CADERNO DA CIDADANIA

ESPAÇO VITAL
Denúncia de censura

Fábio de Oliveira Ribeiro (*)

Não sou jornalista, mas fui vítima de uma censura inominável.

Há um mês escrevi e divulguei da internet o texto que segue em anexo [ver abaixo], que foi publicado no seguinte endereço: http://www.espacovital.com.br/artigofabio.htm.

No dia 10/7/03, em protesto à reação da cúpula do Poder Judiciário à Reforma da Previdência, resolvi enviar a mensagem abaixo ao presidente do STF <wvalente@stf.gov.br>:

Caro Presidente do STF

O senhor tem defendido abertamente a adoção de critérios diferentes para a aposentadoria dos Juizes. Vivemos num regime democrático. Assim, quem deseja novos privilégios pode defendê-los abertamente. Mas não pode se esquecer de que quem paga a conta também pode revogar os privilégios já existentes. O princípio da soberania popular é assegurado na CF/88. A jurisdição é uma função da soberania. Portanto, os juizes não são donos do poder que exercem nem da estrutura que administram. Também tenho algumas propostas para o Judiciário que estou encaminhando ao Congresso Nacional.

Ficarei honrado se o senhor tomar conhecimento e divulgar aos seus pupilos http://www.espacovital.com.br/artigofabio.htm. Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado

Sabem o que aconteceu? No dia seguinte o texto havia sido retirado da internet, e a revista online em que ele estava sendo divulgado sequer me deu explicações. O incidente prova satisfatoriamente que a censura ainda existe, que certos assuntos não podem ser discutidos.

(*) Advogado

Um país sem privilégios

Fábio de Oliveira Ribeiro (*)

O ilustre magistrado Edson Jorge Cechet publicou um longo artigo na Internet <http://www.espacovital.com.br/artigoedsoncechet.htm> em que faz o elogio do Poder Judiciário. Seu texto gira em torna da frase "O que seria do país se não existissem Juizes!"

É claro que o país precisa de Juízes. Mesmo que reforme inteiramente o Poder Judiciário o Brasil continuará a precisar deles. Contudo, a questão colocada para a sociedade brasileira é diferente da proposta pelo digno magistrado "Será que o Brasil precisa de um Judiciário que só serve aos interesses dos magistrados?"

Os cidadãos brasileiros têm direito à prestação jurisdicional. Entretanto, esperam décadas para ver seus processos julgados. Depois, devem se conformar com o abismo que existe entre ganhar um processo e receber o montante devido. E quando o devedor é o próprio Estado, os juizes acabam sendo descaradamente coniventes com o calote publico.

Enquanto os cidadãos esperam e se lamentam os magistrados gozam de inamovibilidade. Isto quer dizer que podem aprontar e ter certeza de que não serão transferidos. Caso a honestidade deles seja questionada podem dar a desculpa esfarrapada de que receberam uma herança do tio alfaiate.

Suas excelências gozam, ainda, do direito à irredutibilidade de salários. Isto quer dizer que enquanto os vencimentos dos demais servidores do Poder Judiciário ficam congelados os salários dos Juizes são majorados, às vezes acima da inflação. Assim, o cidadão, que além de esperar e se lamentar, tem que agüentar as ofensas de funcionários insatisfeitos que não tem coragem de colocar o dedo na cara dos verdadeiros responsáveis.

Os magistrados brasileiros estão especialmente preocupados com a vitaliciedade. Sabem porque? Porque se forem condenados por usar seus cargos para fins ilícitos serão aposentados e não perderão o direito aos vencimentos. O que prova suficientemente que no Brasil o crime compensa, desde que você seja um juiz é claro.

A previdência vai quebrar? Este é um problema da população. Os privilégios dos juizes devem ser preservados e ampliados.

Em razão do seu egoísmo cego e estúpido os magistrados estão se distanciando cada vez mais da sociedade brasileira. Mas felizmente quem paga a conta de um serviço moroso, duvidoso e custoso tem todo o direito de abrir a caixa preta.

Se realmente quiser, o cidadão brasileiro pode até substituir o sistema atual por outro completamente diferente. Sugiro a elegibilidade dos magistrados para mandatos fixos de 10 anos sem direito à reeleição, aumentos vinculados aos reajustes dos demais funcionários do Poder Judiciário e pena de morte para o juiz que usar a toga para enriquecer ilicitamente.

Espaço Vital responde

Cumpre-nos informar que:

a) O artigo original do advogado Fabio de Oliveira Ribeiro é o que, logo abaixo, vai reproduzido. Como verificará, ele contém expressões pesadas e impertinentes, tais como "caixa preta no lixo", "lata de vermes" etc., além de pregar a pena de morte.

b) O texto do artigo que o referido advogado enviou a este conceituado Observatório da Imprensa não é exatamente o mesmo que ele nos remetera. No envio que lhes fez, as expressões acima, grafadas em vermelho, foram suprimidas.

Estimulamos o debate democrático e temos uma linha editorial voltada para o social, procurando ser didáticos no ensinamento de como as minorias podem pleitear seus direitos em juízo. Uma leitura atenta às matérias que inserimos diariamente permitirá essa constatação – estamos tranqüilos.

Mas não concordamos com o uso de ofensas em nosso espaço, e isso está claramente exposto no rodapé do nosso Espaço do Leitor.

Segue texto original do artigo do advogado Fabio de Oliveira Ribeiro.

Atenciosamente,

Marco Antonio Birnfeld

Editor do sítio Espaço Vital <http://www.espacovital.com.br>

Um país sem privilégios

Fábio de Oliveira Ribeiro (*)

O ilustre magistrado Edson Jorge Cechet escreveu um longo artigo para Internet http://www.espacovital.com.br/artigoedsoncechet.htm para fazer o elogio do Poder Judiciário. Seu texto gira em torna da frase "O que seria do país se não existissem juizes!"

É claro que o país precisa de juízes. Mesmo que reforme inteiramente o Poder Judiciário, o Brasil continuará a precisar deles. Contudo, a questão colocada para a sociedade brasileira é diferente da proposta pelo digno magistrado. "Será que o Brasil precisa de um Judiciário que só serve aos interesses dos magistrados?"

Os cidadãos brasileiros têm direito à prestação jurisdicional. Entretanto, esperam décadas para ver seus processos julgados. Depois, devem se conformar com o abismo que existe entre ganhar um processo e receber o montante devido. E quando o devedor é o próprio Estado, os juízes acabam sendo descaradamente coniventes com o calote publico.

Enquanto os cidadãos esperam e se lamentam, os magistrados gozam de inamovibilidade. Isto quer dizer que podem aprontar e ter certeza de que não serão transferidos. Caso sua honestidade seja questionada, podem dar a desculpa esfarrapada de que receberam uma herança do tio alfaiate.

Suas excelências gozam, ainda, do direito à irredutibilidade de sálários. Isto quer dizer que enquanto os vencimentos dos demais servidores do Poder Judiciário ficam congelados, os salários dos juízes são majorados, às vezes acima da inflação. Assim, o cidadão, que além de esperar e se lamentar, tem que aguentar as ofensas de funcionários insatisfeitos que não têm coragem de colocar o dedo na cara dos verdadeiros responsáveis.

Os magistrados brasileiros estão especiamente preocupados com a vitaliciedade. Sabem por que? Porque se forem condenados por usar seus cargos para fins ilícitos serão aposentados e não perderão o direito aos vencimentos. O que prova suficientemente que no Brasil o crime compensa, desde que você seja um juiz é claro.

A previdência vai quebrar? Este é um problema da população... Os privilégios dos juízes devem ser preservados e ampliados.

Em razão do seu egoismo cego e estúpido, os magistrados estão se distanciando cada vez mais da sociedade brasileira. Mas felizmente quem paga a conta de um serviço moroso, duvidoso e custoso tem todo o direito de abrir a caixa preta no lixo.

Se realmente quiser, o cidadão brasileiro pode até substituir esta lata de vermes por um sistema completamente diferente. Sugiro a elegibilidade dos magistrados para mandatos fixos de dez anos, sem direito à reeleição, aumentos vinculados aos reajustes dos demais funcionários do Poder Judiciário e pena de morte para o juiz que usar a toga para enriquecer ilicitamente.

(*) Advogado

(Nome do arquivo: artigofabio.htm)