Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

 

A carta do leitor Ulisses Lopes fala de um fenômeno assustador: a invasão da TV pelas igrejas, especialmente evangélicas. No Rio temos entre outras Universal, Renascer, da Graça, de Deus, Católica, que tomaram de assalto Manchete, Record, Mulher, Vida, CNT, Bandeirantes, com programas antes limitados às madrugadas, hoje em qualquer horário, inclusive nobre. Ribeirão Preto, cidade de Ulisses, tem três canais só da Universal, que até passam o mesmo programa ao mesmo tempo. O leitor pede socorro, e esta escriba também. Já protestei aqui no O.I. pelo fato de a Educativa transmitir ao vivo show do padre Marcelo. Se existe separação Estado-Igreja no país, emissora pública não tem nada que cobrir evento católico. Nem qualquer evento religioso. Ou os contribuintes são todos católicos?

A invasão religiosa-fundamentalista está saindo de controle. O que fazer? Protestar é cercear o direito ao credo? Uma concessão pública não deveria ser aberta a todo o público? E canal pago não serve exatamente para contemplar segmentos? Mas o povão desempregado e desinformado que atende a este chamado oportunista assina TV? O que fazer, meu Deus?

É tudo muito assustador. E a onda se espalha: a Universal comprou um dos mais antigos cinemas de Paris. Se pode no Primeiro Mundo, imaginem aqui. Mas lá ao menos se protesta, da prefeitura aos cidadãos do bairro, passando pela imprensa.

É grave a omissão da mídia brasileira. Vez por outra sai matéria sensacionalista mostrando que mais um cinema tradicional caiu de joelhos diante de Jesus. Passada a sensação, o silêncio do consentimento, que Brecht mostrou como funciona desde os tempos de Hitler.

A quem não quer viver no Brasil do Afeganistão só resta mesmo pedir socorro.

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Clique sobre o trecho sublinhado para ver a íntegra da mensagem

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Socorro! Três canais da Universal!

Eu não agüento mais um país em que os canais educativos estão cada vez mais no vermelho, enquanto cresce sem ética nenhuma a distribuição de canais para Igreja Universal do Reino de Deus. E não só as evangélicas: agora, até o padre Marcelo Rossi está ocupando espaço na TV Educativa do Rio! E ninguém faz nada. Moro em Ribeirão Preto (SP), e a Igreja Universal tem três emissoras aqui, chegando a passar o mesmo programa nos 3 canais ao mesmo tempo (Rede Record, Rede Família e Rede Mulher)!

Será que é isso legal? O Ministério da Comunicação não vê que se trata de lavagem cerebral, em que as pessoas são obrigadas a ficar dentro de casa sem opção cultural? A elite tem canal pago, e ao povão sobra o lixo. Isso é discriminação pura. Hoje a TV é o professor. A escola "tenta" educar e a TV deseduca. Continuando assim, é briga entre formiguinha e elefante. Observatório da Imprensa, por favor me ajude, a quem posso recorrer?

Ulisses Lopes

Chatô vive

Sobre o artigo de Paulo Vasconcellos, no Entre Aspas [ver remissão abaixo]:

Puxa vida, tanta gente pegando no pé do Guilherme Fontes. Ninguém percebeu que ele captou o verdadeiro espírito do biografado. É puro "Actor's Studio". O seu Chatô é mais que um filme: o Rei do Brasil está vivo, na frente e atrás das câmeras. É um happening, é uma coisa existencial. Mas ele podia contratar uns capangas para terminar a captação de recursos. Se disso tudo ainda sair um filme nacional que preste, é bom demais.

Spacca

Essa gente especial

O texto de James Görgen [ver remissão abaixo] mostra com muita clareza a atual realidade da nova forma "enlatada" da cultura brasileira. Sou estudante do 2º ano de Jornalismo, e ainda no início das aulas a professora de Jornalismo I discutia sobre a falta de cultura e informação dos estudantes, e conseqüentemente, o pobre vocabulário da nossa juventude. Isto é assustador, pois na década de 50 a Internet nem existia e nem por isso aquela geração deixava de conhecer a história de nosso país e de vivenciar a política. Nós da década de 80 participamos das conquistas políticas dos nossos pais, mas nada conquistamos ainda, não temos nem história para contar.

A preocupação da maioria dos jovens é fazer intercâmbio, e saber inglês e espanhol para acompanhar o mundo globalizado, mas esquecemos a bagagem cultural, o enriquecimento histórico. Este perfil muito me preocupa, pois ainda tenho 19 anos e percebo que o mercado de trabalho não está fácil. É necessário amadurecer e resgatar a cultura, esquecida nas prateleiras. A equipe do Observatório da Imprensa está de parabéns. Vocês fazem um jornalismo crítico e de qualidade, tentando de alguma forma tapar um buraco de manipulações que se forma na mídia.

Isabela Monteiro Guida, Passa Quatro, MG

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A propósito do artigo de James Görgen, por coincidência, ou gritante obviedade, estive comentando com meus amigos a quantidade de caras novas que observamos no jornalismo brasileiro. Em princípio, tal constatação deveria me agradar, já que sou estudante de Jornalismo e anseio estar, um dia, no mesmo lugar. Mas será que jovens jornalistas têm condições e maturidade para exercer funções que há bem pouco tempo eram dos que já haviam provado capacidade e lucidez? Nas últimas semanas, os dois apresentadores do RJ TV (Globo) são repórteres que há bem pouco tempo nem apareciam nas câmeras. Eles tiveram carreira meteórica. Antes mesmo de ralarem na produção interna já estão diante das câmeras, e logo apresentam o telejornal. Isso prova a tendência nacional em desvalorizar as rugas, ou seja, a experiência. As redações de jornais e emissoras estão repletas de gente nova.

Quero ter experiência, esperteza e maturidade antes de ocupar posições importantes, para não dar barriga e poder ser completa. Não quero também ser descartada na mesma rapidez em que estes jovens jornalistas chegam às câmeras.

Naila, estudante do 6º período de Jornalismo da UFF

Notícias (masculinas) do Planalto

Venho acompanhando, desde o fim do ano passado, a repercussão do livro de Mario Sergio Conti. Estou entre as pessoas que consideram esse trabalho muito importante para a compreensão das relações mídia e poder em nosso país. Os argumentos das críticas mais ferozes não me convenceram, me pareceram mais uma expressão de "egos feridos".

Mas também tenho uma observação a fazer. É impressionante, podem reparar, todos os personagens masculinos do livro têm suas histórias, seus perfis desenvolvidos. Com as personagens femininas isto não acontece, em sua esmagadora maioria são apenas nomeadas, como se não tivessem história, trajetória. Por quê? Por acaso a atuação dos jornalistas homens é mais contundente que a das jornalistas mulheres? Não creio, no meu ponto de vista trata-se do velho e conhecido machismo se manifestando.

Isso me incomodou bastante. É claro que este fato não desqualifica o trabalho de Conti, mas é preciso mais atenção.

Márcia Meireles (não sou jornalista)

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A respeito da nota do leitor José Rosa Filho sobre o mau exemplo dos jornalistas ao confundirem notícia com amizades pessoais [ver remissões abaixo], não discutirei as afirmações sobre os jornalistas. Não sou censor para descobrir quem está ou não entregando a alma ao diabo aqui em Brasília. Mas gostaria de expor uma sugestão a todos que se sentirem lesados, como José Rosa Filho: reajam. A informação, como geladeira e fogão, é um produto que pode ser adquirido a partir da compra de seu meio – jornais, revistas –, e é passível de constestação – do mesmo modo se um fogão ou geladeira estiverem com defeito. Desse modo, se o leitor acredita estar consumindo uma informação defeituosa ou imparcial deve reclamar prontamente com o fabricante, ou o jornal em questão.

A notícia só se torna verdadeira – ou cristalizada – quando não há sobre ela nenhuma dúvida ou contestação. Assim como na crença de que um processo político é melhor do que outro, a discussão entre os interessados sempre se tornará essencial, caso contrário serão deglutidos pelos que insistem em tratá-los como meros consumidores autômatos – ou como preconiza "o discurso do FMI e das grandes matrizes do capital", na citação de Rosa Filho. O leitor deve, portanto, parar de se sentir incapaz, pois de outra maneira estaria ele a cassar seu direito à cidadania. Se um jornal ou jornalista se entregar ao diabo, devemos prontamente tentar tirá-los do inferno e não lamentarmos mais uma vez a perda de sua credibilidade.

Guilherme Macedo, estudante de Jornalismo da UnB

Omissão em Quatro Rodas

Minha fonte de informação sobre automóveis, 4Rodas, está furada há muito tempo (apesar de uma ou outra boa reportagem de denúncia), parece tendenciosa em relação às marcas, só fala em carrões importados, mas nada informa sobre o que interessa ao leitor real, esse leitor de carne e osso que não vive nadando em dinheiro e que mora num país chamado Brasil. J. Ricardo

Registro de jornalista

A presidente da Fenaj, Beth Costa, teve seu registro de repórter fotográfica (?) impugnado, conforme publicação na coluna de Humberto Rosa, na Tribuna da Imprensa. Flávio Henrique de Barros

Quanta gentileza!

Acompanho o trabalho de Alberto Dines desde o tempo do Jornal dos Jornais, da Folha. Acesso regularmente o Observatório e também assisto ao programa pela TV Cultura. Tenho o livro O papel do jornal. Bancário aposentado, sempre me interessei por jornalismo e aprendi com Dines a ver nossa imprensa com o desejável olho crítico. As entrevistas apresentadas na TV neste início de ano são outro ponto digno de admiração pelo grande jornalista, em razão dos ensinamentos sacados dos entrevistados. Realço aquela feita com Arthur da Távola. Espero poder contar com o Observatório por muito tempo.

Sérgio Campani, Araraquara, SP

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Adorei os vários comentários e as resenhas do Notícias do Planalto. Toda esta sórdida teia de intrigas e manipulações em que a imprensa se envolve só mostra como a sociedade está de uma maneira geral. Muito individualista e extremamente capitalista.

Naila Oliveira

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Meu nome é Priscila Manni, faço o primeiro ano de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Estou apaixonada por jornalismo – isso porque tive apenas duas semanas de aula, e meus professores logo indicaram o Observatório da Imprensa. Quero parabenizá-los, idéia fantástica que, além extremamente útil para os estudantes de Jornalismo, dá uma visão real e crítica da mídia no Brasil. Adorei!

Luiz C. Manni

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Sou telespectador assíduo do Observatório na Rede Pública e leitor contumaz da página aqui naInternet. Vocês se superam a cada edição. Fazem jornalismo sobre o jornalismo com ética, independência e ousadia. Parabéns a toda a equipe e, verdadeiramente, obrigado pelas lições. Eu tenho 29 anos, sou repórter da afiliada da Globo aqui em Juiz de Fora, e com freqüência estourevendo, analisando os meus métodos graças às questões levantadas pelo Observatório.

Antônio de Castro

 

LEIA TAMBEM

Essa gente especial – James Görgen

Notícias do Planalto – José Rosa Filho

Jornalista pode ter amigo? – Paulo Nogueira

Os democratas do elogio – Paulo Vasconcellos

 




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