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DOSSIÊ DIPLOMA
Estou indignado
Estou realmente indignado com a decisão da juíza substituta. O decreto-lei criado no regime militar, segundo ela fere a Constituição promulgada em 1988. A Carta, em seu artigo V, parágrafo 9º, diz que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença. Fere uma ova! Gostaria de saber com quem ela está mancomunada. Deve ser com um desses Jader Barbalhos da vida, que tem uma emissora de TV no Pará. Assim como o Magalhães é o pai da Bahia, ele é o rei do Pará. Será que tudo virou questão política? As pessoas só pensam em seus umbigos? Será que essa juizinha não pensou nas conseqüências da sua decisão? As pessoas estão se vendendo muito barato!
É praticamente incabível essa pouca-vergonha em que está se tornando nosso país. Um bando de ladrões, que não possuem um pingo de caráter e respeito. Essas pessoas podem até ficar ricas com seus atos inescrupulosos, mas ainda acredito na justiça dos homens. Apesar de que nessas horas tenho apelado muito para a justiça divina. Não que queira o mal dessa juíza. Mas quem será beneficiado com isso? Empresas que cada vez mais estão colocando rostinhos bonitos em frente às câmeras para poderem vender mais seus produtos, que deveria ser a informação, mas todos sabemos que não. Essa medida não é apenas um ato contra os jornalistas e futuros, principalmente, mas também contra a própria liberdade da imprensa. Políticos cada vez mais tentaram se mancomunar com emissoras de TV para a tentativa de fazer com que elas se tornem o seu porto seguro. As empresas jornalísticas devem continuar a exercer sua função, a de informar.
Régis
Maiocchi Braga, 21 anos,
estudante de Jornalismo da Famecos-PUC-RS
A faculdade de nada valeu?
É um absurdo o que estão querendo fazer com a regulamentação de nossa profissão. Pela decisão da juíza substituta Carla Rister, está suspensa em todo o país a obrigatoriedade do diploma para obter registro de jornalista. Ora, é como se dissesse que os anos de faculdade não valessem nada. Não é só formação cultural que lá adquirimos. Aprendemos, também, a técnica de fazer notícia e, principalmente, aprendemos a ser éticos. E ser ético já contém uma certa dificuldade no meio de "diplomados", imagina então se não fosse assim! Cursar uma faculdade de Jornalismo é fundamental para garantir à sociedade o direito à informação ética, democrática e de qualidade.
Liana
Aguiar, jornalista, Brasília
Coisinhas "dispensáveis"
Acompanho o Observatório da Imprensa há quatro anos, quando comecei a estudar Jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo. Portanto, resolvi recorrer a vocês quando fiquei sabendo da notícia. Estou terminando a faculdade e me sentindo uma autêntica imbecil por ter pagado 500 reais mensais durante quatro anos para nada! Quer dizer, já me sentia antes, toda vez que via alguma modelo bancando a repórter na televisão... mas agora é demais! Esta liminar pode realmente vigorar? Quer dizer que agora as pessoas poderão sair do vestibular e ir direto para uma redação, sem ter noções de texto jornalístico, apuração, ética e outras coisinhas "dispensáveis" que aprendemos na faculdade? E o mercado, que já está tão fechado?!
Andreia
Fernandes
Hora de parar e pensar
Apesar de ser estudante de Jornalismo, e na contramão das opiniões vigentes na classe, sempre critiquei o corporativismo hipócrita daqueles que defendem a exigência do diploma de graduação em Jornalismo para exercer a profissão. Hipócrita porque se apóiam no argumento da existência de um decreto baixado durante a ditadura, sendo que deveríamos defender a liberdade de expressão dos cidadãos, e não somente a chamada "liberdade de imprensa", que nada mais é do que liberdade para os proprietários dos meios de comunicação.
Esse decreto acaba por beneficiar o corporativismo, sempre reforçado por sindicatos, faculdades e aqueles profissionais sem muita capacidade que usam o diploma como "prótese" de sua capacidade profissional, que lhes permite conseguir um trabalho a partir do "canudo", e não da competência real.
Muitos, com receio de competir com outros profissionais mais capacitados, desmerecem todo e qualquer indivíduo que exerça as funções de jornalista, mesmo que seja um grande especialista em sua área e demonstre altíssimo conhecimento do trabalho jornalístico.
Apesar de tudo isso, encontramos algumas "ilhas" de pensadores dentro da profissão, como é o caso do professor Alberto Dines, manifestando em inúmeras ocasiões sua discordância com a exigência do diploma de jornalista, que poderia muito bem ser substituído por um curso profissionalizante para graduados em outras áreas o que, ao meu ver, contribuiria sobremaneira para uma maior qualidade das matérias publicadas na mídia.
Agora, surge um fato interessante que espero servir para estimular uma vez mais as discussões sobre a absurda exigência do diploma de jornalista: a decisão da juíza da 16ª Vara Federal de São Paulo que, segundo matéria publicada na revista Consultor Jurídico, determinou que o Ministério do Trabalho não execute mais fiscalização sobre o exercício da profissão de jornalista.
Infelizmente, já posso prever a reação dos sindicatos e de grande parte dos jornalistas...
Minha esperança é que alguns realmente parem e pensem nos argumentos utilizados pela juíza, em vez de simplesmente ficar repetindo os absurdos dos que se apóiam no corporativismo como forma de garantir seus empregos.
Ana
Lia Rodrigues
Temos que fazer alguma coisa
Sou estudante de Jornalismo e não acreditei no que eu estava lendo hoje. Não podemos deixar que isso aconteça, temos que fazer alguma coisa.
Claudia
Malfatti

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