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CASO SONINHA
E se fosse um jovem negro?

Nesta sociedade falsa e moralista, quando se fala com clareza e sinceridade somos taxados de agressivos e considerados fora do contexto. É claro que a jornalista foi entrevistada para falar a verdade e expressar o que sente sobre o assunto, e por isso toda esta confusão. Porque falou claro e abertamente o seu pensamento e é isto que espanta as pessoas! Sinceridade e objetividade.

Começo perguntando: se fosse um jovem negro, da periferia, pobre, inculto, os senhores estariam defendendo? Ele provavelmente estaria preso por tamanha injúria. Sim, ela pisou na bola porque esqueceu que tem o privilégio de comandar um programa formador de opinião, e não se trata de ter o direito de se expressar, trata-se de saber onde pode se expressar quando se trata de um assunto tão polêmico. Concordo com Carlos Vereza, que diz que para se chegar as outras drogas a maconha é uma "grande e possível porta".

Tenho vários amigos que consomem e vejo que não é tão bom assim. Não adianta ela ficar dizendo "não sabia, tenho direitos, ser demitida é um absurdo etc.". O caso é que ela está tentando colocar a questão como uma injustiça, e não é. Quando você diz que fuma maconha para uma revista do porte da Época você está assumindo o risco.

Pelo que eu sei, as drogas ainda não estão sendo consumidas livremente, logo... É claro que temos o grupo dos hipócritas, que fazem mas dizem que não. Mas colocar em discussão algo que só interessa ao usuário, já que é tão "inofensivo" assim, é besteira.

Elaine Santos

Cadeia ou clínica?

Parabéns ao ator Carlos Vereza, que foi de uma grandeza, disse tudo sem ferir ninguém – disse muito e para todos. O ator sabiamente me faz acreditar que existem mentes inteligentes, sem segundas intenções. A apresentadora influencia sim os jovens que a assistem – e sabe disso. Sabe também que milhares de famílias brasileiras perdem seus filhos para as drogas – alucinógenos que destroem sonhos e futuros de tantos adolescentes.

Sou mãe, tenho a idade da apresentadora e trabalho com comunicação. Repudio o que ela fez – por que então não foi se "tratar", se desvencilhar da droga e depois dar o exemplo aos adolescentes? Admira que ela se sinta ofendida. Acho até que o Caso Soninha é caso de polícia. Até porque já vi policiais prenderem jovens por estarem fumando maconha.

Soninha, se eu fosse dona de uma empresa e você declarasse a meus funcionários que fuma maconha, com essa carinha de mocinha boazinha e saudável, certamente eu iria perder funcionários paras as drogas. Agiu corretamente a TV Cultura, espero que a emissora processe essa senhora de 34 anos que com certeza a essa hora já influenciou muitos a fumarem maconha em função de um depoimento vindo de uma pessoa tão influente.

Quanto ao apresentador Dines, acho interessantes as abordagens dele, mas acho também que não cabe a ele expressar opinião, uma vez que está intermediando uma entrevista – no caso Soninha, o apresentador deixou bem claro estar sendo parcial: cada vez que abria espaço ao representante da TV Cultura lembrava que o tempo "era curto".

Soninha, por que você não começa a fazer filantropia para entender o mal que causou às pessoas? Visite regularmente espaços onde vivem drogados que começaram fumando maconha, como você. Experimente, é tão bom e tão assustador... Lugar de maconheiro é nas clínicas de drogas ou na cadeia? Essa deveria ser a pergunta do dia, no caso Soninha.

Salete Delourdes, jornalista, Blumenau, SC

Esse caso já encheu

Não agüento mais ouvir e ler sobre o caso Soninha. Com tantos problemas que existem no nosso Brasil temos que nos sujeitar a ouvir e ler, com destaque em todos os meios de comunicação, sobre a tal da Soninha. E o que mais incomoda é o envolvimento de senadores e deputados, como Suplicy e Gabeira, participarem e se envolverem com o caso de "extrema importância". Li até que o Gabeira ia pedir uma audiência com FHC para fazer uma intervenção nessa história.

É claro que a tal Soninha, ilustre desconhecida até a semana passada, ter perdido o emprego por admitir que fuma maconha mexeu com os brios dos consumidores de drogas, que são maioria e comandam os meios de comunicação no Brasil. Muitos trabalhadores competentes, não consumidores de drogas, são dispensados da TV Cultura e de outros meios de comunicação, e ninguém da imprensa quer saber se houve injustiça.

Se fosse qualquer outro tipo de assunto não receberia tanto destaque como este. Logo, conclui-se que os jornalistas ou a imprensa trabalha em causa própria. Dines, que é um homem experiente, deve ter notado que consumidores de drogas que trabalham em algum meio de comunicação não ficam desempregados. O mesmo acontece com homossexuais e simpatizantes.

Se alguém quer consumir droga que consuma, mas tanto consumidores quanto imprensa devem ter o mínimo de respeito com os leitores "normais" como eu, os chamados "caretas", por não consumirem drogas. No Observatório de 27/11, parabéns pelas observações do ator Carlos Vereza, que questionou o destaque que a imprensa vem dando ao caso. Conforme ele colocou, realmente parece ser um caso de meia dúzia de Patricinhas e Mauricinhos que estão apenas preocupados com seu próprio lazer. Como disse acima, os comandantes da comunicação ficam abalados.

Deve ser engraçado um chefe ter de dispensar um funcionário por praticar os mesmos atos que ele. Mas isso não é problema, pois logo, logo, a "turma" vai arrumar um ótimo trabalho para ela. E, certamente, com maior destaque e com maior salário que o da TV Cultura.

Osvaldo Martins

Da bijuteria à maconha

Em relação ao Caso Soninha, tenho algumas considerações a fazer: questionou-se várias vezes no programa Observatório da Imprensa a influência da TV no comportamento do cidadão brasileiro. Parece-me óbvio que no Brasil o telespectador é infinitamente influenciado pelo comportamento dos que trabalham à frente das câmeras. A moda, por exemplo: só para citar um exemplo bem rasteiro, quantas garotas (e bem garotas ainda) não estão usando o adereço, a bijuteria usada pela personagem da novela das 8 da Globo?

Vejamos os casos de "apresentadoras-modelos-atrizes", que conseguem destaque, bons salários, sucesso, mesmo com toda a cretinice que são capazes de falar. E vejamos a quantidade de garotas que fazem qualquer negócio (como o recente caso da aspirante a modelo que tirou a roupa em público) para realizar o sonho dourado do sucesso.

Teria inúmeros exemplos a citar, como o Caso Simony e outros tantos que enaltecem os contraventores, mas o que interessa dizer agora é que quem trabalha num meio de comunicação tem, sim, responsabilidade com seu público e com a sociedade. Dizer que um adolescente não é influenciado pela apresentadora de TV que fuma maconha é se isentar de responsabilidades.

Iara Cunha


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