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A VOLTA DA "CASCATA"
Isso é que é manchete

A propósito do artigo "Uma cobertura para não esquecer" [ver remissão abaixo]: na minha humilde opinião, quem melhor está cobrindo a histeria bélica americana é periódico A Hora do Povo, com suas manchetes do tipo "Porrada nos cornos quebra os dentes do império". Aliás, na próxima edição da revista Imprensa, esse jornal, que infelizmente é do Quércia e do MR8, estará presente em matéria de 2 página na sessão Furo do mês. Um grande abraço e parabéns pelo site. Simplesmente, fundamental.

Pedro Paulo Venceslau

 

Herméticas lembranças

"Há um medo generalizado de sofrer por causa dos mortos de Nova York e de Washington. Há uma intimidação tácita para impedir o repúdio ao terrorismo. No Brasil de hoje não é politicamente correto condenar o uso da violência. Temos que nos acovardar diante dela. Do seqüestrador de Patrícia Abravanel ao bandido da esquina, são todos Robin Hoods merecedores das nossas simpatias. Só porque Bush é um rematado idiota, o público brasileiro - ou sua parte pensante - está sendo induzido a aceitar a premissa de que o horror ao terror é coisa de ianques ou seus servos. Há várias fórmulas para classificar o comportamento da mídia brasileira nas três últimas semanas. Falta de perspectiva e desnorteamento são algumas delas. Mas se o diagnóstico ficar muito complicado basta dizer: ‘Lembrai-vos de 1939."

Sr. Dines, até a parte que está entre aspas, reproduzida acima, seu texto é muito importante, mas nos últimos parágrafos acho que não foi feliz, por dois motivos:

a) Qual o interesse público? Está sendo atendido?

b) Com tantas crises internas, muitas delas nem tendo cobertura da mídia, outras com precária cobertura, como a greve das universidades e a situação do ensino superior (entre outras pautas), e o senhor ainda acha que o mais importante que a mídia nacional perdeu nestes últimos dias foi o maior atentado terrorista da "história da humanidade"?

Lembra de 49? ONU, Oswaldo Aranha, Palestina? Então, quem poderia imaginar...

Alexssandro Loyola Freitas, estudante de Jornalismo da UFMS

 

Como marionetes

Falta vontade política de soberania: onde os EUA fincam o pé, o pessoal vira marionete. Lógico, o dinheiro está por trás.

John Raschle

 

Para Serra dar pulos

De todas as barbaridades divulgadas por nossas (porque brasileiras) revistas semanais de informação, no festival de bobagens que se seguiu ao bárbaro atentado às torres do WTC, uma deixou-me sumamente interessado: a de que os guerrilheiros do Afeganistão seriam capazes de se alimentar de areia. Areia, solo, chão! Sem engano, não escrevi errado. A notícia está na Veja. Enfim, comprovada tal assertiva, seria o caso de importarmos o inédito conhecimento tecnológico afegão para a geofagia sadia – sem dúvida um sério método alternativo, e concorrente, à proposta de alimentação pela luz defendida por uma maluca brazuca-americana. Mais: ante tão barata solução para a fome que nos assola, o ministro-candidato Serra, creio, daria pulos de satisfação, porquanto bem distante das caríssimas opções sonhadas por nossos viciados em comer terra (sempre a demandar suculentos bifes, feijoadas ou, quando não, o trivial-simples feijão com arroz), Sabidamente miseráveis, desnutridos, mal agüentando-se de pé e repletos de parasitas intestinais. Seja, não mais que "lombriguentos" até a alma.

José Maria Leitão, leitor e médico

 

Especialistas em crise

Foi com bastante interesse que li a série de artigos e reportagens sobre a cobertura dos atentados nos EUA. Quero parabenizá-los pela clareza e lucidez das críticas. Acrescento ainda que as diretrizes adotadas pelas autoridades americanas e, por tabela, observadas pelas grandes cadeias americanas de notícias, seguem os preceitos básicos do mais básico dos manuais de gestão e comunicação de crises. Nos EUA, eles abundam, e se reproduzem como coelhos. Aqui, é matéria para poucos especialistas em preservar a imagem das corporações atingidas por acidentes ampliados.

Saliento que é uma pena que a imprensa nacional se deixe ludibriar tão facilmente por "receitinhas de bolo" aprendidas em tais manuais. Se há carência de especialistas falando, são justamente os especialistas em gestão de crises que se encontram nas universidades. Acreditem, eles existem! Por estarem comprometidos com suas pesquisas, esses especialistas buscam compreender e separar o joio do trigo. Em geral, dada a dificuldade de informações, utilizam os noticiários, empregando a análise do discurso a partir dos conceitos de Bakhtin e Todorov para a realização de seu trabalho.

Esses profissionais seriam de extrema valia e ajuda para a imprensa investigativa que não se deixa levar pela última imagem da CNN.

Adriana Vieira Salinas

 

Reflexões, reflexões

Desde o início da evolução do homem, houve o ousado e o cético. As inovações, posto que são o passo ao desconhecido, ao indomável, são tão constantes na história da humanidade quanto aqueles que as desmerecem, fiéis crentes da doutrina de outrora. Mas, felizmente, o cético, para o ousado, é o superego para a criatividade, apenas uma barreira transitória. Os hackers e os "espíritos de porco" nada mais são do que o novo Orson Welles, transmitindo catástrofes absurdas e evidenciando as falhas de um novo meio que surge; impor o arcaico é pedir para ficar na página anterior. Desvaler-se do novo em prol do antigo, mais pela incapacidade de adequar-se do que propriamente pela ineficácia da vanguarda em si. Não tema o esquecimento, pois, embora ele certamente venha, provavelmente não é pior do que continuar eternamente buscando seu próprio "Rosebud".

Carlos Artur Matos, aluno de Jornalismo

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Uma cobertura para não esquecer – A. D.



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