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Os três pontinhos do "c..."

Caros amigos, quando cheguei a São Paulo, como jornalista, em meados do século passado, contava-se uma anedota a respeito das palavras proibidas no jornal O Estado de S.Paulo. Mais uma palavrinha havia sido incorporada a essa lista. Segundo o memorando enviado à revisão, toda vez que um repórter ou redator usasse "fracasso", o termo deveria ser substituído por "malogro". Nesse tempo, o professor Napoleão Mendes de Almeida assinava no Estadão uma coluna semanal com o título "O que se não deve dizer". Por artes do diabo ou apenas coincidência, um leitor escreveu-lhe uma carta pedindo para tirar uma dúvida sobre "fracasso". Napoleão respondeu, atencioso como de costume:

"Fracasso – Fracasso é galicismo. Se existe em português a palavra malogro que substitui perfeitamente fracasso, por que usar fracasso? Portanto, jamais use fracasso, diga malogro."

Quando o artigo do filólogo chegou às mãos do revisor para ser lido e corrigido, o sujeito não teve dúvida: a cada vez que leu "fracasso", trocou por "malogro". O jornal publicou no dia seguinte:

"Malogro – Malogro é galicismo. Se existe em português a palavra malogro que substitui perfeitamente malogro, por que usar malogro? Portanto, não use malogro, diga malogro."

Ao ouvir a historinha, no bar do Hotel Jaraguá, na rua Major Quedinho, não me passou pela cabeça que, um dia, no século 21, eu me veria na situação do professor Napoleão Mendes de Almeida, perante os leitores. É que escrevi, na semana passada, um artigo para o Observatório da Imprensa, com o título "A volta dos nomes feios" [remissão abaixo], na intenção de ridicularizar tanto a censura aos palavrões como o uso gratuito deles nos jornais. Fui surpreendido, agora, ao ver no site, com letra inicial e reticência, os supostos palavrões que citava no artigo. Nada mais pornográfico do que os três pontinhos do "c...". Putzgrila!

Luís Edgar de Andrade

P.S. Aproveito para retificar. Por um lapso de memória, atribuí a intejeição "putzgrila" ao cartunista Jaguar. Claro que "putzgrila" é uma criação do Henfil no Pasquim.

Nota do OIO Observatório não publica palavras obscenas.

 

A volta dos nomes feios

"Entrei" hoje, pela primeira vez no Observatório e gostei muito. Já assisti ao programa e agora fiquei freguesa aqui também. Quanto à volta dos nomes feios, vamos nos acostumando, ou tolerando, a mocidade "introduzindo" suas gírias e novos nomes e, por conseqüência, a imprensa mostrando o que se passa na sociedade (ou será que é vice- versa?). Em todo caso, gostei muito da forma como Luis Edgar de Andrade abordou o tema.

Jocely Aparecida Trivelato

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A volta dos nomes feios – Luís Edgar de Andrade



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