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ENSINO DE JORNALISMO
Reducionismo decepcionante

Fiquei decepcionada com a posição do professor Nilson Lage, que vê nos estudos de Comunicação apenas questões manipulatórias. E pior, fala em suprimir esses estudos. Sou professora de Teorias da Comunicação (entre outras disciplinas consideradas práticas) e nessa disciplina, de que por sinal os alunos gostam muito, eles conhecem as especificidades de cada meio, as teorias ao longo da história e o correlato com o grau epistêmico em outros campos. Enfim, é muito chato esse tipo de reducionismo, pois parece que só o professor conhece os assuntos. E, pelo que vi, na verdade, não domina a extensão dos problemas tratados pela disciplina.

Jussara Rezende Araújo, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP

 

Teoria é bobagem?

O que pretende o professor Nilson Lage ao propor o fim do curso de Comunicação na formação do jornalista? Profissionais de horizontes estreitos e cegos aos "ensinamentos" dos que dão aulas autobiográficas? Sim, como estudante posso afirmar que os professores de Jornalismo são excelentes contadores de causo. E caras muito simpáticos nas mesas de bar. Por que ele quer abolir a visão crítica que nos é oferecida nos primeiros períodos? E substituir por tecnicismos e conhecimentos mínimos da língua portuguesa? E conhecimentos da história recente do país e do mundo? Substituir professores por Almanaque Abril? Será que o nível do jornalismo caiu desde a implantação dos cursos de Comunicação? Há alguma pesquisa sobre isso? Será que ele foi melhor do que os jornalistas que hoje procuram nos informar? Desconfio que o professor esteja tão encantado com a nova tecnologia que perdeu o senso de medida.

Simone Swartz, estudante de Comunicação, São Paulo

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CONTÁGIOS VÁRIOS
A bandidagem agradece

A indústria farmacêutica, a máfia de branco, os traficantes de drogas, todos, em uníssono, agradecem a colaboração da imprensa pelo pânico proporcionado por essas e outras... francamente, não há uma associação explícita entre estes organismos criminosos? Sorry, eu não falo esta língua.

Marco Santos

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SARS e a síndrome do pânico – A.D.

 

MÍDIA E GOVERNO
Criticar todo mundo sabe...

Ao aumentar os juros e seguir a cartilha do FMI, o PT foi duramente criticado pela imprensa, acusado de fazer o que provavelmente FHC faria. Hoje, nós vemos que o que foi feito foi o melhor, o mais seguro para o Brasil. Vejo o dólar fechando a 3,152 reais, e o risco-país lá em baixo, mas não vejo ninguém elogiando as atitudes do governo. Claro que isso não fazia parte do discurso do PT. Lembro-me de 89, quando eu tinha 9 anos, e meu pai me pediu pra votar por ele no 2º turno. Usei da coerência infantil que me cabia e escolhi o candidato dos trabalhadores, uma vez que meu pai era (e ainda é) trabalhador. Tenho a consciência limpa de que não ajudei Collor a assumir o comando do país. Fato que antecedeu as medidas neoliberais tomadas a partir de então, quando o discurso de Lula pregava a valorização das estatais e a não-privatização.

Hoje, depois de tudo privatizado, nos vemos reféns do mercado. Não podemos mais depender de nós mesmos, a ponto até de desejarmos essa guerra, como saída para os atuais problemas americanos e dos nossos futuros, que virão com certeza se os EUA fracassarem no Iraque. Essa condição nunca foi desejada por Lula e pelo PT, mas hoje, com o país mais pra lá do que pra cá, temos mesmo é que agir com responsabilidade, sempre atentos aos nossos vizinhos e relacionados e, mesmo assim, correndo o risco de a qualquer momento o dólar voltar as 4 reais e nós voltarmos a viver aqueles dias de incerteza e aflição.

A imprensa adora bater, mas reconhecer o sucesso da política adotada pelo presidente parece um pouco difícil para quem sempre vai vê-lo como um operário inculto e despreparado.

Álvaro Luís de A. Braga

 

Relevantes serviços

Como leitora da Folha de S.Paulo recomendarei a ela a imediata contratação do jornalista Silas Correa Leite. Penso que com a sua colaboração a Folha conseguirá se assumir enquanto jornal democrático, ético, verdadeiro e dinâmico. Com certeza agradecerão o ombudsman, jornalista e romancista Bernardo Ajzenberg, pela possibilidade de contar com o apoio, a força moral e intelectual do poeta e educador Silas Correa Leite, e o PT, pelo relevante serviço prestado ao partido e à nação.

Cristina Almeida

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A tucana folha antipetista – Silas Corrêa Leite

 

Itália acompanha de perto

O Brasil era tido pela imprensa italiana como o país dos golpes, dos gorilas militares, depois do presidente ladrão e do presidente com a moça sem calcinhas. Com Fernando Henrique Cardoso tudo mudou, ele sempre teve o espaço que mereceu nos jornais daqui, isto é, de homem sério e que estava fazendo um bom governo.

Todavia, com o advento de Lula, a mídia entrou em clima de festa, foi-lhe aberto um espaço jamais dado ao Brasil. Fotos nas primeiras páginas, a festa das bandeiras vermelhas na posse, até aqui na pequena Belluno, uma cidade de 35 mil habitantes encravada nos Alpes Dolomíticos, todos, sabendo do tempo que morara no Brasil (50 anos) me falavam de Lula: "Ele vai acabar com as favelas, pois está doando os terrenos." Tentava explicar que isso não acabaria com as favelas. "Lula vai acabar com a fome." Tentava explicar que no Brasil não havia inanição, como em alguns países africanos. Lula havia escrito uma carta ao papa, Lula havia falado com o presidente dos Estados Unidos, com o primeiro-ministro britânico e as coisas seguiam por aí.

Todas a quintas-feiras o mais tradicional jornal italiano, Corrire della Sera, traz como encarte uma revista, a Sette. Na do dia 10 parece que se quebrou algo do encanto pelo novo presidente brasileiro. A matéria é assinada por Rocco Cotroneo e vai traduzida na íntegra.

Giulio Sanmartini, Belluno, Itália

Já terminou a "Lula" de mel?

O Financial Times o elogia. Os economistas também. Mas os metalúrgicos já descem nas praças contra ele. Também entre os pobres e os "sem-terra" há os que começam resmungar contra ele... Fizemos o primeiro balanço sobre o desempenho do homem que os brasileiros (e a esquerda de meio mundo) escolheram como líder. O resultado? Está aí.

"Outro dia sobrevoava Brasília dentro de um helicóptero. Meu Deus, quantas piscinas particulares existem nessa cidade; vazias, sem serem utilizadas. Quantas dezenas de milhares de meninos jamais viram uma piscina em suas vidas..." Ou ainda "Outro dia estava na minha sala com um ministro e ele me disse: "Ei, Lula, você está me ouvindo? Pode parar de olhar para o computador?" Tinha razão. Passo o dia inteiro seguindo pela internet como estão o dólar e as bolsas. Jamais em minha vida tinha me preocupado se os índices subiam ou desciam. Nunca nada disso tinha me preocupado."

Bem-vindo à realidade, "companheiro" Lula. Ou Mr. Silva, como é chamado, com todo o respeito, pela imprensa anglo-saxônica. Não é brincadeira governar um país de 180 milhões de almas. Agora não pode mais descer de um helicóptero e esbravejar contra as desigualdades sociais, no microfone do primeiro jornalista que está passando. Agora, "companheiro" Lula, você é o presidente desse país: sabe muito bem que é impossível tirar as piscinas dos ricos para dá-las aos pobres, e está aprendendo que daqueles números verdes que aparecem no monitor pode depender quanto arroz comerão os seus conterrâneos do árido sertão.

Passaram-se 100 dias desde o 1° de janeiro, quando a alegre posse de Lula na presidência encheu de alegria e esperança meio mundo, mas também trouxe preocupações à outra metade. Numa democracia, três meses e alguma coisa de poder tornam-se uma marca simbólica. Normalmente indica se a "lua de mel" que os eleitores concedem aos eleitos transforma-se em consenso ponderado, se começam os resmungos e os problemas. Acima de tudo, no caso de Luiz Inácio Lula da Silva chamar somente festa aquele carnaval fora de tempo que acompanhou sua eleição seria minimizar o fato. O homem que havia vencido contra tudo, sobrevivente de um gueto político de duas décadas e símbolo em carne e osso da maior dívida social da Terra, havia chegado a Brasília com a satisfação e felicidade de 83% de seus concidadãos. Todos, não somente aqueles que o haviam votado, estavam prontos a acreditar em suas promessas: mudanças, justiça social, esperança.

E agora, presidente Lula? Olhando os números por aquilo que valem, podemos dizer que passou no primeiro exame. O índice de aprovação teve alguma queda, mas os descontentes não passam de 12%. Aquela história de não tirar os olhos dos números da Bolsa de Valores fez-lhe ganhar um artigo no Financial Times: um início surpreendentemente bom para o novo governo brasileiro, escreveram os alegres ingleses. Claro que o mercado financeiro internacional está muito satisfeito, além de não ter sido feita alguma mudança revolucionária, o governo Lula aumentou duas vezes o juros, hoje em 25,5%, colocou o combate à inflação como meta prioritária, informou aos poderosos senhores do FMI que respeitaria os compromissos do governo precedente, mas superando em ortodoxia os do distinto senhor que se definia social-democrata, o presidente Fernando Henrique Cardoso.

Os resultados se fazem sentir, o "risco Brasil" foi reduzido, anunciou festivamente o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, referindo-se àquele índice gélido da Morgan Stanley que, se usado para medir a boa saúde de uma nação somente há seis meses, teria enfurecido qualquer um dos membros do Partido dos Trabalhadores. Mais ainda, o governo Lula não usou um bisturi para cortar o gastos, usou um machado com força capaz de fazer uma enorme clareira na Floresta Amazônica. Cortou tudo, a ponto de deixar pobre o

Gilberto Gil, ministro artista da Cultura, sem um centavo para suas idéias extravagantes; foram advertidos os funcionários públicos que a aposentadoria aos 50 anos está com os dias contados, os militares foram deixados com seus aviões do século passado; as escavadeiras e betoneiras estão paradas. E os pobres? Os famintos, os favelados, os índios, os sem terra? Os resmungos já surgiram nos primeiros dias do governo, quando Lula associou-se aos velhos caciques que estão no poder desde os tempos do regime militar. A esquerda interna do PT gritou contra a traição, depois surgiram os moderados para apaziguar, reduzindo os dissidentes a poucas mas sofridas figuras, que enfrentam a crise de consciência de uma revolução que não aconteceu.

Finalmente, resultado de uma campanha eleitoral, de tal forma perfeita que passou a fazer parte dos manuais de "marketing" político, Lula lançou uma nova palavra de ordem, que pode ser resumida assim: 2003 não vale. Sim queridos concidadãos, tudo aquilo que o governo fará no primeiro ano é somente uma preparação, o bonito chegará depois. Foi mandada à TV uma bonita moça com um "spot" eficiente. Para se reestruturar uma casa não se deve derruba-la. Primeiro se consolidam as velhas estruturas e depois se trabalha no novo. O ano de 2003 não conta. Temos a guerra, e um país como o Brasil sempre é vulnerável a essas turbulências. Depois temos que remediar os danos dos governos precedentes. Ainda mais, agora que podemos dizê-lo, para remediar os problemas do Brasil serão necessários uns 200 anos, não um simples quadriênio presidencial. Só uma exceção: as urgências. Quem tem fome tem presa, lembrou Lula citando o famoso sociólogo Betinho. Mas o plano "Fome Zero" não decolou ainda, por motivos burocráticos e indecisões. Muitas reuniões e debates, escreveu a revista Veja. A esquerda brasileira ainda não entendeu a diferença entre comitês de bairros e o governo de uma nação.

Há umas duas semanas, finalmente, os lavradores do movimento dos sem-terra perderam a paciência, esse poderoso grupo por vinte anos agiu em sintonia dom o PT de Lula, a ponto de o atual ministro da Agricultura, Miguel Rosseto, ter, no seu tempo, organizado invasões de terras. Os "sem-terra" atacaram simultaneamente em seis estados: terra improdutivas, fazendas produtivas e edifícios públicos. Depois foi a vez dos metalúrgicos, de cujas fileiras provém Lula. Uma central sindical conseguiu que 23 mil operários cruzassem os braços no estado de São Paulo, onde o atual presidente fez seu aprendizado político. Ele, um ex-torneiro mecânico, até agora tem evitado responder diretamente, mas começou a divulgar que o tempo do aperto do cintos poderá ser encurtado. "Já em 2003 poderão surgir belíssimas surpresas, mas será o nosso segundo ano aquele que oferecerá o melhor. Tenham ainda um pouco de paciência". Os brasileiros estão esperando há 500 anos, um a mais provavelmente não será difícil conceder-lhe.

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