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CONTAMINAÇÃO GERAL
A casa mais famosa do Brasil

Não é difícil hoje você estar parado num terminal de ônibus e escutar sem querer duas pessoas se perguntando o que será que vai ser "revelado" mais à noite na Casa dos Artistas, do SBT. Silvio Santos é mesmo um gênio (isso se foi ele mesmo ele quem teve a idéia fantástica), por conseguir mais uma vez prender a atenção do povão no horário "nobre". A última grande idéia tinha sido o Show do Milhão, que pelo menos tem um pouco de informação. Ainda que não seja apenas essa a informação que o povo deva obter, mas isso não vem ao caso.

Oito pessoas (se não me falha a memória) numa casa infestada de câmeras, sem jornal (como se muitos daqueles lessem), sem TV (isso sim), sem visitas, sem telefone, enfim, nada que as possa influenciar vindo de fora. Era tudo que a massa queria. Ele acertou na mosca mesmo. Para que ficar comprando Contigo ou Caras pra saber o que aconteceu com Fulano se podemos ver tudo que o Fulano faz durante 24 horas? Meu Deus, é a glória! O Sílvio é bom pra gente mesmo.

Ora! O que temos a ver com o que esses seres humanos fazem na sua intimidade? Não dá para entender o que quem assiste encontra de interessante naquilo. Como o coronel Roberto Marinho deve ter odiado... Bom, pelo menos pra isso o programa foi útil. Pra fazer com que caia os poucos fios que o presidente da Globo ainda tem.

Mas isso também não vem ao caso. O que vem ao caso sim, é o que está cada vez mais sendo semeado na cabeça das pessoas: m.... E do que isso é resultado? Bom, assim como cada povo tem o governante que merece, cada massa tem a programação de TV que deseja assistir. A concorrência não é boa em 100% dos casos. A concorrência entre o comércio por exemplo, faz criar melhores condições para o consumidor comprar. Entre elas bom atendimento, preço, variedade etc.. Claro que também faz aparecer produtos mais baratos, mas também mais caros num segundo momento, embora não seja o que domina.

Na TV isso domina e contamina. São veiculados programas de qualidade inferior, e quem sai perdendo, sem perceber, são as pessoas que os assistem. É criado um padrão de programação na cabeça da pessoa e esta sempre vai procurar nos canais aquilo que está dentro de seu conceito de TV. E as emissoras que estiverem com a programação nesse "padrão" sairão ganhando com a publicidade e a audiência, que no Brasil é lamentavelmente associada a qualidade: quanto mais gente assiste, melhor é a programação. O que é claro que não é verdade. Essa associação entre audiência e qualidade é o que faz programas enfatizá-la tanto, como os do Ratinho, do Gugu, do Faustão, do Raul Gil, aquele do Leão etc. O povo quer assistir ao que todo mundo assiste, o que o coloca nos padrões da sociedade. Quem segue a moda à risca, principalmente as coisas bem passageiras, automaticamente segue também os padrões de TV da maioria.

Pra finalizar gostaria de citar uma frase do presidente da Rede Bandeirantes: "Há quem invista na casa dos artistas. Nós investimos na casa dos jornalistas."

Juliano Pfutzenreuter Nunes, estudante de Jornalismo da Univali, Itajaí, SC

 

O CLONE
Novela enganosa

O que pode se esperar de uma rede de televisão que parte do princípio de que todos os seus ouvintes são idiotas e sem nenhum senso crítico ou mesmo que tenham algum neurônio em funcionamento? Desta emissora pode-se esperar qualquer coisa, menos algo decente.

A. Redondo

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O falso clone do Marrocos – Zélia Leal Adghirni

 

INFORMAÇÃO
A geração da violência

Existe uma preocupação, de caráter mundial, com relação ao tipo de informação que é veiculada e de que maneira está chegando aos telespectadores. Internet, TV, rádio, jornais, revistas e até mesmo o outdoor são meios que estão produzindo violência simbólica, ética, estética, ou seja, de alguma maneira estão contribuindo para o aumento da violência.

A internet, por exemplo, é o maior espaço gerador de violência contra o ser humano. De todos os tipos de sexo até manuais de quebra de segurança de empresas e governos. A palavra "maior" é aqui usada no sentido de que existe tudo que imaginamos, tudo mesmo. Só não é maior o estrago que esse meio produz porque ainda não são todas as pessoas do planeta que têm acesso à grande rede. No Brasil, por exemplo, somos uma população de aproximadamente 180 milhões de habitantes, e apenas 23 milhões têm acesso à internet – ou 12,8% da população.

Antigamente as crianças aprendiam com pais, avós, tios. Agora, os filhos estão ensinando os próprios pais. Eu por exemplo quando criança, tinha a idéia de que filho era trazido pela águia ou pelo avião. Hoje minha filha sabe perfeitamente que é possível clonar um ser humano.

O uso do computador, e especialmente da internet, está causando o maior mal entre os seres humanos. O mal de não sentir mais afeto pelo próximo, de não ter sensibilidade. Internet é um meio de comunicação muito frio. O que importa é a aparência na sociedade. Então percebemos que a lei do capitalismo está imposta, porque o que realmente interessa é o lucro, não importam os meios que se usam.

Nossa percepção sobre a violência ainda é pouco conhecida. Isso porque achamos que a violência é apenas matar o próximo a tiros ou a facadas. Não podemos nos esquecer do nosso cotidiano, quando vivemos rodeados de violência. Violência em toda parte: no esporte, no trânsito, nas ruas, nas prisões, na zona rural, nas filas dos bancos, nas filas do INSS, nas câmaras de vereadores, deputados e senadores, nas escolas, nos lares etc. Violência contra crianças, pobres, professores, negros, loiras, mulheres, deficientes físicos etc. A mídia, de uma maneira geral, procura todos os dias uma nova estética para alcançar seus objetivos, os lucros.

Até mesmo o jornalismo, que prega a defesa da ética, se rende à estética da violência, que é o maior sucesso da TV e do cinema, que tem a juventude como público ideal. Nada disso estimula a reflexão ou ajuda na construção da cidadania, muito pelo contrário, está a cada dia deteriorando os valores de cidadãos.

No Brasil, 33% dos indivíduos são miseráveis e 66% dos brasileiros vivem com até 2 salários mínimos. Resultado final, apenas 34% da população brasileira tem recursos suficientes para viver dignamente.

Já está na hora de as pessoas se conscientizarem de que a maioria dos programas de TV está contribuindo para a proliferação da violência. É importante que cada indivíduo faça sua parte no sentido de diminuir essa violência que está na mídia. De que maneira poderíamos fazer isso? Não assistindo a determinados programas e vídeos, não comprando determinadas revistas, livros e jornais, não acessando determinados sites, não ouvindo determinados programas de rádio e músicas. Conseqüentemente, seus lucros estariam diminuindo, e seus produtores buscando novas alternativas.

Basta, nesse momento, a cada ser humano, fazer a sua parte.

Valdir Ferreira Costa


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