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RAZÕES DO CONFLITO
Petróleo, armas e drogas
Afinal, por que tantos especialistas em guerras e mais guerras não usam a mídia para confessar que Marx tinha razão?
Porque ele enfatizava vivamente a economia-política na origem dos conflitos armados. E nessa guerra contra o Afeganistão não será o petróleo que está em jogo? A Rússia, quando tentou invadi-lo, queria poupar suas jazidas e obter passagem para o oceano, os oleodutos, pelo Paquistão. Agora é todo o G8, inclusive a Rússia, que procura tomá-lo dos talibãs, certamente também nacionalistas.
Lendo a tradução de um artigo de Paul Krugman, articulista do New York Times no Globo de 27/9/01, encontrei que ele acha que os EUA, com a Europa e o Japão, não poderiam prescindir dessas reservas do Terceiro Mundo. Ora, esses problemas, mais a necessidade da venda das armas fabricadas, sem falar nas implicações da lavagem de dinheiro do narcotráfico, lucros imensos, não é o que estaria ditando da sombra à raiz desse crescente derramamento de sangue inocente?
Bin Laden e Bush assemelham-se, cada vez mais, àquela dupla que Orwell imaginou em sua sci-fi, isto é, Goldstein e O’Brien.
Quero ver na mídia não apenas intelectuais narcísicos falando de estratégias militares ou islamitas desvendando as razões do Islã, mas economistas, que ofereçam explicações mais convincentes para o genocídio de tantos, ainda olho por olho, dente por dente, bem como sugestões para uma melhor convivência entre Ocidente e Oriente, ricos e pobres, cristãos, islamitas, judeus etc.
Fernando Dias Campos Neto
COERÊNCIA
Pautas sob os escombros
Gostaria de parabenizar Ulisses Capozoli pela matéria "Pautas escondidas sob os escombros", uma análise bastante coerente com a falta de planejamento político no nosso país.
Deborah Fessel Marinho
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Pautas escondidas sob os escombros – Ulisses Capozoli
MÍDIA E AUTOMEDICAÇÃO
Receita para receitar remédios
O Brasil é o quarto consumidor mundial de medicamentos e o oitavo mercado do mundo, movimentando cerca de R$ 16 bilhões por ano. De Norte a Sul há cerca de 55 mil farmácias, o que corresponde a uma farmácia por três mil habitantes. Na maioria delas, o trabalho do farmacêutico é exercido por balconistas sem qualificação técnica e legal que a tarefa exige. Os dados estão na matéria principal da revista IstoÉ desta semana, que trata sobre o problema da automedicação no Brasil.
Diante de uma situação antiga, mas que a cada dia assume proporções alarmantes em termos de saúde pública, seria pertinente a mídia fazer neste momento uma autocrítica sobre qual a parte que lhe cabe nesse "vício brasileiro" pelos remédios.
Revistas, mídia externa, emissoras de rádio, e principalmente as TVs, dia após dia nos "receitam" campanhas publicitárias dos mais diversos medicamentos e seus "milagres" poderosos contra qualquer tipo de doença. E fazem isso utilizando "doutores consagrados": artistas, atores e atrizes, eficazes formadores de opinião.
Uma receita que coloca o medicamento à frente da própria investigação médica do paciente, pré-requisito básico para o verdadeiro combate à doença. Os anúncios publicitários prescrevem em primeiro lugar o remédio, e só ao fim, por força da lei, "recomendam" ir ao médico, caso o elixir milagroso não resolva os males sofridos.
Em face dos enormes custos financeiros arcados ao país com internações e outros tipos de procedimentos hospitalares demandados por pacientes automedicados, o governo e todo o resto da sociedade civil deveriam disciplinar melhor a publicidade de remédios no Brasil.
Saúde pública não pode ser tratada, e muito menos comercializada, como se fosse mercadoria.
Walland Silva, jornalista, São Luís

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