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CADERNO DA CIDADANIA
CAMPO MOURÃO, PR Adir Nasser Junior (*) O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná repudia com veemência as agressões sofridas hoje [20/11/03] por jornalistas na Fazenda Baronesa dos Candiais (Luiziana, Centro-Oeste do Paraná, a 20 km de Campo Mourão), perpetrada por membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que ocupavam o local. O jornalista Dilmércio Daleffe, da Gazeta do Povo, foi espancado e teve sua máquina fotográfica destruída e o disquete com fotos roubado. Sid Sauer, do site Boca Santa, também teve o disquete roubado pelos sem-terra. E o repórter cinematográfico Richard Rogers, da TV Carajás, além de ter a fita em que registrava as imagens temporariamente retida, ainda foi agredido com um tapa no rosto. O repórter fotográfico Hermes Hildebrandt, do jornal Tribuna do Interior, teve seu equipamento retido. Num ato de total afronta aos profissionais da imprensa, os agressores invadiram os carros dos jornalistas e os encheram de terra. Tudo começou quando Daleffe fazia imagens da agressão dos sem-terra a tratoristas que, seguindo ordens dos arrendatários da fazenda, ignoraram os invasores, e iniciavam o plantio de soja. A reintegração de posse, concedida aos arrendatários em abril, ainda não foi executada pela polícia. Tão logo entrou no campo e passou a registrar as imagens da violência aos tratoristas, o jornalista da Gazeta do Povo foi cercado por aproximadamente 30 sem-terra e, ameaçado com foices, foi espancado, levando chutes, murros, puxões de cabelo e pancadas de enxada no joelho. A máquina de Daleffe foi destruída, e o disquete com as imagens da agressão aos tratoristas, confiscado. Os demais jornalistas, que estavam numa colina mais distante, também não escaparam da investida dos sem-terra. Agentes do Serviço Reservado da Polícia Militar, presentes na fazenda no momento da agressão, disseram que receberam a recomendação de "observar". Em nota, o movimento disse que "o ocorrido hoje não é pratica do MST", e atribui a violência a "uma ação isolado (sic) das famílias que estão vivendo um clima de pânico e pavor". Daleffe registrou ocorrência na Delegacia de Campo Mourão. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná exige o respeito aos direitos constitucionais e reafirma que a sociedade democrática não pode de forma alguma conviver com atitudes de cerceamento à liberdade da imprensa. (*) Assessor de imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná | ||