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HORROR NA GUATEMALA
Jornalista executado por manifestantes
O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) está chocado e pesaroso com a morte de Héctor Ramírez, repórter do Canal 7 guatemalteco, que morreu hoje quando cobria protestos na capital, Cidade da Guatemala.
Juan Carlos Lange, diretor de notícias de Notisiete, telejornal para o qual Ramírez trabalhava, disse hoje ao CPJ que ainda não está claro exatamente como o jornalista, de 62 anos, morreu. Os resultados da autópsia revelarão se Ramírez morreu em decorrência de ferimentos, depois de ter sido espancado por manifestantes, ou de um infarto quando tentava fugir de seus atacantes. "Hoje é um dia muito triste, Ramírez era o repórter mais experiente da estação", disse Lange.
De acordo com várias fontes, os protestos irromperam hoje por toda a Cidade de Guatemala, depois da decisão da Suprema Corte no domingo, 20 de julho, que aprovou, conforme solicitação de dois partidos de oposição, a proibição temporária da candidatura do ex-ditador Efraín Ríos Montt à presidência, nas eleições que se realizarão em 9 de novembro. A corte marcará para breve audiência completa para determinar se Ríos Montt pode concorrer.
Hoje, os simpatizantes de Ríos Montt invadiram a cidade, vindos de áreas rurais, usando máscaras e paus, e procuravam atacar jornalistas que cobriam os protestos.
Outros jornalistas escaparam por pouco de ferimentos. Juan Carlos Torres, 28, fotógrafo do jornal elPeriódico, e Héctor Estrada, 23, operador de câmera da Guatevisión, fugiram depois que os manifestantes os encharcaram de gasolina, em tentativa de queimá-los vivos. "Foi absurdo, a multidão estava completamente fora de controle", disse ao CPJ Haroldo Sánchez, diretor de notícias da Guatevisión.
Segundo fontes do CPJ, autoridades do governo e a Polícia Nacional fizeram pouco para controlar a multidão furiosa.
"Exigimos uma investigação imediata e rigorosa deste terrível incidente", disse o coordenador-chefe de programas do CPJ, Joel Campagna. "As autoridades têm que processar todos os responsáveis, até as últimas conseqüências da lei."
O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, radicada em Nova York e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todas as partes do mundo. Nova York, 24 de julho de 2003
Informações
Página do CPJ
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