CADERNO DA CIDADANIA

JORNALISMO INVESTIGATIVO
A melhor reportagem sobre corrupção

[tradução: Jô Amado]

O júri do Prêmio Latino-americano à Melhor Investigação de um Caso de Corrupção publicada no ano de 2002 reuniu-se, de 2 a 4 de abril, na cidade de Cartagena de las Indias, Colômbia, para concluir a fase de avaliação de 96 trabalhos apresentados, de acordo com o regulamento.

O júri considerou prioritariamente a relevância do que descobriram as investigações, bem como a forma com que estas foram realizadas e as dificuldades que enfrentaram. Limitou-se, também, a avaliar trabalhos referentes a casos de corrupção.

Ao final das sessões, o júri concordou em declarar vencedor o trabalho apresentado pelo jornalista Jorge Loáisiga, do jornal La Prensa, da Nicarágua.

A investigação comprova um desvio de fundos públicos em proveito do ex-presidente Arnoldo Alemán, em exercício durante a publicação das matérias. O trabalho conseguiu um clímax conclusivo por meio da exibição de provas documentais. No que se refere ao método, quando são compiladas provas através de fontes anônimas, deve ser fundamentalmente destacado o esforço de busca que antecipou a obtenção das provas e a dedicação perseverante ao caso, como demonstra a publicação das matérias de Loáisiga em La Prensa. Nesse processo, o jornalista foi obtendo novas fontes, decisivas para o êxito da investigação.

O júri deseja destacar a qualidade de outras nove investigações que, junto à já citada, constituíram os trabalhos finalistas. Seus autores são os seguintes:

** Rodolfo Flores, do jornal Siglo XXI, da Guatemala, e Rolando Rodríguez, do jornal La Prensa, do Panamá, pela reportagem que revelou que o presidente Alfonso Portillo, da Guatemala, o vice-presidente e o secretário particular da Presidência abriram 13 contas bancárias secretas na Cidade do Panamá;

** Daniel Santoro, do jornal Clarín, da Argentina, pela revelação da existência de contas bancárias na Suíça em nome de parentes do ex-presidente Carlos Saúl Menem e seu secretário particular, Ramón Hernández;

** Miguel Agosta, do programa Telenoche Investiga, do Canal 13, da Argentina, pela revelação de métodos de amedrontamento e exigências de suborno por parte de diretores da Unión Obrera de Construcción Civil de la República Argentina;

** Amaury Ribeiro, da revista IstoÉ, do Brasil, pela revelação de uma associação entre a Divisão Antinarcóticos do Paraguai e narcotraficantes brasileiros ligados a Fernandinho Beira-Mar;

** Fábio Gusmão, do jornal Extra, do Rio de Janeiro, pela revelação dos métodos corruptos da polícia local que combate o narcotráfico;

** Eduardo Faustini, da TV Globo, pela revelação da corrupção reinante na Secretaria de Planejamento do município de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro;

** Norbey Quevedo, de El Espectador, da Colômbia, pela revelação dos negócios nebulosos dos dirigentes da Federação Colombiana de Futebol para obter lucro com a Copa América;

** Fabio Castillo, de El Espectador, Colômbia, pela revelação dos métodos de vigaristas nigerianos que operam, via Internet, a partir dos Estados Unidos;

** 17 jornalistas da redação do jornal El Meridiano, de Córdoba, Colômbia, pela revelação da existência de 91 obras públicas abandonadas, ou com a construção não concluída, na cidade de Córdoba e arredores.

O júri deseja salientar a amplitude da resposta a este concurso, procedente de todos os países da região, assim como a qualidade e diversidade do jornalismo que investiga corrupção na América Latina. Cartagena de las Indias, 4 de abril de 2003. O Júri: Tina Rosenberg, Marcelo Beraba, Gustavo Gorriti, Juan Lozano, Michael Reid