INTIMIDAÇÃO À GAÚCHA
Defesa corporativista

Tenho notado na imprensa nacional, particularmente pelas análises dos colaboradores deste Observatório, o exacerbado corporativismo dos jornalistas. Quanto Mario Sergio Conti lançou Notícias do Planalto, não foram poucos os jornalistas que o torpedearam por livrar a cara do patrão. E de fato o faz. E por que não pode fazê-lo? Só os jornalistas não podem ser chamados à responsabilidade? Esquecem esses profissionais que a sociedade não é somente a voz deles. No mais das vezes são apenas atravessadores, atacadistas e distribuidores, para falar numa linguagem de mercado. Dois jornalistas não podem ser ouvidos pela polícia? Por que eu posso ser ouvido pela polícia e o jornalista, não, ora bolas? Se o jornalista sabe de um crime, vai ganhar seu Esso mas não se importa em acobertar o crime.

Mauro César Silveira não escreveu sequer uma linha para noticiar o fato de a Zero Hora ter sido condenada a pagar R$ 1.190.000 a José Paulo Bisol, atual secretário de Justiça do governo Olívio Dutra sob ataque. Também não ligou para o fato de a mesma empresa ter igualmente sido condenada pela Justiça catarinense em quantia igualmente astronômica pelo abuso de seu proceder. Mas polícia ouvir jornalista é crime, ora vejam! O que estamos vendo, no RS, é um bombardeio contínuo do Grupo RBS, e seus colaboradores, mormente do PMDB, desde a derrota nas eleições de 1998.

Gilmar Antonio Crestani



Mauro Silveira responde

Caro Gilmar:

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que condeno o corporativismo profissional – e não apenas no jornalismo. Nesse aspecto, concordo com parte de sua exposição.

Portanto, não vejo problema algum em que os jornalistas sejam chamados a depor na polícia. Eu mesmo já fui intimado algumas vezes e considerei o fato absolutamente normal, porque me considero um cidadão como qualquer outro. O problema em questão não é esse, mas sim a intimidação formalizada em nota oficial e referendada pelo governador –, que não agride apenas aos repórteres, mas representa um atentado intolerável à precária democracia brasileira.

As condenações do grupo RBS, bem lembradas, devem ser saudadas em nome do bom jornalismo. Realmente, há muito tempo os veículos da empresa vêm bombardeando a administração petista no Rio Grande do Sul, mas isso não significa que toda a sua redação, composta por 210 jornalistas, seja composta por pessoas mal-intencionadas ou adversárias políticas do governo estadual. Não podemos confundir a posição da empresa com a postura profissional de nomes como o de Luis Fernando Verissimo, que apóia abertamente o PT, ou de repórteres corajosos, honestos e responsáveis como é o caso do Nilson Cezar Mariano, autor do livro Operación Condor – Terrorismo del Estado en el Cono Sur, que denunciou em primeira mão a caravana da morte promovida pelo ex-ditador chileno Augusto Pinochet e recebeu a solidariedade do colega e amigo Eduardo Kimel, uma das maiores vítimas dos ataques à liberdade de imprensa na vizinha Argentina. Pois foi esse mesmo Mariano o repórter ameaçado de prisão na polícia gaúcha. Precisamos, sim, é democratizar os meios de comunicação no país, com conselhos editoriais que possam dividir o concentrado poder dos empresários do setor. Penso que, nesse aspecto, estamos de acordo. Um abraço, M. S.



Pena de aluguel

Como não tenho certeza, pergunto: estaria o senhor Mauro César Silveira se referindo ao pedido de CPI pelo PPB de Maluf, com assinaturas falsas? Ou se refere ao fato de que o governo gaúcho se recusa a aplicar fortunas em propaganda nos veículos da RBS? Talvez seja porque o PMDB forjou documentos para tentar uma CPI da Ford, só porque o governo Olívio Dutra se recusou a dar à empresa a quantia que ACM e FHC deram para que fosse implantada na Bahia. Com a palavra a pena de aluguel de Mauro César Silveira.

Paulo Adair Fagundes



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