|
ASPAS
FATOS & FITAS
Abnor Gondim
"Casal nega teor da fita, copyright Jornal do Brasil,
12/6/01
"O presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), foi beneficiado ontem pelo desmentido, apresentado em São Paulo, do ex-banqueiro Serafim Rodrigues de Moraes e sua mulher, a ex-corretora da Bolsa de Valores de São Paulo Vera Arantes Campos.
O casal antecipou o depoimento que vai prestar à Polícia Federal no inquérito instaurado ontem para apurar denúncia. Os dois negaram a veracidade de trechos da fita clandestina transcrita pela revista IstoÉ em que eles apontariam Jader como beneficiário da venda de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) resultantes da desapropriação fraudulenta da fazenda Paraíso, no Nordeste do Pará.
Amigável - A fazenda Paraíso, com 58 mil hectares, foi alvo de desapropriação amigável em maio de 1988, época em Jader era ministro da Reforma Agrária. O suposto proprietário da fazenda é Vicente de Paula Pedrosa da Silva, amigo de Jader e correligionário do PMDB. Ele mesmo ofereceu o imóvel para desapropriação, iniciativa incomum na época. Na fita, o casal afirmou que viu Jader logo após ter entregue a Silva o cheque da transação.
Por meio do advogado Ricardo Carrara, o ex-banqueiro e pecuarista Serafim Moraes afirmou em São Paulo que ‘não se lembra’ do trecho mais bombástico da fita obtida de uma conversa telefônica mantida pelo casal com o seu advogado, Gildo Corrêa Ferraz, 72 anos. ‘É, agora, o senhor sabe quem que recebeu o cheque?’, pergunta Serafim a seu advogado. E responde que o tal cheque fora recebido pelo ‘chefe’, pelo ‘chefão’. E complementa: ‘É. Estava atrás no hotel na hora do pagamento.’
Segundo o advogado, ‘Serafim não reconhece a autenticidade da fita nesse exato momento’, referindo-se às referências a Jader como o beneficiário do cheque. Ele e sua mulher confirmaram apenas que viram Jader no dia 10 de dezembro de 1988, no saguão do Hotel Hilton de São Paulo, após terem entregue a Silva em outra parte do hotel um cheque no valor de 700 milhões de cruzados (hoje R$ 2,927 milhões).
Saguão - ‘Se o cheque foi parar nas mãos de alguém ligado ao Jader, eles não têm como saber’, afirmou o advogado. ‘O que ocorreu é que Jader foi visto pelo casal no saguão do hotel, mas não em contato com Vicente de Paula Pedrosa da Silva nem recebendo um cheque’, esclareceu Carrara.
O casal também negou conhecer algum irmão de Jader, citado na fita como suposto intermediário da transação com o suposto dono da fazenda fantasma. Na fita, Vera afirma que ‘a gente sabia que quem mais tinha TDA no Brasil era ele (Jader)’. Mas, por intermédio do advogado, o casal afirma que foi procurado diretamente pelo empresário paraense.
Serafi, Vera e o empresário serão ouvidos pela Polícia Federal. Depois disso, Jader será convidado a depor. Segundo o advogado do casal, a fita não poderá ser usada como prova porque foi fruto de gravação clandestina sem autor identificado - Gildo nega que tenha feito a gravação, tornando o material inútil como prova."
Gilse Guedes
"ACM garante que Dutra não participou de violação",
copyright O Estado de S.Paulo, 12/6/01
"‘O senador José Eduardo Dutra (PT-SE), acusado de participar da violação do painel de votação do Senado, ganhou ontem uma testemunha de defesa inesperada: o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘Se tivesse de dar um depoimento, eu diria que não há como o Conselho de Ética investigá-lo’, declarou ACM.
Para justificar sua súbita mudança de atitude - até pouco tempo, ACM vinha atacando Dutra por ter defendido a cassação de seu mandato - o ex-senador disse que sua intenção é ‘falar a verdade’. ‘Se eu soubesse de alguma coisa contra o Dutra, eu diria, mas acontece que eu não sei’, afirmou o pefelista.
‘O PT está certo quando diz que, se o Dutra tivesse alguma culpa na violação do sistema, eu e o Arruda (o ex-senador José Roberto Arruda) teríamos feito algo para penalizá-lo.’
Para ele, Arruda, que também foi investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e teve de renunciar para não ser cassado, é quem está ‘patrocinando’ a acusação contra o petista publicada na última edição da revista IstoÉ. ‘Arruda deve estar fazendo isso por covardia’, declarou ACM.
A matéria trata da suposta participação de Dutra na fraude da de violação do painel. Na semana em que renunciou, Arruda comentou, em conversa com seus correligionários, que o petista propôs a retirada da lista dos votos da sessão de cassação do o mandato de Luiz Estevão. ACM contou que esteve com Dutra um dia depois daquela sessão, mas para conversar sobre a possibilidade de a senadora Heloísa Helena (PT-SE) ter votado a favor de Estevão.
Ontem, o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), garantiu que Dutra tem total apoio do partido e do presidente de honra da legenda, Luiz Inácio Lula da Silva. Dirceu negou qualquer tipo de acordo entre o PT, o governo e o PMDB para preservar Dutra e o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Os senadores petistas estariam negando-se a entrar com uma representação contra Jader no Conselho de Ética, para evitar a ira do PMDB. ‘A posição do PT é apurar toda e qualquer denúncia’, afirmou Lula.’"
EURICÃO vs. GLOBO
Luiz Costa e Marcos Pierry
"Eurico Miranda acusa Globo na CPI da CBF/Nike", copyright
O Estado de S. Paulo, 14/06/01
"O deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) usou o ataque como defesa no último dia de discussão do relatório da CPI da CBF/Nike. Ao declarar seu voto sobre o texto de Silvio Torres, às 11h40 de ontem, na Câmara, seu alvo foi a Globo. O presidente do Vasco afirmou que a rede, a quem atribui o monopólio do futebol, é que deveria ser investigada pela CPI. ‘Não se pergunta como a Globo controla os clubes, contrabandeia equipamentos e paga comissões a quem paga’, disse. Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação, garantiu que a rede tomará medidas judiciais contra Miranda. ‘Foi a Globo que levantou denúncias contra ele, agora comprovadas pela CPI’, disse. ‘Em vez de desviar as atenções agredindo a Globo, ele deve dar satisfação a seus pares, à Justiça e à torcida do Vasco.’"
FT & FH
Folha de S. Paulo
"‘Financial Times’ vê oposição com
temor", copyright Folha de S. Paulo, 16/06/01
"O temor dos investidores estrangeiros diante de uma vitória eleitoral da oposição no Brasil em 2002 ganhou corpo no editorial ‘Apagam-se as Luzes no Brasil’, publicado na edição de hoje do jornal britânico ‘Financial Times’, o mais influente diário econômico da Europa.
O jornal vê a crise energética e as denúncias de corrupção no governo como uma possibilidade de ganho eleitoral para a esquerda na sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘A crise foi um presente para a oposição de esquerda brasileira, que já se beneficiava dos bons resultados nas eleições municipais no ano passado e dos escândalos de corrupção no governo. Se chegar com um só candidato crível, a oposição pode ter boa chance nas eleições presidenciais do próximo ano. O medo é que, se ganhar, ela venha minar a boa administração macroeconômica, que permanece sendo a maior conquista do governo de Cardoso’, diz o editorial.
Anteontem, o ‘Financial Times’ havia publicado entrevista com FHC, que dizia: ‘Independentemente de quem seja o eleito, o Brasil tem capacidade de manter as conquistas que fizemos. Essas mudanças são irreversíveis’.
A crise energética atual, segundo o editorial do ‘Financial Times’, pode ser mais danosa ao governo do que a desvalorização do real, em janeiro de 1999, após a mudança do regime cambial.
‘Dessa vez, será mais difícil fazer um milagre. [...’ A escassez de energia vai provavelmente cortar pela metade o crescimento do PIB deste ano. E a única resposta do governo até agora foi o plano de racionamento. Mas ele foi forçado a voltar atrás em algumas medidas, dando a impressão de falta de controle’, diz o texto.
O editorial sustenta que ‘a crise era fácil de se prever’. ‘O sistema energético brasileiro opera no limite de sua capacidade já há alguns anos, e houve numerosos avisos sobre os baixos níveis dos reservatórios.’ Na entrevista ao jornal, FHC havia negado que a crise tenha sido causada por descuido. ‘A crise atual não se deve à falta de investimentos; ela se deve à falta de chuva.’"

|