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Edição de Marinilda Carvalho

Amigos, já repararam que é praxe considerarmos paranóicas as pessoas que não acreditam em coincidências e acasos? A julgar pela carta que nos envia, o leitor Rafael Tristão Pepino, de Brasília, já deve ter sido vítima desta situação. Ele pergunta: será coincidência que José Serra seja capa da edição da revista Época distribuída de graça a correntistas da Caixa? Vejam o título: "Ele vem aí."

Posso ser paranóica, mas nem que dois raios caiam sobre minha cabeça considero este "brinde" um mero acaso, a poucos meses da eleição. Pergunta-se: a imprensa vai atrás dessa história? Vai investigar os bastidores deste acordo entre a Caixa Econômica Federal e as Organizações Globo? Vai apurar o montante da grana que rolou aí?

Tão tá. Viva a Velhinha de Taubaté. Ela não é paranóica.

Aviso ao leitor

Das 304 mensagens enviadas esta semana ao Observatório, 220 foram eliminadas pelos nossos programas antivírus: estavam contaminadas, aparentemente, pelo worm (verme) W32.Badtrans.B@mm, descoberto em 24 de novembro.

Embora saibamos que a maioria das mensagens não era voluntária, já que o verme se autoreplica para todos os e-mails do caderno de endereços da máquina contaminada, pedimos desculpas aos leitores que porventura tenham realmente escrito ao Observatório e não encontrem sua mensagem aqui.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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CASO SONINHA
Bela retórica da ilustre senhora

A apresentadora Sônia estaria amparada pela liberdade de expressão para assumir-se como usuária de drogas entorpecentes, propagar como é gostoso sê-lo e que as pessoas exageram na imagem negativa em relação aos tóxicos?

A omissão de seus hábitos ilegais não seria uma hipocrisia deletéria ao debate democrático sobre as drogas? Afinal, assumindo-se como "maconheira" (?), ela incita a discussão das leis e traz, ao contrário do que muitos pensam, benefícios à juventude brasileira?

Respondam todos como lhes aprouver. Peço vênia para fazê-lo como me apraz.

Nos debates televisivos e nas opiniões escritas de Sônia, ela sempre tende a usar como escudo a tão injustiçada liberdade de expressão, e chega a sentenciar idéias tipo se estivesse defendendo a pena de morte não seria tão condenada, entre outros exemplos da bela retórica da ilustre senhora. É interessante notar que a liberdade de expressão não é um direito absoluto como geralmente tentam fazer parecer os que defendem e incitam práticas criminosas (não estou afirmando ser o caso em questão; julguem os leitores, se houver algum). A liberdade de expressão é relativizada sempre que o ordenamento jurídico o exigir, e não nos limitemos ao exemplo do induzimento e da instigação ao uso de entorpecente ou substância que determine dependência física ou psíquica.

Sempre que vejo a apresentadora e prosélitos usarem como argumento a liberdade inatacável de assumir-se uma prática pessoal "como outra qualquer" (como beber uísque, colocar o dedo no nariz ou responder aos mais velhos), faço uma pequena comparação: imagine-se que eu, tendo como prática pessoal tecer comentários racistas em minha casa, me inspire no exemplo corajoso de Sônia e pose na capa da Época ao lado de letras garrafais: Eu não gosto de negros. Ao abrirem a revista, os leitores teriam acesso a um rol de piadas de cunho racista e xingamentos diversos os quais costumo proferir em "casa de amigos" contra os negros.

Bem, acho que, nesse caso, ficaria mais fácil ver quem está com a razão. Como exercício, poderíamos fazer analogias também com outros temas: "Eu sou nazista"; "Eu queimo índios"; "Eu trafico maconha (por que não?)". Talvez eu esteja errado, talvez Sônia não agüentou mais ser hipócrita e revelou seu segredinho, talvez fosse seu dever de cidadã, talvez a lei seja retrógrada, talvez a maconha não seja pior do que o uísque, talvez o jovem saiba o que é melhor para si, afinal maconha faz mal e pode matar (é só perguntar à Sônia...), talvez...

Aproveitando o espaço em sua agenda deixado pela demissão, a apresentadora poderia continuar incitando debates pelo Brasil. Uma dica que dou é o Desafio Jovem, aqui no Ceará (por favor, não publiquem nenhuma manchete como "Eu odeio nordestinos"), um centro de recuperação de drogados carente de recursos financeiros, mas que acolherá muito bem a mártir de um movimento tão belo em busca da real democratização do país.

Sônia, quando você afirma que fez o que fez para evitar que adolescentes pobres continuem apanhando da polícia nas ruas, lembre-se de que lá eles não estariam se alguém não lhes tivesse apresentado a droga com algo "gostoso". Lembre-se da mãe do jovem que foi "adotado" por um traficante (o mesmo traficante que abriu garrafas de champanhe importado quando viu uma propaganda tão bem bolada de sua mercadoria mórbida).

Lembre-se do jovem que não vai ser influenciado por você simplesmente porque já está morto por causa de uma overdose. Lembre-se também daqueles que não estão mortos, pois há maneiras piores de se perder a vida.

Igor Aragão, 19 anos, Fortaleza

Conhecimento prosaico

O Sr. Paulo José Cunha é jornalista, pesquisador, professor de Telejornalismo, diretor do Centro de Produção de Cinema e Televisão da Universidade de Brasília. Bem. Admirável; difícil negar-lhe os méritos. No entanto, parece exercer apenas o conhecimento prosaico de senso comum ditado pelas regras de convivência social. O que, aproveitando seu próprio termo, "não é um comportamento condizente com a função exercida". Parece ter se preocupado mais em aprender as regras do jogo do que em aplicar o aprendido. Mas para isso não é necessária graduação. Veja, ainda tenho ingenuidade suficiente para surpreender-me com determinadas coisas... ingenuidade!

Sérgio Luís do Carmo Lopes, São José dos Campos, SP

Maria passa fome

Quero congratular-me com o jornalista Paulo José Cunha pelo artigo "A mulher de César não fuma maconha". Acredito que este artigo deve acabar com este assunto sobre a tal Soninha. Tem tanta "Maria e filhos" passando fome no Nordeste e outras partes do Brasil e do mundo que acredito que não compensa incomodar uma maconheira, que pode sustentar seu vício ou passatempo, sei lá que neologismo pode ser criado para o caso...

Benedito Praseres


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