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WASHINGTON OLIVETTO
Bandidagem sai ganhando

Na entrevista predominou o tom "ufanista" do ex-seqüestrado. Sinceramente, considero um desserviço à opinião pública levar ao ar matérias como aquela, ótima "aula" ao vivo para a bandidagem "corrigir" erros ou "aprender" a fazer a coisa bem feita. Observem bem que, nas entrelinhas, é possível tirar ensinamentos desse flagelo. Do jeito que a coisa está, quem tira proveito é a própria bandidagem.

Silvio Luzardo, professor de Comunicação, SC

 

Mediocridade sai perdendo

Existe vida inteligente no Brasil. Alberto Dines prova isso. Acho esta posição impiedosa contra a mediocridade uma das maiores atitudes no Brasil.

Paulo Ronan

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Seqüestrado do Ano dispensa entrevistadores – Alberto Dines

 

Sob o crivo do patrão

Infelizmente, algumas vezes o péssimo comportamento profissional dos jornalistas durante uma entrevista coletiva, como a do publicitário Washington Olivetto, é causado por imposição dos patrões. Existem muitos colegas que querem, sinceramente, realizar um trabalho digno, mas são impedidos por circunstâncias do chamado "mercado": se demonstrarem que pensam sozinhos, que raciocinam, colocam o próprio emprego em risco.

Marcelo Cortez, Rio de Janeiro

 

Lugar-comum

Na edição que está nas bancas, a revista CartaCapital conta detalhes do cativeiro de Washington Olivetto, durante os 53 dias em que permaneceu seqüestrado. A matéria repete informações já conhecidas, acrescenta outras tantas, até pitorescas, como as influências literárias do delegado Walter Giudice, leitor de Umberto Eco, e a perspectiva de que vem livro por aí, idealizado antes do seqüestro com o escritor Fernando Morais mas iniciado pelas mãos do publicitário barriga verde no cativeiro.

Afora o teor de samba-exaltação do texto, numa homenagem a Olivetto que, aliás, tem sido reiterada em vastas páginas da imprensa, a CartaCapital não estabelece um diferencial em relação ao que já se sabe sobre o assunto, exceto talvez pela inclusão de um box com pitadas das declarações feitas pelo publicitário à imprensa. Deliberadamente, a seleção que a revista chamou de "pílulas" revela a presença do bom humor e do otimismo de Olivetto, num critério acertado da editoria. Poderiam ter pinçado as declarações mais dramáticas do publicitário.

Mesmo assim, o box não acrescenta nada de novo no front. Afinal, tratando-se de um veículo atualizado semanalmente, a revista poderia ter oferecido uma matéria mais do que mediana e com mais fôlego aos seus leitores.

No entanto, a derrapada da CartaCapital não é cometida, a meu ver, na feitura do artigo ou no conteúdo das informações divulgadas, e sim no título: Notícias de um seqüestro. Não precisa ser leitor abalizado da literatura latino-americana para saber que o título vem do romance de Gabriel Garcia Márquez, exceto que o original do colombiano mantém a notícia no singular: Notícia de um seqüestro.

Eis aí o laxismo da escolha da CartaCapital. Pegou carona num frontispício famoso para encimar matéria sem maiores revelações, como se a embalagem pudesse atrair a atenção para o produto acriticamente.

Se o título de Garcia Márquez se notabiliza pela originalidade simples, o mesmo não se pode dizer do seu clone na matéria da CartaCapital, que assim contribui para alimentar as fileiras dos lugares-comuns e do comodismo que povoam as páginas da dita grande imprensa.

Paulo Lima, estudante de Jornalismo

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