|
LONDRINA, PR
Guerra contra a (boa) informação
Luiz Carlos de Oliveira (*)
Para o deleite dos colegas jornalistas, a guerra contra o Iraque está para começar (se já não começou). Uma tragédia como esta é o que as redações precisam para evitar o trabalho árduo de produzir material para pouco mais de meia hora de um telejornal regional. Uma rebelião, uma tempestade que obrigue os prefeitos a decretar estado de calamidade pública são assuntos para uma semana de telejornal, no mínimo. Em Londrina, uma cidade com cerca de 500 mil habitantes (Censo 2000), a TV Globo regional não consegue preencher o fade que a Rede Globo libera para todo o país (cerca de 45 minutos de produção, sem contar o Globo Esporte). Quem mora em Londrina assiste apenas uma parte do telejornal produzido localmente, ainda assim com longas entrevistas de estúdio. A outra parte é produzida em Curitiba, bem como a primeira parte do Globo Esporte. O restante do programa esportivo vem da Rede Globo do Rio de Janeiro, via satélite.
As matérias policiais dominam o noticiário, seguidas pelas notícias agrícolas. Aliás, eu não sabia que Londrina era tão violenta assim. Para se ter uma idéia, todas as casas da rua onde recentemente fiquei hospedado tinham alarmes e cercas elétricas. A truculência ou a eficiência da polícia, dependendo do ângulo que se olha, é notória. Os programas que exploram a violência e o mundo-cão estão na maioria das emissoras.
Assistir a um telejornal regional fora de sua região é muito interessante. A comparação é inevitável. Fiquei de cabelos em pé com o enquadramento dos apresentadores: não se vê a bancada, a não ser na câmera geral, e sobra teto. Os erros são constantes: câmeras do estúdio fazendo "pan" no ar, problemas com áudio, edição de matérias, enfim, uma tragédia. Evidentemente, uma pessoa que não é do meio não saberia dizer com exatidão os erros cometidos, mas saberia, com certeza, que algo estranho aconteceu. Diante desse quadro fico imaginando como deve ser o telejornal em Pontes e Lacerda (MT) ou em Itabirinha de Mantena (MG).
Sempre me pergunto, após assistir a um telejornal com entrevistas enormes, arrastadas, com matérias longas e frias, se não há nada acontecendo na cidade. A dinâmica de uma redação é um mistério até para quem trabalha lá dentro. Aquilo que "vale" ou que "rende" uma boa matéria agora, pode ir para a "geladeira" ou "cair" completamente em questão de minutos. É uma loucura inimaginável. Os editores imploram por sugestões de pauta, mas, invariavelmente, não aceitam nenhuma. Trata-se de uma lógica fugaz e incompreensível.
O público telespectador, alheio a tudo isso, vai engolindo com casca e tudo o produto do (des) serviço proveniente de colegas estouvados e egoístas.
(*) Jornalista
|
|