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RADIODIFUSÃO
O perigo da manipulação
A minha preocupação com a propriedade e a importância dos meios de comunicação é antiga. Constato agora, felizmente, que há outras pessoas com a mesma inquietação. Lamento, porém, que nossa voz ainda seja abafada pela maioria esmagadora das vozes dos leitores e/ou telespectadores que ainda não perceberam ou não se importam com a manipulação exercida pelas grandes agências de notícias (brasileiras ou não). Parabéns pelo excelente artigo. Esperemos que essa iniciativa se estenda a outros, e que possa atingir o maior número de pessoas, buscando alertá-las para o perigo da manipulação, da má informação.
Iara
Carloni, professora, Brasília
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Alberto Dines
GREVE NAS UNIVERSIDADES
A verdade sobre as federais
Li todos os textos denunciando o descaso do governo com a universidades federais. Os grevistas denunciam salários baixos, universidades em crise, mas esses senhores desconhecem, ou fingem não conhecer, alguns dados. As universidades, na verdade, são administradas de uma forma amadorista: muitos professores para poucos alunos (1 para cada 12, quando o ideal é 1 para cada 30), muitos funcionários para poucos alunos (1 para cada 4, quando o ideal é 1 para 8). O que os grevistas também não debatem é a elitização da universidade brasileira, não só as federais. A maioria dos alunos são jovens da classe media alta. Na USP, por exemplo, 60%. Isso também é verdadeiro nas federais, os estudantes vem de escolas particulares. E mesmo muitos que vieram de escola publica fizeram cursinho ou têm professores particulares, ou seja, suas famílias, que ganham em média 20 salários mínimos, pagavam escola e deixaram de pagar.
Para piorar, normalmente estes estudantes ricos ou de classe média fazem cursos que depois lhes darão bons empregos, como computação e idiomas, enquanto os mais pobres acabam indo para cursos pouco promissores. Normalmente, os de licenciatura. Aí concordo com os grevistas: os professores sofrem, mas os de primeiro e segundo graus), o que agrava o problema da péssima distribuição de renda no Brasil. Ou seja, o pobre dificilmente entra na universidade e, quando consegue, vai para cursos pouco promissores.
Um exemplo claro do que falo é a UFBA (Universidade Federal da Bahia). Em Salvador, que é uma cidade negra, você entra no campus e parece que foi para a Europa, a ampla maioria é composta de brancos. Está na cara que o sistema está errado, mesmo porque, não sei se sabem, cada estudante de universidade federal custa em média, ao governo, 17 mil reais ao ano, um dos custos mais altos do mundo (na França, se não me engano, cada aluno custa 9 mil reais).
A universidade esta em crise, sim, mas ela precisa, sim, de reformas, precisa acabar com aberrações como isonomia salarial, estabilidade no início da carreira e altos salários de alguns aposentados, porque senão vamos ficar com um lencinho vermelho no bolso, jogando pedras no governo e as universidades afundando.
Walter
Alves, estudante de Geografia
A vantagem do funcionário público
Estou convicto de que num futuro não muito distante acertaremos nossas contas (sociedade e empregados dela), fixando valores dignos e de acordo com a profissão/trabalho executado pela parte. Tal situação hoje é inviável porque ainda computamos nos salários pagos nada mais do que o valor monetário recebido mensalmente. É necessário que se calcule por completo qual é a remuneração de uma pessoa que, além de planos de saúde subsidiados, férias superiores aos 30 dias dos demais, horários de trabalho flexíveis, tem ainda o maior de todos os benefícios: aposentadoria com salário integral e com idade relativamente baixa. Posto isso em comparação com o assalariado privado, a vantagem é sempre do empregado do setor público.
Como afirmei ao início: é necessário desmistificar que funcionário público ganha pouco. Algumas categorias até ganham pouco, outras não.
Ademir
Peruzzolo, Palmeira das
Missões, RS
Chega de desperdício
Como cidadão já esfolado pela maior carga tributaria do bloco dos paises emergentes, 34% do PIB, venho expressar minha revolta e indignação com a greve dos professores da universidades públicas... e gratuitas até para filhos de papais milionários, pelos seguintes motivos: os brasileiros despendem no sustento das universidades públicas US$ 10.791 por aluno/ano, enquanto os franceses gastam, em centros de ensino superior público infinitamente melhores que os nossas, US$ 6.569. O mesmo ocorre no Reino Unido, onde são mantidos com US$ 7.226 de recursos públicos.
Por que, ó deuses, ops, Alá, o brasileiro desembolsa tanto em suas universidades públicas? A desculpa de que tem que sustentar hospitais universitários é esfarrapada. Na verdade, eles recebem a AIH, autorização de internação, especialíssima, muito mais elevada do que o SUS para os hospitais filantrópicos.
Positivamente, se tem professor ganhando mal numa instituição tão rica e tão cheia de dinheiro publico é porque algo de gravíssimo está nela ocorrendo. Coisas parecidas com o TRT-SP, a Sudam, a Sudene, o INSS etc. etc. Das duas uma, ou os professores não sabem o que ocorre, sendo de uma ignorância córnea, não merecem o salário que recebem, ou, se sabem – o mais provável –, estão envolvidos até o pescoço, por ação ou omissão, no desbaratamento de recursos públicos, tornando-se caso não de aumentos de vencimentos, mas de B.O. e Ministério Público.
Como trabalhador, ao lado de 70 milhões deles, que sustentamos as universidades públicas, só pode haver aumentos salariais nas universidades publicas depois que acabarem o marajismo, as fraudes, os desperdícios como a grande abundância de recursos que disponibilizamos para as nossas universidade publicas, quase o dobro do que ocorre na França ou quase isso no Reino Unido, para termos greve atrás de greve. Uma vergonha.
Marx
Golgher

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