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JORNALISMO INVESTIGATIVO
Prêmio para repórter da Nicarágua

[tradução: Jô Amado]

Jorge Loáisiga, jornalista de La Prensa, de Manágua, foi o vencedor do prêmio concedido pela organização Transparency International e pelo Instituto Prensa y Sociedad.

As investigações sobre malversação de alguns presidentes latino-americanos foram as notas de destaque da primeira edição do Prêmio para a Melhor Investigação Jornalística de um caso de Corrupção, concedido anualmente pela organização Transparency International para Latinoamérica y El Caribe (Tilac) e pelo Instituto Prensa y Sociedad (IPYS), no valor de 25 mil dólares.

Um júri internacional, formado por Tina Rosenberg, editorialista do New York Times, Michael Reid, editor da revista The Economist para a América Latina, Marcelo Beraba, chefe da sucursal da Folha de S. Paulo do Rio de Janeiro, Gustavo Gorriti, pesquisador do Ipys e Juan Lozano, diretor, até poucos dias atrás, de CityTV, da Colômbia, declarou vencedor do prêmio Jorge Loáisiga, jornalista de La Prensa, de Manágua.

Loáisiga apresentou uma série de reportagens investigativas sobre o desvio de fundos públicos em favor de Arnoldo Alemán, presidente da Nicarágua por ocasião da publicação dos artigos (1997-2002). O trabalho, com o título "Los checazos de Alemán", foi selecionado por unanimidade pelo júri, entre uma centena de reportagens apresentadas. Em sua declaração final, o júri destacou "o clímax conclusivo, por meio das provas documentais exibidas" e o "esforço de pesquisa que antecedeu a obtenção das provas". Loáisiga, de 35 anos, pesquisou durante mais de um ano a suposta malversação de fundos no governo presidido por Alemán.

Entre os dez trabalhos finalistas constavam as reportagens de Daniel Santoro, do jornal Clarín, de Buenos Aires; de Rodolfo Flores, do jornal Siglo XXI, da Guatemala, com a participação de Eduardo Rodríguez, de La Prensa, do Panamá; dos jornalistas colombianos Norbey Quevedo e Fabio Castillo, de El Espectador; assim como os integrantes da redação do jornal El Meridiano, de Córdoba, Colômbia. Do Brasil, foram finalistas Amaury Ribeiro, da revista IstoÉ, e Fábio Gusmão, de Extra. Duas reportagens para televisão foram as mais destacadas em sua especialidade: a de Eduardo Faustini, da TV Globo, e a de Miguel Acosta, para o programa "Telenoche Investiga", transmitido pelo Canal 13, da Argentina.

"Este prêmio da início a uma aliança maravilhosa entre o jornalismo investigativo e o movimento anti-corrupção", disse Silke Pfeiffer, diretora regional para a América Latina da Transparency International, ao concluir a reunião do júri em Cartagena, na Colômbia. Pfeiffer acrescentou que "a qualidade e o impacto dos trabalhos apresentados demonstram o papel fundamental do jornalismo investigativo na busca da verdade e da transparência numa região em que prevalece um alto nível de corrupção".

Quarenta e um dos 96 trabalhos apresentados referem-se a casos de corrupção em âmbito estatal, enquanto outros tratam de irregularidades no setor privado (15), nas forças armadas (13) e no combate ao narcotráfico (7). Dois trabalhos abordaram a corrupção na administração dos torneios de futebol. A maioria dos concorrentes foi composta por jornalistas colombianos, que apresentaram 29 trabalhos. Os brasileiros concorreram com 17 e os argentinos com 10.

"O evento foi um grande sucesso", disse Ricardo Uceda, diretor-executivo do Instituto Prensa y Sociedad, que também participou da organização do prêmio. Acrescentou que "a qualidade dos trabalhos apresentados a energia e o alto nível do jornalismo que investiga a corrupção na América Latina".

A entrega dos prêmios será feita por ocasião da 11ª Conferência Internacional Anti-corrupção, que será realizada em Seul, na Coréia, entre os dias 24 e 28 de maio de 2003. Posteriormente, os trabalhos serão exibidos num evento latino-americano de jornalistas.

O que é

O Prêmio à Melhor Investigação Jornalística de um Caso de Corrupção na América Latina e no Caribe é concedido anualmente. Seus organizadores são Transparencia Internacional para Latinoamérica y el Caribe (Tilac), representante regional da Transparency International (TI), e o Instituto Prensa y Sociedad (IPYS). O IPYS é uma organização de jornalistas independentes que promove a liberdade de imprensa e o jornalismo investigativo.

O prêmio é patrocinado pela Open Society Institute (OSI), uma fundação privada fundada em 1993 e sediada em Nova York que promove o desenvolvimento e manutenção de sociedades mais abertas por todo o mundo.

Contatos para a mídia

Lima: Ricardo Uceda, diretor, Instituto Prensa y Sociedad, e-mail <ruceda@ipys.org>

Berlim: Silke Pfeiffer, diretora regional, Transparency International, e-mail <spfeiffer@transparency.org>


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