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SOPINHA DE NÚMEROS
Redução espantosa
Fico sempre estupefato com certas atitudes de nossos amigos jornalistas. Principalmente no que se refere à atitude básica da profissão: a verdade. É engraçado perceber como alguns jornalistas simplesmente esquecem de checar os dados de uma fonte ou de um "press release". Observem o caso da notícia abaixo. Encontrei-a no canal de Notícias da América online, de 29/3.
Percebam que o texto diz claramente que o preço dos remédios teve redução de 184%.
"Laboratório baixa custo de remédios do coquetel contra Aids
O ministro da Saúde, José Serra, anunciou nesta quinta-feira que o custo dos medicamentos Indinavir, de 400 mg, caiu de US$ 1,33 para US$ 0,47, o que representa uma redução de 184%. Já o Efavirenz, de 200 mg, passou de US$ 2,06 para US$ 0,84, representando uma redução de 144%. Os remédios, usados no tratamento de Aids, são fabricados pelo laboratório Merck."
Meu Deus! Uma redução de 184%? Seria isto uma nova modalidade de comércio, o preço negativo? Sim, pois se um produto teve redução de 50% significa que ele ficou com apenas metade do preço. Se ele teve redução de 100%, é de graça. Mas se tem uma redução de 184% significa que estes 84% serão pagos pelo fabricante?
Se os forem verdadeiros (talvez o jornalista nem tenha conferido), então a redução seria de aproximadamente 65% [1 - (0,47/1,33)]. Este valor de 184% mostra que a conta foi feita "por dentro", ou seja, utilizando o valor final como referência, em vez do inicial [(1,33/0,47) - 1]. A mesma notícia no Terra trouxe valores acurados. Parabéns a eles.
Não seria a hora de uma cruzada contra o excesso de confiança nos números? Eles, em si, não significam nada. São números. Agora, o raciocínio que se faz sobre eles é que é imprescindível. Pena que alguns profissionais da imprensa não conseguem tirar deles um mínimo de discernimento e bom senso.
Parabéns pelo trabalho de vocês. Nossa cidadania depende disso. Um abraço caloroso,
Rodrigo Volponi
Os alhos e os bugalhos
Um comentário a respeito do artigo de Luiz Egypto, "Sopinha de números", que pode ser útil para evitar futuros erros da imprensa. Sem dúvida os dados conflitantes dos jornais a respeito da exportação de bens de capital para a Argentina foram uma grande bobeada. Motivo da confusão: o presidente da Abimaq fala em US$ 800 milhões em exportações de máquinas industriais. O número de US$ 1,6 bilhão corresponde ao total das vendas de bens de capital do Brasil para a Argentina. Afinal, a categoria bens de capital não se resume unicamente a máquinas industriais, incluindo outros tipos de produtos, como caminhões, por exemplo.
Carlos Vasconcellos, revista América Economia
Luiz Egypto responde: Obrigado, Carlos. Você oferece um motivo a mais para que os jornais esclareçam melhor assuntos como esse. E reforça a afirmação que "editores não lêem o que vai publicar o jornal que ajudam a editar". Abraço. L.E.
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Sopinha de números – Luiz Egypto
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