JORNAL ESPÍRITA
Lobos melosos vs. a verdade
Iso Jorge Teixeira (*)
Fui colunista (coluna Saúde Mental) do Jornal Espírita (JE) e do jornal O Semeador, veículos da Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp), de 1999 a maio de 2003, quando me afastei em solidariedade aos jornalistas Nazareno Tourinho e Carlos de Brito Imbassahy, ambos censurados pelo Sr. presidente da Feesp e em defesa do editor do JE, João Pascale, e de Altamirando Dantas de Assis Carneiro, editor do jornal O Semeador. Fui levado a esses jornais pelo jornalista Pascale, e a coluna Saúde Mental era uma das mais lidas do JE, conforme a redação, talvez somente superada pelas colunas do Imbassahy e do Nazareno.
Gostaria de tecer algumas considerações sobre o (des)arrazoado do presidente da Feesp, Sr. Avildo Fioravanti, neste sítio [ver remissão abaixo].
Na guerra, a primeira vítima é a verdade, todos sabem disso. Na guerra virtual desencadeada num grupo de discussão na internet estamos empenhados em mostrar a verdade dos fatos ocorridos na Feesp, em que um jornalista foi covarde e criminosamente afrontado pelo presidente da entidade. Desnecessário descrever a trajetória do profissional, desnecessário enfatizar a honradez, a sensibilidade, a bondade do homem João Pascale.
A gravíssima crise moral, financeira e doutrinária da Feesp é sem precedentes; com os desmandos de um presidente desequilibrado emocionalmente, que não vacilou, em conluio com dois dos seus acólitos, em realizar um verdadeiro assédio moral a um íntegro e renomado trabalhador, por motivos torpes, e que teve a desfaçatez de vir a público, neste sítio, e mostrar uma face que é caricatura da sua verdadeira personalidade, violentando a verdade dos fatos a todo momento, esquecendo-se de que há testemunhas, isentas, da ação destrutiva e agressiva exercida contra os lídimos direitos de um jornalista e, o que é pior, o tratamento descabido a um editor, aos gritos, sem o mínimo de respeito aos preceitos ético-morais que sempre devem prevalecer numa sociedade livre e organizada. Tudo isso foi feito contra o jornalista Pascale, tudo em nome de Deus e da fraternidade...
Auxiliado por uma jornalista e por um diretor, esbirros da Federação, como asseverou Luthero Maynard [ver remissão abaixo à carta "Tratamento criminoso"], o Sr. presidente da Feesp produziu no jornalista João Pascale uma doença psíquica, fato constatado por mais de um médico e por especialista (o sindicato tem provas documentais disto)... Fala mansamente ao público, mas não consegue ocultar sua verdadeira face. A "verdade" do Sr. Avildo é anã, o adágio popular é verdadeiro, e agora temos a exemplificação disso. Vejamos as pernas curtas do des(arrazoado) do atual presidente da Feesp, ponto por ponto:
1) Exercendo o seu direito de resposta, democraticamente oferecido ao atual presidente da Feesp disse logo no início que tem certeza de que os principais pontos relacionados ao caso Feesp são "essencialmente fomentados por opositores da atual gestão". Ora, não consta que o jornalista Luthero Maynard, declaradamente agnóstico, esteja "fomentando" as críticas contra a direção da Feesp e muito menos seja um "opositor". Portanto, o Sr. presidente da Feesp já inicia sua resposta politiqueiramente, distorcendo a realidade, atirando a esmo;
2) A causa (não é fator desencadeante, não) da doença do jornalista foi exatamente uma série de ações desrespeitosas tanto à sua condição de jornalista profissional como à sua condição de ser humano. A escolha pelo Sr. Avildo de uma jornalista antiética para permanentemente humilhar tanto o jornalista Pascale quanto o Altamirando Dantas de Assis Carneiro é um fato já comprovado... A tal jornalista chamava-os para conversar, colocando um gravador sobre a mesa, e fazia uma série de provocações e em várias oportunidades tratou-os aos gritos, há provas disto! Não é conversa fiada nossa, não. Não só desrespeitaram os jornalistas, como cometeram atos inimagináveis numa instituição espírita, e ainda têm a coragem de intitular-se espíritas?!3) Não é verdade que o Sr. Avildo tenha "criado" um "Conselho Editorial" para os jornais da Feesp. Esse argumento é tão pífio que dispensa maiores comentários. O Conselho Editorial dos jornais da Feesp existe há muitos e muitos anos, basta que se leia qualquer número do JE e de O Semeador. O que classificam como "modernização" na realidade foi um processo de caça às bruxas, demitindo funcionários de longa experiência na Feesp, e de forma irregular, tanto assim que existe mais de uma dezena (sem força de expressão) de processos trabalhistas contra a Feesp, o que também é facílimo comprovar.
4) Não é verdade que tenham desejado um "aprimoramento" dos periódicos da Feesp, nem é verdade que Pascale tenha "contactado alguns tradicionais articulistas do jornal espírita informando-lhes que não poderiam escrever livremente". Tanto Nazareno Tourinho e Carlos de Brito Imbassahy quanto eu mesmo já nos pronunciamos a esse respeito, e insistem em querer enganar as pessoas?! Que se leia no jornal Correio Fraterno (6/2003) o depoimento do Imbassahy e o meu próprio, e o de Nazareno Tourinho em nosso grupo de discussão na internet. Houve censura prévia, exercida pelo Sr. Avildo, com a conivência do diretor da Área de Divulgação, que a todo momento dizia velada e ameaçadoramente a jornalista humilhado: "Pascale, manda quem pode, obedece quem tem juízo!"
5) As inúmeras denúncias em nosso grupo de discussão demonstram os sérios prejuízos morais e materiais que a atual administração está causando tanto à Feesp (uma entidade filantrópica que vive do dinheiro do público) quanto à credibilidade do Espiritismo.
6) Além disso, o Sr. Pascale não "alegou problemas de saúde, ele está doente, licenciado medicamente, com laudo de especialista; ou será que o Sr. presidente tem a coragem de questionar publicamente a honorabilidade de um profissional médico?!
7) Estaria o jornalista Pascale recebendo ameaças à sua integridade pessoal e da família, através de telefonemas anônimos? Agora, perguntamos: por que tanto ódio no coração das pessoas? Será que estamos contrariando grandes interesses materiais, com nossas denúncias?
Tinha razão Gandhi quando disse: "A verdade é dura como diamante e macia como flor de pessegueiro."
Tudo isso deverá ficar fixado na história do espiritismo paulista, e que seja sempre lembrado, simbolicamente, pela história de Chapeuzinho Vermelho, do conto de Charles Perrault, para que se saiba distinguir, perfeitamente, a linguagem melíflua dos lobos da Feesp e o perigo representado por eles, como disse Perrault:
"Mais, hélas qui ne sait que ces loups doucereux./De tous les loups sont les plus dangereux!" ("Mas, ai de quem não sabe que estes lobos melosos./De todos os lobos são os mais perigosos!").
(*) Livre-docente de Psicopatologia e Psiquiatria
da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj
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