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REDE GLOBO
Pedofilia pode?
Não, não é no Gente inocente, lá as criança são realmente inocentes e tratadas como tal. É no O quinto dos infernos. No capítulo de 11 de janeiro, o ator Paulo Gorgulho alisa as pernas de uma garotinha de mais ou menos 5 anos: insinuante, com fala mansa e com sensualidade. Não é a história, é um homem e uma menina que, sequer atriz é e, portanto, não deveria ter passado por tal constrangimento. Não sei se o texto pedia insinuação ou se o diretor amenizou, o certo é que existiu e tem nome: abuso de menores. Não importa se por ordem do diretor ou se o ator seguia um roteiro, ou se os pais da criança consentiram, nesse caso, os direitos da criança foram violados.
E não foi só essa cena. No primeiro capítulo deste mesmo seriado - que se propõe a contar a história do Brasil desde o Descobrimento - a garotinha que representava Carlota Joaquina quando menina (na história com 12 anos mais ou menos) se insinuava para o ator Heitor Martinez e, na noite de núpcias deles, os dois na cama, ele passa suas pernas ao redor do corpo da menina, se encaixando, roçando as costas da menina: de uma menina!
Não pode, nem os pais das crianças, nem o diretor, nem o autor, nem os atores, não pode! São crianças e, para os católicos, representaria pecar contra a castidade. Não devemos nos calar. Onde é que foi parar a Justiça? E o juiz Siro Darlan? Será que vamos deixar para que a Justiça Divina resolva?
Na Itália, há pouco tempo, desbarataram uma rede enorme de pedófilos. Nos EUA, fizeram um levantamento deste crime contra menores e os resultados são assustadores. Uma emissora como a Rede Globo, que prima por seu jornalismo, pela excelência de seus atores e autores, não deveria ter cometido esse deslize. Esse seriado não poderá ser produto de exportação, pois a emissora corre o risco de ser processada em países onde a legislação é mais contundente.
Lamentar não deve ser só o que nos resta. Ainda não é o fim do mundo, mas parece que os homens pretendem acabar com ele antes, começando pela família, pelos costumes, pelo respeito e, principalmente, pela pureza e ingenuidade que muitos ainda tentam preservar. É, no mínimo, incoerente para a mesma emissora ter o Gente inocente e este tipo de "dramaturgia". A mesma criança que está passando por constrangimento num programa bem poderia estar no outro cantando ou comendo doce na platéia, assistindo a cantores mirins ou outras atrações feitas por crianças e para crianças.
Se protestar vale, protestei.
Ana Bruno, estudante de Jornalismo
A palmatória do Brasil
A Globo se considera uma espécie de quarto poder da República, denunciando, acusando e julgando, antecipadamente, vários fatos do nosso cotidiano. No entanto, vemos omissão da rede em alguns assuntos, como o da repórter que fez a matéria sobre o tráfico de drogas nas favelas do Rio, deixada à própria sorte diante de ameaças que passou a sofrer, conforme recente matéria do Jornal do Brasil; ou as notícias sobre o seqüestro do publicitário Washington Olivetto, uma vez que, no caso da filha de Sílvio Santos, deu ampla cobertura, quase diária, em contraposição a parte da imprensa que atendeu ao pedido da família; foram feitos programas para justificar tal atitude e, para surpresa, neste caso recente, a posição foi totalmente oposta àquela. O que terá ocorrido?
Acredito que seria necessário mostrar que a conduta desta rede ao longo do tempo não a credencia como palmatória da nação, haja visto os escândalos Time-Life (da época de sua implantação), o suspeito incêndio da TV Globo, no Jardim Botânico, que possibilitou a importação "generosa" de equipamentos e, mais recentemente, a omissão sobre os desdobramentos do "lamentável" incêndio no programa da apresentadora Xuxa que, pelas seqüelas das vítimas, foi, proporcionalmente, mais grave que a "tragédia" de São Januário.
Carlos Augusto Maia, Rio de Janeiro
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