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VESTIBULAR DA UFRJ
Triste domingo

Assistimos no domingo 28/10 ao triste desfecho da batalha de liminares referentes à realização do vestibular da UFRJ. Foi um dia de protesto, provas rasgadas, confusões e quebra-quebra. Tudo isso (segundo o que foi divulgado pela imprensa) em defesa dos estudantes, da universidade pública e da justiça.

Entretanto, algumas coisas parecem não fazer sentido. Se as manifestações foram em defesa dos estudantes, por que causar pânico entre os vestibulandos? Por que rasgar cadernos de respostas, obrigando 14 mil candidatos a refazer a prova? Se os protestos foram em favor da universidade pública, por que quebrar portas e janelas do Centro de Tecnologia? Por que obrigar a UFRJ a ter um prejuízo de R$ 2,4 milhões (segundo divulgou a reitoria) com a realização de uma nova prova? E se foram por justiça, contra a arbitrariedade do reitor, por que desobedecer a uma decisão judicial de órgão legítimo e democraticamente constituído? Pois se o reitor foi autoritário ao desrespeitar o Conselho da Universidade, mais arbitrários ainda foram os manifestantes ao desobedecer à Justiça.

Ficou bem claro que todo o ocorrido foi bem menos uma luta em defesa dos direitos dos estudantes do CAP e do Pedro II, e muito mais uma queda-de-braço, uma disputa de forças para ver quem manda mais na UFRJ. E, como sempre, saiu perdendo a universidade, aquela que tem prédios com infiltrações, laboratórios sem materiais, disciplinas sem professores e agora - como se já não bastasse - terá também que repor os vidros do CT, arcar com os prejuízos de um novo exame e, possivelmente, com indenizações pelo que aconteceu.

Rafael F. Rodrigues, jornalista formado pela UFRJ



Esqueceram o "outro lado"

Já faz algum tempo que não consigo assistir ao Observatório na TV, mas uma matéria veiculada pelo Jornal Nacional de 29 de outubro, segunda-feira, me deu uma vontade irresistível de voltar a acompanhar o programa. A reportagem abordou a confusão diante do Colégio de Aplicação do Rio, durante a prova do vestibular da UFRJ. Os shownalistas da Globo tiveram o cuidado de entrevistar o reitor da universidade (que qualificou a realização das provas como "uma vitória do ensino público gratuito de qualidade"), da diretora de ensino superior do MEC e de dois estudantes "prejudicados". Pena que o motivo da confusão não foi mencionado, nem mesmo foram entrevistados representantes do chamado "outro lado": professores em greve e estudantes da UNE. Um exemplo de péssimo jornalismo, se é que tal tipo de coisa merece esse nome.

Inácio França, secretário de Comunicação de Olinda, PE



LEITURAS DE VEJA
Calvino nada tem com isso

Como sempre acontece na mídia brasileira, quando o assunto é religião a articulista revela desconhecimento e superficialidade ao falar de Calvino como alguém que glorifica a riqueza, o lucro e a usura. Tal visão reducionista, fruto de uma leitura equivocada de Calvino e do calvinismo (e, penso eu, do próprio Max Weber) é muito mais expressão de preconceito do que pesquisa histórica consistente.

O sistema econômico sórdido defendido por Veja nada tem de calvinista. É apenas mais uma expressão da submissão daquele semanário ao "american way of life", pós- protestante, materialista e arrogante, condenado pelo calvinismo bem como por toda forma de teologia verdadeiramente cristã. Eu, que sou calvinista (e também sou um pouco PT) e leitor crítico e indignado de Veja, não poderia me calar diante dessa associação infeliz.

Apesar dessa bronca, parabéns pelo excelente trabalho do Observatório. Faz um bom tempo que eu não leio jornal do mesmo jeito.

José Mário Gonçalves, reverendo



Leia também

Salamaleques a Calvino – Waldo Reis



Pobre de Alá

Na edição de 17 de outubro de 2001 a revista Veja publicou uma matéria dizendo ser o Islã uma barreira para a prosperidade dos países do mundo árabe. Este discurso coloca os muçulmanos numa posição de inferioridade em relação às outras religiões. Foi uma reportagem preconceituosa e passa uma idéia de que a religião é a responsável pelo caos que o Afeganistão passa. Ora, o desenvolvimento de um país não pode se explicado pela religião que professa, pela cor de seus habitantes, pela vegetação e outros fatores menores. Isto é preconceito. A colonização é um dos mais importantes fatores para explicar se um país é desenvolvido ou não. Aquelas outras explicações foram usadas pela Inglaterra e pelos EUA para justificar a escravidão, os ditadores, enfim, o imperialismo.

Cada país tem o desenvolvimento que lhe é interessante naquele momento, dizer que este ou aquele é pior por isto ou aquilo é puro preconceito. Não se deve confundir o Islã com o terrorismo. O islamismo é uma religião que prega a paz, frases que incentivam ou passam a idéia de violência são má interpretação do Corão - coisa que mais que comum na religião católica.

Enfim culpar ao Islã por qualquer coisa de ruim que acontece ao Afeganistão é um discurso maniqueísta igual ou pior que o de Bush. Esta não deveria ser a posição de uma formadora de opinião como é a Veja. Não demorará muito e a revista defenderá o protestantismo como responsável pelo poder dos Estados Unidos.

João Marcos D'Avila Reis, Belo Horizonte



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