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GUERRA AGENDADA
Ataque a Dona Benta

Com relação ao artigo do Sr. Paulo Cunha, fico pasmo quando ele coloca que os ataques se restringem apenas aos EUA e contrariam os valores americanos, quando na verdade o terror atacou, também, os mesmos valores que permitem ao Sr.Cunha escrever o mencionado artigo, realizar suas pesquisas e trabalho e ter um bom fim de semana. Como jornalista ele deveria entender que o tipo de pessoa que planeja e perpetra tamanha atrocidade está além de qualquer razão política, ética, religiosa... além de qualquer razão, podendo atacar não apenas o Tio Sam, mas a Dona Benta, ou seja, nós. Um jornalista deveria pensar 100 vezes antes de pôr as mãos no teclado.

Luciano Cavalcanti

 

Paulo Cunha responde I

Senhor Luciano, a argumentação em favor de uma planetarização do ataque é conhecida e tem origem na Casa Branca e arredores. Visa exclusivamente dividir as responsabilidades pelas conseqüências da retaliação que acontece no instante em que faço esta resposta. Uma coisa foi o ato em si, que visou (como aliás Osama Bin Laden tem exaustivamente repetido) o "grande satã" americano. Já as conseqüências do ato atingiram indistintamente americanos, brasileiros, hindus e porto-riquenhos. Se pudessem, obviamente que teriam atingido apenas americanos. Eles eram e continuam sendo os alvos prioritários. P. C.

 

O que é o mundo livre?

A reportagem de Paulo Jose Cunha traz alguns pontos interessantes. Ele comenta que ao contrário ao que o governo americano tenta fazer crer, o ataque foi ao que os EUA representam, não ao mundo livre. Na verdade, o ataque foi em território americano e o maior número de vítimas tinha nacionalidade americana. Porém, a cidade escolhida para o maior ataque, Nova York, é a cidade menos americana dos EUA e com a maior quantidade de etnias/nacionalidades. Nesta cidade você pode escutar dezenas de línguas, centenas de dialetos. É a cidade em que mais de 40% da população não nasceu nos EUA.

O ataque não foi ao mundo livre? O ataque foi apenas ao que os EUA representam? Para uma grande parcela da população mundial, estes conceitos se sobrepõem: a liberdade de trabalhar, construir a sua vida como desejar e criar a família em paz e segurança. O ataque foi ao que os EUA representam, porém atingiu a pessoas do mundo inteiro. Independentemente da opinião que se tenha sobre o governo americano e suas políticas, o ataque atingiu a pessoas do mundo inteiro. Se o conceito de mundo livre não inclui a liberdade de as pessoas viverem, trabalharem, constituírem família onde desejarem, o que é o "mundo livre"?

Rodrigo Carvalho

 

Paulo Cunha responde II

Senhor Rodrigo, embora tenhamos de nos restringir ao terreno das suposições, permaneço acreditando que os ataques não visaram o chamado "mundo livre", embora suas conseqüências possam conduzir a essa conclusão mais abrangente. Por enquanto (e é só analisar a série histórica dos atentados patrocinados por Bin Laden e seu grupo), os ataques são dirigidos exclusivamente aos Estados Unidos, contra quem nutrem ódio profundo e devastador. Do lado de cá podemos, sim, nos sentir atingidos, até porque brasileiros irmãos perderam a vida. Mas é difícil acreditar que Laden e sua corja tenham desejado atingir brasileiros ou argentinos, franceses ou guatemaltecos. Todas as características deste e dos atentados anteriores apontam para um inimigo exclusivo – os americanos. O "mundo livre" foi atingido, sim, mas por tabela, não como objetivo. P. C.



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