08/07/2003 2/11

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CRISE NA MÍDIA
Crise de estresse

Percebe-se muito bem como estão sendo feitos os jornais brasileiros nesses últimos tempos. Influência do novos ares no Brasil ou meramente situação motivada pela crise nos jornais, o que é mais provável. Precisa-se pesquisar mais, mas do que não se tem dúvida é a forma como se está fazendo jornalismo impresso no país. Não se estão fazendo boas matérias . Não se está fazendo jornalismo, e, sim, diagramação de página. Estão pegando retalhos, fragmentos e os jogando sobre as páginas sem nenhuma reflexão.

Não acredito numa profunda depressão da imprensa, mas numa profunda crise de estresse. Todos, desde os entregadores até os presidentes e diretores dos mais diversos jornais, estão sofrendo pressões diversas sobre suas cabeças, o que cria uma situação que exige tremenda rapidez. Isso, aliado aos outros problemas típicos da empresa jornalística, aparece na maioria das capas dos jornais brasileiros. Mas, provavelmente, não acontece apenas aqui.

As novas mídias, como a internet, ajudaram a tirar leitores dos jornais? Sem dúvida, mas isso não seria um problema tão grave se houvesse mais criatividade e mais originalidade nos jornais mundo afora. Parece que todos os jornais, sem exceção, mas, lógico, uns mais do que outros, foram atropelados e absorvidos por uma bola de neve, a qual, se não for detida a tempo, levará ao fim muitas publicações; deixando ao relento muitos jornalistas, que devem se lembrar que também estão indo fundo. Mas podem frear essa queda com um pouco de voz ativa dentro dos jornais e menos subserviência.

Para que se tenha, num futuro próximo, opções de leitura e empregos não se pode ficar resmungado contra os problemas, mas tentar resolvê-los. Resmungar, criticar, xingar é bom para descarregar, mas os problemas não sumirão. Eles continuarão lá e crescendo, até pegar a todos. Esta é apenas a minha opinião. Gostaria de conversar mais sobre os problemas nos jornais, mas ainda não estou dentro deles, e, pelo jeito, vou demorar bastante para entrar.

Roberto Bueno Mendes, vestibulando, São Paulo

 

Mais e mais revistas

É curioso notar que ao mesmo tempo em que os jornais diminuem de tamanho, que há pouco para se ler neles e cada vez menos jornalistas nas redações, existe um aumento da oferta de títulos de revistas nas bancas. Uma amiga minha, peruana, mudou-se para São Paulo e ficou abismada ao passar em frente a uma banca de jornais: nunca tinha visto tanto título de revista junto. Isso sem falar nas revistas que têm distribuição por mailing, como a Revista da Mitsubishi, a S/N, do Bob Wolfenson, a nova Monet (da Net) etc. etc. Hoje (2/7) temos mais um título novo nas bancas: a revista Flash, do jornalista Amaury Júnior, que trata de gente (capa da Hebe), e contratou uma redação de jornalistas (poucos), mas abrindo mercado de trabalho. Seria a tal segmentação do jornalismo?

De qualquer forma faltam comentários e análises sobre esses fatos (ou seriam fenômenos) que estão ocorrendo na imprensa paulista e não têm sido motivo de nenhum artigo na mídia especializada em imprensa. Muitos jornalistas não conhecem estas revistas.

Deveriam ser informados por sítios como o Comunique-se ou o OI. São espaços para se trabalhar, para vender uma matéria bem-feita ou uma idéia de pauta. Podem ser criticados ou não, por serem malfeitos ou bem-feitos, mas temos que falar deles. Temos que notar que a foto vem ganhando mais força do que o texto (muito curto).

Seria influência da TV, ou dos jornais americanos?

Olga Vasone

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Um engodo nas bancas

Francamente, não sei onde os leitores "de mais de 40 anos" que escreveram a Luciano Martins Costa vêem no atual JB "o brilho e o prazer da escrita" ou "o desejo de manter o leitor atento à reflexão inteligente". O produto que a Empresa Brasileira de Multimídia (ainda é essa a empresa?) está colocando nas bancas é um engodo que só pode convencer o leitor cego pelo saudosismo ou desgostoso com a quase-uniformidade do restante dos jornalões que sobrevivem.

É um engodo porque é um jornal feito sem reportagem, sem jornalistas, no qual assuntos nacionais e mesmo locais de máxima importância são produzidos a partir da colagem de textos de agências e da "chupação" das notícias mal-apuradas que os serviços online colocam no ar durante todo o dia. Pouco do jornal se salva dessa mediocridade, que atinge da seção O País à pioneira revista Domingo, lançada nos anos 80. O JB se tornou leitura dispensável, este é o fato, e não serão os colunistas, com todo o respeito a todos eles, que vão salvá-lo. Até porque há colunistas às pencas em todos os outros jornalões. E a atual direção da empresa é tão alienada do que seja jornalismo que manteve no cargo, por muito mais tempo que o devido, um sujeito como Nilo Dante, que editou uma página de saúde na capa do Caderno B e censurava o noticiário internacional – que, diga-se de passagem, é feito sem correspondentes e sem serviços que não sejam o das agências de notícias.

Também tenho mais de 40 anos, trabalhei 13 anos no JB, estou processando a empresa, tenho poucas esperanças de receber o FGTS que nunca depositaram. Mesmo assim, estaria mais feliz se o JB tivesse continuado a ser um jornal de verdade, uma boa alternativa para o público do Rio, e não apenas um meio de captação de anúncios.

Claudia Antunes

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Quem pensa?

E, diante do texto de Cláudia Rodrigues, cabe-me formular uma pergunta aparentemente cretina: quem será o destinatário da garantia constitucional da liberdade de expressão e manifestação do pensamento? Quem exprime o pensamento ou quem livremente determina qual o pensamento a ser expresso?

Ricardo Antônio Lucas Camargo

 

Cláudia Rodrigues responde

Prezado Ricardo, os destinatários da garantia constitucional da liberdade de expressão e manifestação do pensamento são leitores, telespectadores, ouvintes e internautas. Quem exprime o pensamento, de maneira geral e para uma massa maior de consumidores de notícias, são funcionários de empresas especializadas na comercialização da notícia. Há alguns anos, esses funcionários, conhecidos como jornalistas, brigavam por muitas causas, defendiam interesses da sociedade, trabalhavam de tal forma que tinham tempo para ler, estudar e pesquisar antes de publicar qualquer texto, especialmente os opinativos.

Hoje sequer expressam o que sabem, mesmo quando arranjam tempo para estudar, mesmo com absoluto conhecimento de causa. Quem livremente determina o que deve ser expresso são os estudos de márquetim encomendados pelas empresas, que visam vender mais; não importando se o que veiculam é verdadeiro ou falso, se fará mais mal do que bem aos consumidores.

Em nome da subjetividade, que existe e deve ser levada em conta, perderam-se valores éticos, sociais, espirituais, morais e, finalmente, econômicos. Sr. Ricardo, lamento informá-lo de que na briga entre o mar e o rochedo o marisco é quem continua levando a pior. Atenciosamente, (C.R.)

 

Quem são os personagens?

Belíssima matéria da Cláudia Rodrigues, parabéns. Só gostaria de saber quem são os personagens desta história.

Aparecido Araújo Lima

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