DIREITOS AUTORAIS
O rebu e o complô do silêncio

Mandei a seguinte mensagem ao colunista Ancelmo Gois:

Caro senhor Gois, li sua nota sobre o contrato de Boni com a TV Globo. Pois bem, eu criei os desenhos para a abertura da novela O rebu, em 1974. Tive que levar uma luta infernal com Boni para receber meu pagamento, o qual só saiu em parte. Ele, Boni, que mandou me chamar no Jornal da Tarde, em São Paulo, me pediu para fazer o trabalho e depois, com a cara de pau mais gelada no mundo, achou que não era preciso me pagar. Na época, eu tinha 24 anos, era indefesa quanto a seus lances extra-curriculares. Minha vida profissional foi totalmente destruída.

Conseqüentemente, até hoje luto pela minha sobrevivência profissional e financeira. Até hoje não tenho um teto. Nunca consegui nem um videotape da abertura. Em 1999, num coquetel da TV Globo em Nova York, encontrei Orlando Marques, da TV Globo, a quem pedi que me conseguisse um tape, CD ou coisa que o valha. Sim, ele foi muito prestativo. Só que para o assombro até dele mesmo da cópia enviada havia sido retirado o crédito dos meus desenhos.

Eu mesma durante anos tentei localizar Boni, em Nova York e no Brasil. Em novembro de 2000 voltei ao Brasil pela primeira vez. Estava procurando Marluce Dias, fui à TV Globo, visitei o pessoal e ninguém toca no assunto. Admitiram que me conhecem e ao meu trabalho, e que houve muita injustiça. Ao mesmo tempo, Boni estava lançando por coincidência em São Paulo o livro sobre os 50 anos da televisão. Nada existe neste livro em referencia aos meus desenhos, que servem como ponto cardeal na história da televisão. Como Carlos Merlin me disse num e-mail.

E não é mistério nenhum. Nunca recebi direitos autorais, que poderiam me servir muito bem financeiramente. Não é este um outro "mistério das trevas"?

Sinceramente,

Marguerita Fahrer



MÍDIA IRRESPONSÁVEL
Bonde do tigrão

Descrevo o que foi relatado por uma jovem de 13 anos a uma médica amiga minha que trabalha em hospital municipal. O que se denomina "bonde do tigrão" da música amplamente difundida em todas rádios e programas de televisão é uma fila de cerca de 30 rapazes que ficam sentados com as calças arriadas enquanto um grupo de meninas, vestindo apenas saia, "dança" com todos os integrantes do bonde. Esta menina está gravida, e nem sabe quem é o pai do futuro filho. Completando, está também com Aids.

Enquanto isso, de maneira irresponsável, os meios de comunicação dão destaque ao grupo, e tratam com desdém e de maneira irresponsável uma situação tão lamentável.

Pobre meninas!

Leonardo Falcão Koblitz



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