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CADERNO DA CIDADANIA CASO NOBLAT Rosane L. Ávila (*) "Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade". (Art. 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos). Se um homem acreditar em suas idéias, em suas convicções e em que um projeto pode ser realizado, e abdicar disso pelas adversidades, então não terá nada. Nada por que valha a pena lutar. Nada acontece por acaso. Tudo tem um motivo. E nossa principal tarefa é assumirmos a responsabilidade por aquilo que não mais queremos para nós mesmos, para nossos filhos, para a sociedade. Nossa principal tarefa é buscar o melhor. Precisamos caminhar primeiramente para uma mudança interna, mudando atitudes que aprendemos a ter, que nos condicionamos a ter para que pudéssemos sobreviver. Depois, precisamos nos convencer, e convencer os outros, de que vale a pena investir na verdade, porque é um caminho – o único – que traz a paz e a serenidade. E que a verdade um dia sublimar-se-á, não importando a lentidão do processo. Tirando a máscara A cidadania é um exercício diário de valorização dos direitos humanos. Não cai do céu nem vem embalada e pronta para presente. Muito menos foi ensinada à nossa geração. Estabelecê-la, agora como meta prioritária em nossas vidas, requer comungar com honestidade, integridade, perseverança e coragem. Requer empreender luta obstinada para que os direitos humanos sejam exercidos. Que deixem de ser utopia e passem a incorporar o dia-a-dia de cada pessoa, de cada cidadão. Os Estados garantem o básico para a sobrevivência dos cidadãos. Ou pelo menos deveriam assim o fazer. Mas não os direitos primordiais à manutenção da verdade e da justiça. Esses sim, mais do que quaisquer outros, têm sido relegados a sonhos quase irrealizáveis. Mas nem tudo está perdido. Vez por outra surgem os noblats da vida para dar um puxão de orelha em segmentos da sociedade que se acostumaram a acreditar que manipular, mentir, enganar e subornar são práticas normais e aceitáveis e, portanto, devem ser assimiladas naturalmente dentro da sociedade. Não são. Não deverão nunca ser. E oxalá não parem nunca de surgir, mesmo que de quando em vez, pessoas íntegras que acreditam na verdade e na construção de uma sociedade melhor. Noblat tirou a máscara de pequenos e grandes elaboradores de falcatruas. Apontou engodos internos dentro de uma estrutura empresarial e fora dela, na estrutura governamental de Brasília. Por causa disso está sendo execrado, quando deveria ser aplaudido. Reflexo tão somente de valores invertidos e corrompidos, aos quais daremos todos os dias o nosso aval se nos calarmos. Colhendo no futuro Infelizmente há muitos rorizes Brasil afora. E, em maior ou menor grau, tão nefastos à democracia e ao livre exercício da cidadania quanto o do Distrito Federal. Um judas do povo, como tantos outros, capaz de descalabros políticos que só vêm à tona pelo esforço e sacrifício em praça pública de pessoas que acreditam na verdade e na justiça. Um judas seguido por uma legião de séquitos trajados de finos tecidos, atrás de poderosos cargos, manipulando a opinião pública, tramando perfídias e enganando a sociedade. Pelo menos, a lacuna da sociedade que está ávida pela verdade. A que não se conforma e não aceita mais ser tratada como otária por grupos que detêm o poder. Para tantos rorizes do povo seriam necessários muitos noblats com coragem suficiente para trazerem à luz do dia as mazelas políticas praticadas. E aos que aqui estão jogando pedras eu digo: não atirem a primeira pedra. Não atirem pedra nenhuma. Colhemos no futuro o que plantamos hoje. Amanhã poderá ser você. Ou você... Ou você. (*) Editora do Jornal Agora <www.jornalagora.com.br> Leia também Roriz na cabeça e no coração – Ricardo Noblat |
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