos 50 por cento. Ou seja, metade dos telespectadores que estavam a ver televisão àquela hora sintonizaram aquelas duas estações privadas para ver as primeiras imagens do local do crime enviadas do Brasil.
Já algumas horas antes, SIC e TVI prolongaram os seus noticiários da hora de jantar para dar conta da notícia de que os seis empresários desaparecidos há vários dias tinham sido mortos. O Jornal da Noite durou duas horas e meia, mais 30 minutos que o concorrente da TVI. Só o Telejornal da RTP foi mais modesto - com uma hora e meia de duração -, mas a estação pública ‘atrasou-se’ a dar a notícia devido à transmissão de um jogo de futebol.
Tanto no sábado como no domingo, os ‘tops’ de audiências foram invadidos não só pelos habituais noticiários da hora de jantar como os da hora de almoço das três estações, a provar que os telespectadores portugueses procuraram ficar a par das últimas informações sobre o crime.
Mas a liderar as audiências, nos dois dias, manteve-se a telenovela da TVI Olhos de Água, com valores de audiência média acima dos 15 por cento e ‘shares’ a ultrapassar os 50 por cento. Se no sábado a SIC (com o Jornal da Noite a tornar-se no segundo programa mais visto) ganhou à TVI, já no domingo os papéis inverteram-se e o Jornal Nacional ficou bastante à frente do seu directo concorrente, graças em parte à longa entrevista concedida por Luís Miguel Militão em que confessou ter planeado e ordenado a morte dos seis portugueses. A TVI, aliás, teve ontem um dia em cheio com o especial que fez ao final da tarde que conseguiu 6,9 por cento de audiência média e 42,6 de ‘share’."
Apesar de o assassínio dos seis empresários ter sido revelado na sexta-feira, o caso continuou a ter desenvolvimentos ao longo de sábado e de domingo até culminar com a confissão de Luís Miguel Militão perante as câmaras.
Recorrendo ao trabalho de correspondentes no Brasil que se deslocaram ao local e, muitas vezes, à ajuda da Globo (sobretudo no caso da SIC), todas as televisões aproveitaram a abertura das autoridades brasileiras que não se inibiram de dar quaisquer detalhes sobre o crime e de facilitar o contacto dos jornalistas com os detidos, o que certamente ajudou à mediatização televisiva do caso.

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