Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

 

Amigos, o destaque desta edição, segundo a maioria dos leitores, é o filho não-assumido de Fernando Henrique. As (várias) cartas estão na rubrica A Imprensa em Questão. Todas cobram posição do Observatório sobre a matéria da revista Caros Amigos. Alberto Dines expôs seu ponto de vista na edição de 20/4.

As cartas, é triste dizer, não mentem: é impressionante o vigor da patrulha político-ideológica neste país. Quem não segue o receituário de determinada patrulha não presta. Não importam passado, obra, ações diárias, coerência. Descumpriu o receituário, não presta. Episódio atrás de episódio, a patrulha é um monolito: mentes fechadas, avessas à diversidade, prontas para a agressão. Entende-se bem por que a democracia continua um sonho nesta terra autoritária. E quem não for patrulheiro que jogue toda a culpa sobre a direita conservadora.

No mais, vale destacar aqui a carta do leitor Carlos Cândido, repercutindo comentário de Alberto Dines: não temos uma mídia nacional. Não passamos mesmo de provincianos autocentrados.

Um abraço, boa leitura.

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Maracutaias locais

Mas nós, mineiros, já sabíamos há muito tempo que os jornalões são locais e que os demais centros só aparecem no noticiário quando a notícia é sensacional. Em curtos períodos alguns jornais se interessaram pelo leitor, por exemplo, de Belo Horizonte, por motivos circunstanciais. Mas, para jornais de SP, o mundo é SP – e o poder (que não se pode ignorar), Brasília; para os jornais do Rio, o mundo é o Rio – e o poder... Uns e outros consideram o resto do país como locais distantes, onde às vezes surgem matérias exóticas. A questão é importante, não? Mostra incapacidade de jornais de outros centros atingirem os demais (nem mesmo jornais de Brasília conseguem circulação nacional), mas mostra também essa desigualdade, que no fim das contas é desigualdade política. E nem só jornais: as redes de TV o que são, senão noticiários do que acontece em Brasília, SP e Rio? Houve tempo em que os jornalões ao menos mantinham sucursais numerosas. Hoje, com exceção da Gazeta Mercantil, que vem investindo em suplementos regionais, pelo menos em Minas, há correspondentes e sucursais minguadas (não em competência, ressalte-se).

Carlos Cândido


Urubus à espreita

Acompanho, sempre que posso, o Observatório na TV, e faço parte do mailing list de vocês. Não sei se vem ao caso, mas gostaria de sugerir uma discussão sobre o comportamento "urubu" da grande imprensa. Sou assessora de imprensa e, no ano passado, fui contratada para divulgar o show Estilo, do cantor Wilson Simonal. Parecia mais uma tentativa desesperada de um grupo de amigos dele de tentar reverter uma situação quase impossível: também para a mídia, Simonal já estava morto, por conta dos boatos que o condenaram – sem julgamento – nos anos 70. Espalhou-se a notícia de que Simonal esteve a serviço da ditadura (como vocês já sabem), e ele nunca mais conseguiu se reerguer. No release de divulgação do show propriamente dito, havia um box onde tentávamos passar a história a limpo, com base em documento assinado pelo então secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori.

Nem uma palavra na imprensa sobre o ocorrido.

Agora, que ele está visivelmente com o pé na cova, vejo páginas e páginas de revistas e jornais abordando o assunto e tentanto explicar o até hoje inexplicável. A única tentativa de anistia, ao menos "jornalística", foi feita, em 16 de março de 1999, por Artur da Távola, em sua coluna de O Dia.

É claro que entendo as leis do mercado, a concorrência etc. etc., mas, como jornalista, me incomoda o fato. Vale um programa, uma discussão, esse caráter urubu da grande imprensa?

Dinah Sales de Oliveira


A ética no Observatório

"Críticas e denúncias contra veículos de comunicação citados nominalmente serão submetidas aos mesmos, para que tenham oportunidade de resposta simultânea à publicação da crítica ou denúncia."

Me parece lícito perguntar o porquê de tal observação. Será uma questão legal? Ou uma postura ética de vocês? Esta observação me deixa intrigado. Agradeco qualquer esclarecimento.
Marco Antonio dos Santos

Nota do O.I.: Caro Marco Antonio, é uma postura ética, estabelecida há quatro anos, no lançamento do Observatório na internet. Na época, não eram rotineiros, como hoje, os processos contra a mídia. Entretanto, na grande imprensa ainda não está criada a cultura da resposta a críticas.

Jorge Nassrallah, Batatais, SP


TV sem cultura em Goiás

Se não bastasse a baixa qualidade da representante da TV Cultura em Goiás, verificada na maior parte de seus programas – colunismo social, promoção de pessoas, empresas etc. –, a TBC Cultura invade horário de outros programas nacionais, aliás, os melhores. No último caso, registrado freqüentemente no domingo, especificamente no horário do programa Cartão Verde, a TBC, com uma versão local, resolveu estender o tempo, reprisando o programa paulista com meia hora de atraso. O que levou a emissora local a não veicular a Mostra Internacional de Cinema, preferindo repetir alguma entrevista de Conexão Roberto D'Ávila.

A TBC Cultura também grava vinhetas de programas nacionais, indicando muitos apoios culturais, e interferindo no andamento da transmissão nacional, fazendo com que o telespectador ache que o problema veio da TV Cultura paulista, da Fundação Padre Anchieta. Eu já estava cansado de tanto desrespeito, e resolvi fazer o mesmo que o ator e diretor de teatro Marcos Fayad, ou seja, reclamar. Ele preferiu recorrer ao principal jornal do estado, O Popular, onde escreveu sua experiência durante um período em tratamento médico, no qual resolveu saber o que a televisão goiana estava produzindo. Ele afirma que escolheu assistir à TBC porque é a emissora no estado que tem maior produção local, e é verdade.

Citação dele: "Com raras exceções, nenhum programa da TBC Cultura é feito para servir e melhorar a vida do telespectador, coisa mais natural, até obrigatória, em se tratando de um canal de TV pública, onde os funcionários são pagos pelo povo."

A seguir, ele afirma, e eu assino embaixo: "Mas ele (o canal) é usado para promover empresas particulares dos tolos apresentadores ou atirar confetes em seus egos inflados de idiotices."

Mais: "Pobre telespectador! Somos todos vítimas do delírio da autopromoção desvairada, em que um patrocinador e um vaidoso de plantão inventam um programa, e podem causar estrago na diversão e na cultura de quem já tem tão pouco com que se divertir."

Esta é a minha reclamação. Nacionalmente, a TV Cultura é ótima. Localmente, sua afiliada deixa muitíssimo a desejar.

José Cristian Pimenta, estudante de Comunicação Social


De volta ao Cidadão Kane

Sou fã número um do Observatório – estou no penúltimo ano de Jornalismo, e gostaria de saber por que a população não tem acesso ao documentário Muito além do cidadão Kane – tenho certeza de que vocês conhecem. O documentário, feito por uma rede inglesa, mostra a falcatrua que a Rede Globo fez nas eleições para acabar com o Lula – inclusive depoimentos de antigos diretores. Acho que está na hora de desmascarar o seo Magalhães.

Gunther Max


Esquecemos Tiradentes

Que explicação seria razoável para a grande omissão do nome de Tiradentes em seu dia? Tanto a imprensa escrita (que eu observei) quanto a televisiva não dispensou uma linha ou alguns segundos ao nosso mártir. Por quê?

Antonio Carlos Pacheco


A ABI e a Souza Cruz

Motta Lima responde: "Jacqueline, como você é estudante, me perdoe, mas não consegui deixar de lado a mania de professor. Certamente você já ouviu seus professores (espero que sim) alertarem para a necessidade de precisão da informação. Especialmente quando a gente quer criticar. O cuidado tem de ser ainda maior. O anúncio da Souza Cruz, que, com a Volkswagen, possibilita a própria existência do sítio da ABI na internet, diz: ‘Há um dedo da Souza Cruz na história do jornalismo brasileiro...’. O ‘dedo de importância na história da imprensa’ foi invenção sua ou ato falho? (...)"

Será que Motta Lima conhece a história das indústrias do açúcar e tabaco (não por acaso associadas)? Se não, deveria correr a pelo menos assistir a O informante", ainda em cartaz nos cinemas. Somente desconhecimento – prefiro não considerar a hipótese de má fé – justificaria o tom e as imprecisões de sua resposta à estudante Jacqueline. Valha-nos Hipólito José da Costa...

Ney Gastal, jornalista


A Trip e o cigarro

Comecei a fumar aos 31 anos de idade e larguei o fumo há 20 dias, com 34. Fumava meio maço por dia, em média, e não foi muito fácil deixar. Também não foi desesperante. Mas sobre propaganda de cigarro, comentada matéria da revista Trip, pergunto: alguém já viu algum anúncio de cigarro, qualquer cigarro, em qualquer lugar do mundo, que diga "fume muitos cigarros"? Nunca se provou que fumar dois, três, quatro cigarros por dia fizesse algum mal.

Renan Cepeda, Rio


Socorro, Super-Homem!

Na semana passada, o canal televisivo WBTV (Warner Bros. Television) exibiu, em sua programação diária, um desenho animado do Superman, no qual o homem de aço foi ajudado por um amigo seu, também muito conhecido e super-herói, Batman. Fiquei um pouco perplexo, pois eu não sabia que as cidades de Gotham e Metrópolis ficavam no mesmo planeta.

Contudo, percebi que existem muitas Gotham e Metrópolis aqui em nosso próprio país. Cidades onde o crime impera e a força policial já não é mais suficiente para barrar os vilões – políticos, médicos, engenheiros, juízes, senadores, prefeitos, governadores, presidentes... Falta um super-herói. E tem que ser de aço. Vamos começar a gritar, assim como faz Lois Lane, e quem sabe ele aparece. "Socorro Superman!!!!!"

Ricardo Ribeiro


Observatório, ano 5

Parabéns pelos 4 anos do O.I.. Nem sempre consigo ler, mas sempre que leio acho muito bom. Mais do que bom, pertinente. Uma visão crítica interessante. Seria ótimo uma divulgação maior do O.I.. Não sei bem como, além do boca a boca. Certamente a grande imprensa nem pensa em divulgar, por razões óbvias: só dói quando eu penso! Abração e muito sucesso.

Roberto Cooper

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Mestre Alberto Dines (permita-me chamá-lo assim), se todos fossem iguais a você... A imprensa brasileira seria bem melhor. Leio sua coluna no JB sempre. E nela tenho aula de como escrever bem, de história, de política, de cinema, de música, enfim, de cultura geral. O Observatório da Imprensa também é ótimo. Parabéns pelo aniversário de 4 anos.

Lúcia, Niterói, RJ, aluna de Biblioteconomia da UFF


Observatório impresso

Recebi uma carta comunicando que a edição impressa do Observatório da Imprensa não seria enviada no mês de abril. Como já estamos no início do mês de maio estou esperançosa de que o pequeno problema da falta de patrocínio para a impressão das edições já tenha sido contornado. Aguardo, portanto, que dentro em breve eu volte a recebê-las. Apesar de acessar o site do Observatório com uma certa freqüência, sou fã mesmo é da seleção impressa feita por vocês. Sinceramente, acho muito mais agradável e confortável ler a edição impressa ou assistir ao Observatório da Imprensa na TV do que ficar horas em frente ao computador. Não desconheço, com isso, a extrema importância que tem a Internet para a nossa vida atualmente.

Rosane Chaves Bispo, Salvador



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Maracutaias locais – Alberto Dines

Tabaco e informação – Caderno do Leitor

 




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