CASO IBSEN
Tratamento igualitário
Parte da mídia quer agora redimir Ibsen Pinheiro, após a decisão do STF sobre sua inocência. O mesmo deveria ser aplicado em relação ao ex-presidente Fernando Collor, também prejudicado pela precipitação do julgamento político. E os cara-pintadas, o que fizeram depois de sair às ruas para destituir o primeiro presidente eleito após três décadas? Elegeram um deputado federal que se tornou o maior fiasco para a juventude deste país.
Toni Rodrigues
Anistia capenga
Apesar dos 6 anos, repararam uma injustiça: parabéns deputado Ibsen Pinheiro. Sempre acreditei nos seus propósitos e na sua dignidade de homem público. Solidário ao senhor, entretanto, continuo amargando uma anistia capenga que tolheu os melhores anos de minha vida e de outros companheiros, desde 1964. O senhor teve mais sorte.
Murilo Cabral (ex-militar cassado da Aeronáutica)
Quem julga quem?
Creio que a imprensa deveria oferecer o mesmo espaço que usou para atacar, para a defesa do acusado. Mas o que eu mais me pergunto é: Quem julga a imprensa? O grande problema da mídia é ter que vender e quanto maior o escândalo maior o ibope e vendagem, não importando o estrago.
Sergio Ricardo Requena Miras
Poderosos impunes
O fato de o STF ter arquivado o processo contra Ibsen Pinheiro não significa que não tenham ocorrido os fatos que levaram à sua defenestração. Collor foi condenado? O Supremo também é político, e os delizes do Ibsen, quando comparados com outros tantos, são de menor monta. Assim, o STF se viu obrigado a arquivar o processo senão teria de cassar todos os "turistas de Fernando de Noronha". Sem falar em FHC e os 18 milhões de Hannover!
Os políticos condenados pelas instâncias inferiores são sempre absolvidos pelo STF. Por quê? Talvez, mais importante que a falta de mea culpa da imprensa face à decisão atual do STF, seja exatamente saber por que ficou por isso mesmo. A justiça no Brasil não condena poderosos, pois as leis são feitas por e para eles. Senão, ao invés de uma "Lei da Mordaça" teríamos uma lei que determinasse a quebra de sigilo bancário e fiscal de ocupantes de órgãos públicos, do presidente ao auxíliar contínuo.
Talvez o STF passe a decidir diferente quando seus membros vierem a ser escolhidos por méritos outros que por amizade ao presidente de turno.
Gilmar Antonio Crestani
GREVE DOS PROFESSORES
Agressão a Covas
A Imprensa dá mais uma vez provas de seu comprometimento com o governo do estado de São Paulo no que se refere a movimentos populares. Em primeiro lugar falo da assembléia e passeata dos funcionários públicos paulistas. Cada órgao de imprensa deu um número de manifestantes a TV Globo teve o disparate de falar em 6000 manifestantes, sendo que as primeiras pessoas chegavam na Assembléia Legislativa e muitas sequer haviam entrado na Avenida Paulista.
Outra coisa se refere ao episódio ocorrido na Praça da República [1/6/00]. Ninguém questiona o fato de um governador de estado ser tão grosseiro e truculento, ou ao menos questionam o porquê deste homem tão poderoso procurar provocar professores que estão há mais de um mês em greve. E por que o governador precisava teimar em entrar e sair pela porta da frente com tanto cinismo? Temos de ficar atentos pois nossa imprensa nunca vai apoiar aqueles que lutam por melhores condicoes sociais
Cavalieri
FUTEBOL
Bisbilhoteiros assumidos
Assisti ao Jornal Nacional da Rede Globo [31/5/00], prática esporádica, mas necessária para se saber o qual será a opinião pública sobre assuntos políticos fundamentais de nosso país, e fiquei abismado a que ponto alguns repórteres chegaram. Após conseguirem uma rápida entrevista com o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, o grupo de bisbilhoteiros seguiu para uma janela de onde se ouvia a conversa que o técnico tinha com a sua equipe. Tudo gravado e reproduzido no ar, com direito até a legenda.
Desde pequeno aprendi que é falta de educação escutar conversa dos outros escondido ou com o ouvido colado na porta. No exercício de uma profissão essa norma de comportamento é um dos pontos básicos de convivência civilizada e de respeito à privacidade. A Globo mais uma vez confirma a má qualificação profissional dos jornalistas responsáveis pela autorização para veiculação da matéria.
Adriano de Bortoli, advogado, Florianópolis, SC
Pesquisa tendenciosa
Gostaria de chamar a atenção para a campanha difamatória, absolutamente anti-ética, que os meios de imprensa vêm realizando contra o respeitável e probo técnico do Palmeiras, sr. Luiz Felipe Scolari. Durante o Jornal Nacional de 31/05/00 foi exibida matéria sobre o clássico da Libertadores da América, em que o técnico do Palmeiras aparecia "mexendo com os brios" de seus atletas.
Sejamos francos, trata-se de prática absolutamente corriqueira dentro do meio esportivo. Quem já não usou desse meio para "injetar" ânimo em uma equipe, num momento de decisão? Portanto, não sejamos hipócritas.
É preciso considerar, ainda, as circunstâncias em que foram ditas as frases apresentadas pelo Rede Globo. Ora, o Felipão não pediu uma entrevista coletiva para divulgá-las; pelo contrário, tratava-se de um diálogo reservado entre ele e seus atletas, dentro de um contexto específico.
Hoje [quinta, 1º/6], pela manhã, liguei o rádio e Rádio Jovem Pan. Qual não foi a minha surpresa ao perceber o teor da pesquisa diária do "Ligaçao Jovem Pan": "Você acha correta a atitude do técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, de insinuar a seus jogadores que entrem com ódio de seus adversários do Corinthians, na próxima partida da Libertadores da América, dia 6/6?"
Ora, trata-se de uma campanha covarde de um veículo de comunicaçao que se diz imparcial! Será que é possível considerar séria tal pesquisa? Será que alguém acredita que, diante de uma pergunta tendenciosa como essa, alguém dirá que o técnico está certo? Será que a Jovem Pan subestima-nos tanto, a tal ponto de acreditar que não é possível notar o caráter difamatório dessa pesquisa? Alguém procurou saber o contexto em que essa frase foi dita?
A referida conduta representa um referendo popular de uma condenação feita nos bastidores de um veículo de comunicaçao, tendo sido conduzida de maneira tendenciosa, sem que fossem observados quaisquer critérios éticos! Trata-se de uso predatorio dos meios de comunicaçao!
Bruno S.Vichi
REGISTRO DE DOMÍNIOS
Direitos feridos
Ao ter meus direitos de resposta constantemente negados por Veja, Época e outros [ver remissão abaixo], não me resta alternativa a não ser apelar ao Observatório para corrigir informações absurdamente erradas publicadas no jornal Valor, que por ser de negócios teria a obrigação de ter cuidado na checagem dos fatos. Abaixo, mensagem enviada ao Valor.
Marcel Leal
"Qual o valor de um jornal de economia se as notícias que publica estão 80% erradas? Foi o que aconteceu com a matéria ‘Pirata virtual terá de indenizar Globo’, do dia 31 de maio, página B4, assinada por Orivaldo Perin.
O primeiro problema é que ele não escreveu a matéria, e sim copiou matéria publicada na Veja com frases inteiras iguais. Pior: não fez o básico do jornalismo, que é checar as informações. Qualquer estudante de jornalismo ou estagiário faria um trabalho mais sério. Por causa disto, cometeu e repetiu diversos erros:
1. ‘O fotógrafo baiano...’ – Não sou fotógrafo. Sou formado em publicidade e marketing na USP com curso de direção de rádio e TV na BBC de Londres. Sou um respeitado empresário de comunicação no sul da Bahia. Presido a Rede Morena, que inclui a rádio Morena FM, primeira 100% em CD na América Latina (1991) e 100% digital (1994); o jornal A Região (o principal do interior baiano, com edições em Itabuna, Ilhéus e Eunápolis) e o jornal The Brazilian, que tem firma aberta em Londres (The Brazilian Ltd).
2. ‘...sofreu a segunda derrota este mês’, ‘já havia sofrido outra derrota há duas semanas em ação movida pela Embratel... para recuperar o endereço embratel.com, pirateado pelo fotógrafo" – Isto é calúnia pura e simples. Nunca fui dono deste dominio e muito menos ‘pirateei’ o endereço. Valor é que pirateou a verdade.
3. ‘...o site de Marcel (dominiosbrasil.com.br) está com o sistema de registro suspenso’ – Isto é ignorância demais para um jornal que quer orientar outros empresários em suas tomadas de decisão. Em primeiro lugar, este site nada tem a ver comigo – não é meu e sequer o conheço! Depois, não existe nada parecido com ‘suspender’ sistema de registro. Quem faz registros no Brasil é apenas a Fapesp, como meu sobrinho internauta de 7 anos sabe há tempos.
4. O fato de o Jornal Nacional estar no ar desde 1969 e o Globo Esporte desde 1978 nada significam para a lei brasileira de marcas e patentes, que deveria ter sido consultada pelo ‘jornalista’ que escreveu a matéria. Uma marca só é notória quando consegue, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial um certificado de notória. A Globo não tem nenhum. Na época do registro do domínio globoesporte.com.br, a Globo sequer tinha esta marca registrada junto ao INPI. Ela havia vencido seis anos antes, em 1992, e nunca tinha sido renovada. Novamente, uma simples busca no banco de dados do site do INPI teria revelado esta informação.
Cada marca só está protegida, segundo a lei de marcas e patentes, para o uso que consta na categoria onde ela foi certificada (existem 42 categorias). A marca Jornal Nacional só está protegida para uso em ‘serviços de comunicação e publicidade’. Acho que nem o seu ‘jornalista’ ignora que a internet é uma rede de computadores e não um serviço de comunicação.
Existem 48 empresas donas de marcas ‘globo’ no INPI, cada uma em sua categoria. Existem mais de 50 empresas donas de marca ‘nacional’, cada uma em sua categoria. A Globo não pode ganhar o direito de estar protegida em todas as categorias se inscrevendo em apenas uma, sob pena de anular a lei de marcas e patentes e os direitos das outras empresas.
Em tempo: não existe ainda nenhuma categoria para a internet. Uma falha da lei que precisa ser corrigida no Congresso e não com sentenças equivocadas.
5. ‘...edita uma revista digital chamada The Brazilian...’ – Como observado antes, trata-se de um jornal semanal editado em Londres. Seu slogan é ‘um jornal com opinião própria’ e está escrito com destaque na primeira página do site. Valor escreveu sobre o que não viu.
6. O dominio xuxapark.com.br foi registrado muito antes do programa da Globo ter este nome e era um projeto de parque aquático virtual sobre nadadores brasileiros para crianças (cada nadador seria associado a uma entidade marinha – golfinhos, arraias etc... – e seria centrado no nadador Xuxa, que na época estava em evidência. Nem tudo que é Xuxa é da Globo...
Que tipo de credibilidade um jornal de negócios pode ter errando tanto em tão pouco espaço impresso? Em nome desta credibilidade espero que Valor cumpra com meu direito de resposta, como manda a tradição do bom jornalismo, corrigindo as informações erradas que passou a seus leitores. Atenciosamente, Marcel Leal."
VOCABULÁRIO
Em bom português
Para vocês que lidam cotidianamente com a palavra e vivenciam, provavelmente, a beleza e riqueza que possui o idioma português. Gostaria de saber de vocês jornalistas, se não é possível encontrar no nosso vernáculo, palavras equivalentes, que possuímos com certeza, e desprezamos em detrimento de modernismo ridículos quando não de puro desconhecimento da língua pátria. Li o texto sobre o MST e são tantas as palavras em inglês que usam, que soa puro pedantismo ou desconhecimento da língua-mãe. Sejamos humildes em admitir que por mais que escreva-mos para um elite sócio-intelectual, temos uma população média que fala uma idioma maltratado, pois não há uma preocupação, zelo, preservação ou cuidado com o mesmo. Todavia somos lusófonos e redundantemente falamos português.
João Bosco
JORNAL NACIONAL
Nomes omitidos
Por que será que o Jornal Nacional de 31/05/00 não citou o nome do filho de FHC e da filha do senador Jorge Bornhausen, que estão envolvidos com a feira de Hannover? A GloboNews, sim. Pelo que me consta, isso é omissão; no caso, a mesma coisa que faltar com a verdade, já que toda a imprensa e outras emissoras, além da própria Globo News, citaram os dois.
Rosa Teruz
OBSERVATÓRIO
IMPRESSO
Interrupção temporária
Gostaria de saber como obter o recebimento periódico do Observatorio da Imprensa. Grato.
Geraldo Moniz de Aragão
Nota do OI: Geraldo, por três anos e 29 edições o boletim de 16 páginas foi impresso com o apoio da Xerox. Em março deste, o convênio foi suspenso. A Xerox, agora, vai dedicar-se exclusivamente aos projetos que patrocina no campo da assistência à juventude. E o fará bem porque tem boa reputação nisso. Estamos em busca de novos apoios para a operação. Tão logo apareça(m) o OI impresso voltará a circular. (L.E)
Obrigado, obrigado
Após ter sido indicado por meu pai, jornalista há muito, cheguei a ficar emocionado ao ver um site de tão boa qualidade com interesses que até então só encontrava em endereços de ONGs; infelizmente muio pouco desenvolvidos. Este e-mail é um agradecimento e um incentivo às pessoas que usam os meios de comunicação de maneira correta, ajudando a abrir os olhos do cidadão em geral e mantendo informados aqueles que já estão de olhos abertos.
Marcos Credidio Mello
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Sempre que eu posso assisto ao Observatório na Imprensa. Acho um programa bem formulado e sobretudo analítico, pois ajuda a sociedade a entender a mídia em diversos níveis de atuação. A observação de Alberto Dines é sempre pertinente aos assuntos em questão e esse análise sobre veja foi demais oportuno.
André Sacramento
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Interessante e bem estruturada essa pesquisa. Vale a pena lembrar que cada vez mais os sites da internet caminham para no sentido de conseguir um marketing de relacionamento com seus leitores. Parabéns a jornalista Beatriz Singer pela dinâmica dos artigos da sessão "Entre @aspas", inclusive pelo breve espaço utilizado, e espero que se mantenha assim a relação com seus leitores.
Fernando Oswaldo Moura Gonçalves
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Sempre achei que os maus jornalistas ficariam impunes para sempre, mas agora vejo que tem gente boa lutando pela ética jornalistica. Já faz tempo que não acredito em notícias de jornal, acho que quase o mesmo tempo que não acredito em coelho da páscoa. Há 8 meses deixei de assistir o Jornal da Globo e assim vai indo... "melhor desinformado sozinho do que mal acompanhado!" Parabéns pelo movimento ético!
Mmendes

CASO IBSEN