CRIMINALIDADE NA MÍDIA
Falsos defensores dos direitos humanos
Antonio Augusto Araújo (*)
Merece parabéns este Observatório quando exorta o seu público e a mídia a discutir com mais profundidade e freqüência as questões relacionadas com o problema da criminalidade, seja na esfera da criança e do adolescente, especificamente, ou de um modo geral.
Muito se tem escrito sobre a cobertura das questões relativas à segurança pública pela mídia televisiva e impressa, em particular aquela de feição popular. São, invariavelmente, atacadas e classificadas como reacionárias. De fato, o enfoque da problemática do crime por tais mídias sensacionalistas é superficial e apelativo, em que pese estarem esses informativos, a meu ver, mais realistas e sintonizados com o sentimento da sociedade que certas considerações de intelectuais que posam de patronos dos direitos humanos, quando, em verdade, não passam de militantes políticos facciosos disfarçados.
Com efeito, salta aos olhos, em quase todas as manifestações desses "defensores" dos direitos humanos, a sua inclinação política e ideológica. Não são advogados da causa humanista, do gênero humano, como querem fazer crer. A abordagem que fazem da questão vem sempre contaminada pelos preconceitos da luta de classes e do "politicamente correto", segundo os quais, qualquer indivíduo pertencente às camadas menos aquinhoadas da sociedade, ou integrante das denominadas minorias discriminadas e excluídas (é a palavra da moda), independentemente das infrações penais que pratique, por sua origem, raça ou condição social, estaria a priori absolvido ou com sua culpabilidade mitigada. Quando o infrator é de outra origem ou condição econômica, já tão somente por isto seria um culpado. O real delito por ele praticado seria então uma espécie de confirmação do "ilícito" de sua posição privilegiada, o que faria dele duplamente culpado e merecedor das mais duras penas.
Antes que me interpretem mal, devo dizer que sou de classe média baixa e não estou aqui a defender a impunidade do criminoso abastado e/ou influente. Muito pelo contrário. Entendo que deva ele, sim, ser apenado com rigor por seus crimes – o que felizmente começa a acontecer com mais freqüência neste país –, mas apenas por eles, do mesmo modo que qualquer outro cidadão. Em suma, que não haja consideração de classe, raça ou origem quando da apreciação das condutas incriminadas.Pode parecer óbvio o que acabei de dizer, e efetivamente o é, mas o preconceito ideológico do "politicamente correto" tem, infelizmente, obnubilado não poucas consciências neste país, que, ipso facto, tornaram-se incapazes de sequer tentar outra apreensão da realidade que as cerca.
Assim é que, voltando ao quanto afirmado anteriormente neste comentário, esses mesmos indivíduos, que se proclamam defensores dos direitos humanos dos "excluídos" do capitalismo (ainda que sejam estes criminosos violentos e implacáveis), quando instados a se manifestar sobre a violação desses direitos por regimes totalitários de esquerda, "estranhamente" omitem-se ou mesmo apoiam-na aberta ou secretamente. Vale dizer: no "injusto" capitalismo, toda complacência para com os criminosos "excluídos"; no "justo" socialismo, longas penas e até mesmo a morte para os delinqüentes "contra-revolucionários". Foi o que se viu por ocasião da condenação sumária a penas privativas de liberdade e fuzilamento, por motivos políticos, de cidadãos cubanos, alguns deles jornalistas.
Como se vê, dois pesos e duas medidas, por razões ideológicas. Como se os direitos humanos apenas fossem respeitáveis em determinadas circunstâncias e em face da conveniência política.
São falsos humanistas esses intelectuais engajados.
(*) Procurador de Estado na Bahia
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