Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho


"Qual dos candidatos tinha o apelido de Paiau na escola? Quem chorava de rir enquanto assistia a Ronald Golias? Qual a coisa mais esquisita que já colocou na boca?"

Perguntas – conforme carta do leitor Eduardo Zanete – que uma revista fez aos leitores, em matéria-teste do tipo "conheça melhor seu candidato". Eduardo parou de ler porque sentiu enjôo...

***

REVISTA DA FOLHA
Contribuição "relevante"

Domingo, 24 de setembro de 2000. Vejo a Revista da Folha em cima da mesa. Na capa, uma pergunta e uma resposta: "Você conhece (mesmo) o seu candidato? Faça o teste da revista e veja se está preparado para a eleição". Apesar de não morar na cidade de São Paulo, mas na cidade vizinha (Osasco), o assunto me interessa muito. Vou direto à página 10 onde está a "matéria". Pois bem: trata-se nada mais nada menos do que perguntas do tipo "Qual dos candidatos tinha o apelido de Paiau na escola?", "Quem chorava de rir enquanto assistia a Ronald Golias?", "Qual a coisa mais esquisita que já colocou na boca?". Não consegui ler meia página da "matéria", pois comecei a ter ânsia. Essa é a contribuição que a Folha de S.Paulo deu aos seus leitores uma semana antes das eleições.

Só me resta descobrir quem aqui de casa comprou o jornal e dar-lhe uma bela bronca.

Eduardo Zanete, Osasco, SP




GLOBO vs. LUXEMBURGO
Linchamento suspeito

Gostaria de parabenizar os jornalistas Cosme Rimoli e Luiz Antônio Prosperi por levantar este assunto [ver remissão abaixo]. Eu já desconfiava que algo estava acontecendo pois, mesmo achando que Luxemburgo cometeu erros como técnico da Seleção não há motivos para o linchamento moral a que está sendo submetido. Era estranho que Luxemburgo, quase uma unanimidade um ano atrás, estivesse sendo rebaixado pela imprensa de rádio e TV, principalmente, ao nível de técnico incompetente. Luxemburgo pode ter muitos defeitos, mas o linchamento a que está sendo submetido é desproporcional aos eventuais erros cometidos.

Aliás, esta mania da imprensa de "linchar" alguém periodicamente equivale às práticas das TVs atrás dos índices do ibope.

Antonio Luiz R. B. Gama




ITAMAR FRANCO
Jornalismo enclausurado

A capa da Veja – admito, não me dei ao trabalho de abrir a revista, afinal a vida é curta e há muitas coisas mais interessantes para se ler – é um exemplo de como veículos de comunicação e jornalistas enclausurados em suas redações (e em seus salários) enxergam o leitor estúpido, capaz de optar apenas pelas duas "alternativas" (napoleão de hospício ou..., nem lembro mais da outra) concedidas pela semanal. A postura da Veja é de lambe-botas, do tipo faço-qualquer-jogo-para-agradá-lo senhor meu presidente.

Inácio França, Recife




DENUNCISMO
Informação é o de menos

Parece-me que este é um mal que assola nossa imprensa diária de modo geral. A informação é secundária ao apelo comercial de uma manchete espalhafatosa e muitas vezes inócua. Torço para que venham dias melhores em termos de responsabilidade e qualidade de informação.

Roberto Frejat



O ovo ou a galinha?

Com toda a sinceridade, este denuncismo se deve à corrida ao ouro (para vender jornais e faturar mais), à corrida ao outro (uma espécie de paranóia persecutória que imprime certa importância ao denunciante, ou mesmo uma identidade decorrente de crise da própria) ou porque o jornalismo acredita e se credita realmente uma missão salvacionista? Vivo me perguntando isto.

Ana Maria Magalhães



Circo do lucro

Infelizmente o que comanda o circo da notícia é o lucro. Se a matéria não tivesse sido lançada com sensacionalismo não iria ter repercussão no dia seguinte e não chamaria a atenção dos leitores na banca. Um jornalismo sério é muito mais ético, porém nem sempre é que dá mais lucro a nossa sociedade capitalista. E(i)mpre(n)sa comunicadora depende disso para sobreviver à concorrência. Se o jornal vende muito é procurado por muitos anunciantes dos quais depende a sobrevivência do veículo. Num jornal em que a notícia se adapta aos classificados, e não o contrário, não devemos buscar muita credibilidade. E o triste é saber que isso acontece com grande parte dos jornais brasileiros. Dou um voto de confiança à imprensa alternativa e quando puder, uma colaboração mais efetiva.

Aline O. Morais




DESILUSÕES
Intelectuais do outro mundo

Tenho ficado cada vez mais espantado em como os intelectuais brasileiros desconhecem o Brasil. Tenho visto entrevistas, lido alguns textos que colocam absurdos como resultado de profundas reflexões e pesquisas. Por exemplo, apareceu um pesquisador dizendo que o "povo" brasileiro está cada vez mais politizado e bem informado; no mesmo dia um jornal da TV reafirma que mais de 60% da população é de analfabetos funcionais, que não conseguem compreender o que lêem e não são capazes de expor idéias de uma forma lógica e estruturada. Outro diz que o "povo" já não suporta mais os políticos corruptos, corporativos, como se não tivesse sido a maioria do povo que os coloca lá e os tem ratificado faz décadas.

A educação é sofrível, essas pessoas nunca deram aulas em escolas públicas, ou melhor, nunca entraram numa escola pública. Não têm contato com famílias, com professores e diretores, falam de um outro mundo, que não é nem de longe um pálido reflexo da realidade. Infelizmente não parece possível mudanças onde até mesmo aqueles que podem induzir as mudanças desconhecem aquilo de que tratam.

Jorge S. Medeiros, webmaster




OBSERVATÓRIO
Obrigado, obrigado

Meus sinceros agradecimentos aos idealizadores deste site e do programa Observatório da Imprensa. Sempre buscando uma imprensa melhor e mais sincera, tenho acessado o site com freqüência e, como estudante de Jornalismo, sou muito grato a vocês.

Arthur Calasans, 3º ano de Jornalismo

***

Sólo para felicitarlos por el buen trabajo que estais realizando. Saludos desde Galicia.

Xose Lopez Garcia Universidade Menendez Pelayo, Pontevedra, Galicia




CASO PIMENTA NEVES
Construção da identidade

Gostei bastante do artigo de José Antonio Palhano sobre o caso Pimenta Neves [ver remissão abaixo]. Acho que o tema é interessante e merece reflexão. Sou jornalista e defendi uma dissertação de mestrado – O mundo dos jornalistas (Summus, 1993) – onde tento discutir o que significa para esta categoria profissional ser jornalista e de que forma se constrói esta identidade. Casos trágicos como este são "bons para pensar", como diria Lévi Strauss. Muitos jornalistas se acham acima do bem e do mal, e por isso capazes de julgar o resto dos mortais. Não é apenas em Brasília que há corrupção e troca de favores, as redações também vivem estes processos ainda que de forma "mais discreta". Gosto muito do site do Observatório e costumo recomendar aos meus alunos de graduação em Comunicação.

Isabel Travancas, Rio




FALTA DE MODOS
A língua do Casoy

Eu só acredito porque vi, se alguém me contasse eu não acreditaria: o Boris Casoy, "aclamado" como o melhor âncora jornalístico da TV, mostrando a língua – exatamente, a língua (órgão carnudo, móvel, sito na cavidade bucal), provavelmente à colega Salete (não deu para ver, deduzi) logo após sua entrevista, ao vivo, com o senador-cacique-baiano ACM. Quem diria, não bastasse o Covas, até o Boris? É falta de modos? De educação? De água? Virou moda?

Ana Claudia



Leia também

De jornalistas e marceneiros – José Antonio Palhano

Globo versus Luxemburgo – Cosme Rimoli e Luiz Antônio Prosperi




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