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LEITURAS ESQUECÍVEIS
Folha, tributo à ilusão
O fato de o Sr. Silvio Santos, dono da maior loteria privada do mundo, ter sido considerado o homem do ano por um jornal da magnitude da Folha nos deixa no mínimo perplexos (Folha, 31/12/2001). Num ano que foi de uma ebulição extraordinária e que vai ficar na historia pelo potencial de transformação e de reflexão que nos traz, é no mínimo curioso contemplar um megaempresário que pouca ou nenhuma contribuição trouxe ao Brasil e aos brasileiros a não ser a de ser um excelente vendedor de ilusões e um bom aproveitador de idéias alheias.
O programa sensação em questão é uma copia de um sucesso televisivo já consagrado mundialmente. Um outro programa realizado com 60 alunos anônimos, sem voz, nem nome, foi dirigido com punho autoritário, bem particular do apresentador. E a loteria-show do milhão com políticos foi um festival de besteiras que coraria Stanislaw Ponte Preta. A chuva de dinheiro caindo sobre os políticos no final do programa é um retrato fiel desse pobre país, do jogo, do desperdício e da impunidade, que tem no Sr. Silvio Santos a sua figura de proa.
Em tempo, o box "Para nunca mais esquecer" (Ilustrada, pág. 1, 31/12/01) é uma das coisas mais sofríveis e esquecíveis que eu vi no jornalismo brasileiro nos últimos tempos.
Mesmo o mérito atribuído ao SBT de ameaçar a hegemonia da Globo é discutível. A Globo vem perdendo audiência por "méritos" próprios. Detentora do monopólio da comunicação no pais por mais de 30 anos, apesar de realizar uma programação superior e mais ousada que as concorrentes, com uma teledramaturgia excelente e de luz própria, foi muito deficitária enquanto veiculo de formação e educação, papel que deveria caber a uma concessão publica. O Brasil "globalizado" pela Globo está hoje mais pobre culturalmente, e tem, entre outras mazelas, uma educação pública que beira a indigência.
O que está acontecendo é que esses brasileiros "globalizados" passaram a preferir opções mais medíocres. E dá-lhe shows de fofocas, bundas dançantes, quem quer dinheiro?, telessena, telebingo, teleilusao, bisbilhotices nas vidas alheias, o mundo cão dos ratinhos, e a lista continua, infelizmente, cada dia mais longa...
Vai-se Cassia Eller, ficam os "artistas" e seu "homem do ano", talvez, quem sabe, o nosso futuro presidente da Republica. Minhas condolências, Brasil. E feliz Ano Novo.
Daniel Taubkin
IstoÉ, tributo ao supérfluo
A edição 1.683 da IstoÉ merece ser comentada, pois é evidente que a revista está dando a maior força para a senhora Roseana Sarney virar presidente. Uma pessoa que não fez nada de útil para o país em 2001, apenas apareceu durante 2 meses em pesquisas eleitorais, inflada pela mídia, membro de um partido que exerce o poder com a trilogia autoritarismo, corrupção e mentira, de fato não pode ser a personalidade do ano.
Também é curioso colocar o Sr. Aécio Neves, um político obscuro, igualmente como personalidade do ano. O único motivo só pode ser boicotar a candidatura de José Serra. IstoÉ, como boa parte da mídia, continua a tratar o Sr. Roberto Campos como intelectual e liberal. Ora, intelectual é aquele que pensa com isenção, e liberal nunca foi, pois ajudou a derrubar o estado democrático de direito e serviu alegremente, até o seu final, a um regime despótico. Além disso, foi conivente com a tortura, os desaparecimentos de presos políticos, a censura e a cassação de direitos políticos. Como cronista, usualmente defendeu idéias estapafúrdias e destacou-se mais como uma tentativa de Barão de Itararé reacionário.
A cereja do bolo foi esquecer de Milton Santos. Necrológio algum citou um dos maiores intelectuais do país.
Ricardo Fernandes
TELEJORNAL NA ESTÁCIO
Diário e ao vivo
Caro Sr. Victor Gentilli, um dos princípios básicos do jornalismo é checar informações. É muito simples verificar se a Faculdade de Comunicação da Universidade Estácio de Sá produz e veicula um telejornal diário e ao vivo. Basta ligar todos os dias no canal 14 da Net-Rio, às 19h, e assistir, ao vivo, ao Jornal da Estácio.
O Jornal da Estácio – ao vivo – é pautado, produzido e editado pelos alunos da Faculdade de Comunicação da Estácio, sob minha supervisão. Em agosto de 1999, fui chamado para encabeçar um projeto inédito: elaborar um telejornal universitário que fosse ao ar diariamente, ao vivo, na televisão a cabo. A Estácio já fazia um telejornal que ia ao ar em circuito interno. Com mais de 20 anos de profissão e grande experiência em jornalismo de televisão, montei, com estagiários e alunos-colaboradores do Núcleo de Comunicação da Estácio, uma redação mais o perto possível da realidade que eles encontrariam nas redações de TVs profissionais. Os setores no telejornal são divididos em pauta/produção, reportagem e edição. Os três grupos de alunos trabalham interligados e, depois de algum tempo, há um revezamento para que todos possam participar de todas as funções do telejornal. A garra e a dedicação desses alunos fizeram do Jornal da Estácio um projeto de sucesso há mais de dois anos.
O telejornal é reconhecido por outras universidades, recebendo todos os anos o primeiro lugar na Expocom como o melhor telejornal. O Jornal da Estácio também é elogiado por profissionais da área. Hoje, os alunos que passaram pelo telejornal como estagiários ou colaboradores estão estagiando ou trabalhando na TV Globo, nos canais da Globosat, no jornal esportivo Lance!, no canal Futura, na TV Educativa e em afiliadas da Bandeirantes, em São Paulo, e da Record, no Rio. Gostaria de convidá-lo para, além de assistir ao Jornal da Estácio, conhecer o núcleo de Comunicação da Universidade Estácio de Sá, onde o telejornal é feito e veiculado. Será um prazer. Atenciosamente,
Fabio Watson, jornalista, coordenador do Jornal da Estácio, professor de Telejornalismo e editor-executivo da Globo News
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