Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

O balzaquiano JN

"Rede Globo incentiva classe média a se desfazer de bens (*)

Ernesto de Oliveira S. Thiago Neto

O fato ocorreu no televisivo Jornal Nacional de 2 de agosto de 1999. Sob a chamada ‘Veja o que a classe média está fazendo para quitar suas dívidas’, a Rede Globo de Televisão apresentou diversas pessoas de classe média que, endividadas com juros tão altos que em alguns casos corroíam um terço da renda líquida familiar, estavam a se desfazer de bens, como automóveis por exemplo, para quitar suas dívidas com instituições financeiras.

Em nenhum momento foi questionada a legalidade dos acréscimos agregados aos débitos e tampouco foi informado que milhares de consumidores estão conseguindo reduzi-los significativamente através de medidas judiciais vitoriosas em todos os graus de jurisdição. Ao contrário, exemplificaram um caso em que um cidadão, devendo R$ 5 mil, tem em mãos um automóvel valendo R$ 10 mil. A repórter, sem a menor cerimônia, aconselhou os telespectadores que, na hipótese, o melhor seria vender o carro, pagar a dívida, e utilizar o restante para dar de entrada em um outro inferior. Se não – alertou –, em seis meses a dívida pode duplicar, enquanto o valor do carro cairá para R$ 9.500’.

Para bom entendedor: ‘Jamais questione a dívida, ela é justa, quite-a logo, mesmo que fique sem bens.’

Está claro que se trata de mais uma entre tantas outras reportagens feitas ‘de encomenda’ pela Febraban, o braço sindical dos banqueiros, ao ‘chapa branca’ jornal das 20h da Globo. Muito embora não sendo jornalista, parece-me claro que uma reportagem deve sempre informar o mais amplamente possível e, diante da verdadeira revolução que está a ocorrer nos tribunais brasileiros, com uma avalanche de ações revisionais de contratos bancários, em sua maioria exitosas, afigura-se tendenciosa e desleal a aludida matéria, que apresentou apenas a alternativa menos favorável ao consumidor, dentre as possíveis para se dar cabo de pendência bancária.

Não foi esclarecido que a causa maior de crescimento das dívidas é a capitalização mensal dos juros (juros de juros), amplamente praticada pelas instituições financeiras mas absolutamente ilegal em se tratando do denominado cheque especial, o mesmo valendo para os empréstimos em geral, como os conhecidos ‘papagaios’, típicos contratos envolvendo a classe média, sendo permitida apenas nos casos expressamente previstos em lei, como o das cédulas de crédito, restritas às pessoas jurídicas.

E tal entendimento é unânime, tanto na doutrina como na jurisprudência pátrias, do juiz substituto ao presidente do Supremo Tribunal Federal. Para se ter entendimento do que significa a capitalização: uma taxa de 10% ao mês, segundo a lei, deve representar uma taxa anual no cheque especial em torno de 120%. Se for capitalizada, ao cabo de um ano os juros chegam a 241%, mais que o dobro!

Mas talvez a Rede Globo entenda que não interessaria aos seus telespectadores saber disso..."

(*) Reproduzido da revista Consultor Jurídico, 6/9/99. Ernesto de Oliveira S. Thiago Neto é advogado em Santa Catarina, sócio de STN & Advogados Associados S/C.

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A imprensa brasileira tem fixação pelas drogas. Não, não são os programas da televisão aos domingos não. Falo de drogas mesmo. Há pouco assisti a um telejornal da Globo e uma repórter apresentava uma matéria acerca de um inspetor de alunos numa escola pública que resolveu usar a música para controlar as crianças durante os intervalos. Interessantes. A idéia e a reportagem.

Ia tudo bem, mas, ao final, como não poderia deixar de ser, quando o inspetor explicava o efeito da música nas crianças, a repórter teve que dizer: "... A música os mantêm afastados das drogas." Ninguém havia falado em droga. A reportagem era de crianças, devia estar sendo assistida pelas crianças, pelas mães. Tem sempre que falar em drogas? Mas que droga! Que fixação! Deixa as drogas de lado um pouco. Para mim isso é propaganda da droga. Alguém que nunca experimentou e liga a televisão deve dizer: drogas, como será que é isto?

Me parece ocorrer o mesmo com a camisinha. O estímulo ao uso da camisinha deve fazer com que os jovens que nunca tiveram relacionamento sexual se sintam obrigados a tê-lo, mesmo antes do tempo, porque é feita uma propaganda da camisinha de tal forma (o Jô Soares, por exemplo) que chega a ser uma pressão sobre os jovens.

Márcio Alexandre Silva, São Bernardo do Campo, SP

 

Nós Que Aqui Estamos...

Otários quem? Ou Nós que Aqui Estamos Esperamos Entender a Crítica de M.M.

Criticar o texto cada vez mais pobre das publicações da imprensa brasileira é importante. Sempre aprendi que é com base nos erros que a gente tenta acertar. Então, parabéns a M.M.! O que não dá pra entender, porém, é a birra do mesmo M.M. com o filme "Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos". Ou vejamos:

Primeiro, M.M. coloca pontos de interrogação irônicos depois da palavra "filme", pondo em dúvida o valor cinematográfico da obra... Nunca ouvi dizer que um filme (vamos chamar assim, combinado?) tivesse obrigatoriamente que seguir alguma fórmula pré-estabelecida... Ou fugir das regrinhas impostas pelas fórmulas não é uma característica dos gênios? (longe de mim querer comparar Marcelo Masagão aos grandes mestres do cinema mundial, mas não dá pra negar o seu talento...)

Não querer chamar "Nós que Aqui Estamos..." de documentário (o que talvez realmente não seja), tudo bem. Afinal, não tem a boa e velha narração em off, com imagens relativas ao assunto, num ritmo quase didático (nada contra os documentários tradicionais). Mas não considerá-lo filme é dureza.

Segundo ponto: M.M. ironiza também o título, que teria sido concebido para alertar o espectador sobre a morte. Só lamento. M.M. não entendeu toda a profundidade que reside num simples título. Melhor que "Era dos Extremos" ou "O século 20" ou qualquer coisa do gênero. Recomendação: veja o filme de novo.

Adiante: "Videoclipe abarrocado, sem contexto, que reduz o século a alguns de seus traços infames"? Ora, francamente! Masagão não reduz nada. Fala das guerras, das revoluções, das transformações importantes... mas o século não foi só isso! E filmes, livros, documentários (entre aspas ou não) e análises sobre os grandes acontecimentos dos últimos cem anos nós estamos carecas de conhecer. E os anônimos, onde estavam até então? Ou o senhor M.M. acha que os anônimos não fazem a história?

Quanto ao prêmio, só pra refrescar a memória do Mr. M, opa, do M.M.: Nós que Aqui Estamos... não ganhou o Oscar, que, já disse a sábia Fernanda Montenegro, é um prêmio da indústria... (indústria esta que faz parte do contexto midiático que, paradoxalmente, M.M. tanto critica.) E onde estão as críticas ao filme propriamente dito? Não há. M.M. parece ter esquecido o belo trabalho de edição (a cena de Fred Astaire e Garrincha é maravilhosa), a ótima trilha sonora, a originalidade na concepção e, repito, o mais importante: a ênfase dada aos aspectos comuns do século. Já estava na hora de darmos mais importância às vítimas da bomba do que à bomba em si, ou dos fatos quase impessoais que levaram à sua detonação. Como é dito em certo momento do filme (desculpe, M.M.): "Numa guerra, não morrem milhares de pessoas, mas um que tem uma namorada, um que adora espaguete, um que é gay..." (a frase pode não ser exatamente essa, mas é essa a idéia.)

Então ficamos combinados: M.M. limita-se a criticar os erros de ortografia e a falta de clareza dos jornais (o que faz com competência e categoria) e deixa o trabalho de analisar filmes pra quem entende do assunto, ok? (que fique claro: eu não me incluo no grupo dos que entendem.)

E já que o M.M. trata de pérolas da imprensa, o PS do artigo sobre o filme ("Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos, Otários") é também uma jóia: "O século, como tudo nesta vida, não apenas foi e é, mas será. E será forçosamente, a cada época vindoura, queiramos ou não, algo diferente do que é para quem nele viveu ou vive. O melhor que podemos fazer é dar nosso depoimento e usar nossa imaginação, duas coisas que precipuamente nos fazem diferentes dos outros animais – não necessariamente "melhores", no contexto indiferente do universo, mas civilizados, detentores de valores morais, o que é importantíssimo, em nosso minúsculo mundinho, que é tudo o que temos." Quase chorei...

Fico por aqui. Abraços a todos os observadores,

Rafael Teixeira

 

Jornalistas de Economia

Um dos motivos de a humanidade estar ingressando no 3º Milênio em condições cada vez mais dolorosas e inviáveis é o fato de os jornalistas estarem sempre a escamotear, da população, a insustentabilidade do atual sistema econômico. É só ler os comentaristas econômicos para perceber como eles são mestres em limitar suas análises dos problemas econômicos vividos pela população a um arsenal de jargões e fórmulas de nítido viés monetarista, como se a realidade do mundo e da vida se restringisse às taxas de juros praticadas, às oscilações bursáteis e às metas acertadas com o FMI... Neste mundo de mentirinha, totalmente apartado do mundo real das pessoas e da natureza, os economistas convencionais continuam a improvisar teorias para nos convencer que o sistema é bom, apesar de todos percebermos que não; não para nós, ao menos...

E em sua missão de nos fazer crer que é inevitável o que na verdade é apenas uma escolha política definida pelos poderosos para se manterem poderosos, os economistas convencionais contam com a ajuda diária dos jornalistas convencionais, principalmente dos "editores de Economia" convencionais, sempre empenhados em nos convencer que "o pior já passou" e que o sistema econômico em que vivemos, além de inevitável, é também o melhor para nossa própria evolução. Vejam por exemplo a crônica de Nelson Torreão publicada no Correio Braziliense de 8 de setembro. Sintam só o título: "A crise próxima do fim." Preciso dizer mais?

Acho que sim; e vou dizer mais: ô Torreão, a crise está é se agravando. Pense bem, esses indicadores de crescimento a que você se refere, nos Estados Unidos e na Europa, a recuperação do crescimento na Ásia, tudo isso se limita ao mundo dos ricos, dos financistas, de quem anda de terno, e seus benefícios não alcançam as populações mais pobres; pelo contrário, empobrecem-nas. Quanto mais "desenvolvimento econômico", mais concentração de renda e poder; quem ainda não percebeu isso?

Digo mais: se os Estados Unidos continuarem crescendo a 4% ao ano, em quantos anos eles estarão maiores que o planeta? Ou você acha que o planeta vai crescendo junto? Qual a percentagem dos recursos naturais e energéticos consumida pelos Estados Unidos, em comparação com o total mundial? Qual a percentagem dos resíduos, mais ou menos poluentes, mais ou menos tóxicos, mais ou menos eternos, que é produzida pelos Estados Unidos, comparada com os resíduos gerados mundialmente? A população americana não chega a 5% da população mundial, mas seu consumo e produção de resíduos corresponde a quase metade.

Você acha que tal situação – ainda mais crescendo 5% ao ano – é "sustentável"? (para usarmos o jargão da moda, emprestado da ecologia dos anos 70 e hoje usado por economistas, comentaristas e ministros sem nenhum cuidado mais científico). Considere ainda a escassez do petróleo, que já está se manifestando – tendo o preço internacional do petróleo mais que dobrado em 1999. Os cientistas alertam que o petróleo energeticamente viável estará se esgotando nas primeiras décadas do próximo século, e vamos pedir a Deus para estarmos vivos para ajudarmos a humanidade a se adequar, rapidamente, a um modelo pós-industrial e pós-desperdiício com o mínimo de sofrimento possível.

Eu teria muitos parágrafos para apontar a superficialidade e o otimismo ingênuo ou comprometido que caracterizaram esse artigo. Mas vou acabar lembrando-lhes apenas o "paradoxo de Moura": "Como poderá o desenvolvimento sócio-econômico resultar de uma população, de uma cultura e de uma natureza cada vez mais degradadas?" De uma juventude popular cada vez mais ignorante, doente e embrutecida?? De um meio ambiente cada vez mais erodido, desertificado, queimado, desmatado, poluído?? Por falar nisso, o vetor de degradação sócio-ambiental mais recente é a comida geneticamente adulterada, que virá se somar a tantos outros horrores que, infelizmente, caracterizarão os próximos séculos do Terceiro Milênio, principalmente se continuarmos com o modelo que insistem em nos impor.

Para podermos falar em fim da crise precisaríamos antes mudar de modelo, e passarmos a desenvolver as pessoas, a juventude, as comunidades, a natureza, e não a economia de escala industrial (uma contradição em termos, pois se é – economia – não deveria estimular o consumismo), baseada no desperdício dos recursos naturais e movida pela futilidade ignorante e insensível de enorme parcela das pessoas, confundidas pelos meios de comunicação e especialmenrte mistificadas pela propaganda – que ninguém mais ousa denunciar.

Não sei se idealizo demais a imprensa, mas sempre acreditei que – se ela cumprisse o seu papel – o mundo hoje não seria essa tragédia sócio-ambiental que legaremos a nossos filhos e netos. Por isso leio sempre com muita atenção o que é publicado e me dou ao trabalho de alertar para as responsabilidades imensas dos jornalistas.

Joaquim Moura

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O brilhante jornalista da Folha Janio de Freitas, em sua coluna de 10 de setembro de 1999 [ver remissão abaixo], mostra como a mídia especializada em economia tratou, de forma tendenciosa, o assunto da queda do dólar, nos últimos dias. Esse setor da mídia tem afirmado que a queda do dólar deve-se à tranqüilidade trazida ao mercado com a nomeação de Alcides Tápias para o Ministério do Desenvolvimento. Janio demonstra que, para uma queda de 1% do dólar, o governo lançou R$ 4 bilhões em títulos nos seis dias anteriores, ao mesmo tempo em que vendia, no mercado, R$ 6,1 bilhões só no mês de setembro, com juros altíssimos, e fazia crescer a dívida em dólares em R$ 3 bilhões.

Lembra o jornalista da Folha: se a indicação de Tápias tivesse mesmo esse poder milagroso que razão teria o governo de torrar tantos bilhões para diminuir o dólar em somente 1%? Janio diz que, a cada momento que passa, a mídia da área econômica, na tentativa de proteger as ações do governo, cria fatos que acabam por não se confirmar na prática. Escreve ele que "a guerra do jornalismo econômico ao leitor é ininterrupta e impiedosa".

O que é a pura verdade, e se houvesse um código de ética a ser seguido por esses profissionais poucos escapariam de uma severa punição. E fica a pergunta do leitor: o que leva um jornalista a assim proceder? Qual o intuito? Afinal, não são eles profissionais e livres? Janio termina com essa brilhante colocação: "O leitor/espectador paga para receber jornalismo de economia e recebe economia de jornalismo."

Mas o mesmo Janio de Freitas, na segunda parte de sua coluna, refere-se a um fato que merece também ser levado ao conhecimento dos leitores do O.I., que por uma razão ou outra não tiveram acesso à coluna do dia 10. Lembra Janio que Carlos Heitor Cony, em crônica recente sobre a missa em intenção de d. Hélder, criticou os religiosos ditos progressistas, que não teriam comparecido à cerimônia mandada celebrar pelos religiosos ditos conservadores. Dizia Cony que, com essa atitude, os religiosos progressistas estavam na verdade reproduzindo a causa dos erros da esquerda em geral.

Na verdade Cony está repetindo, e, em se tratando dele, lamentável que aconteça, um chavão dos oportunistas de sempre que não encontram outra fórmula, por sinal desonesta, para justificar as derrotas da esquerda. Nesse sentido, estão sempre colando as esquerdas contra a parede. Dizem eles, por exemplo: se querem chegar ao poder, as esquerdas deveriam apresentar alternativas ao governo, têm que ter um programa que ajude o país a sair de suas eternas crises. Ora bolas, a principal função da oposição é fazer oposição, é vigiar os passos do governo, mostrando os seus erros. Alternativas ela tem obrigação de apresentá-las quando estiver no poder. Programas e planos são fáceis de botar no papel (afinal, como dizia Fernando Pessoa, livros são papéis pintados com tinta) e depois não cumpri-los, o que faz aliás a situação faz há muitos anos.

Vamos portanto, jornalistas chapa-rosa, como os denominou, em recente artigo na revista Bundas, o jornalista Aloysio Biondi, parar com essa desculpa cretina de que a esquerda está sempre perdendo o bonde da história e que por isso ela não recebe o seu voto, o seu apoio. Todos sabem a verdade, e a verdade mora ao lado. E se chama má-fé.

A propósito, deve ser registrado que Cony estava equivocado, conforme demonstrou Janio de Freitas. Foi o arcebispo de Olinda e Recife, da ala ultraconservadora do clero, que se recusou a acompanhar a missa de corpo presente de d. Hélder. Claro, Cony não usou de má-fé, mas está também impregnado dessa conversa fiada de que as esquerdas não sabem fazer a hora. E que por essa razão não chegam ao poder. A esquerda não chega ao poder porque a direita, que na verdade não é direita, não tem escrúpulos e ainda conta com a cumplicidade de grande parte da mídia.

José Rosa Filho

 

Hegemonia das más notícias

Na sexta-feira, 10 de setembro, os editoriais d’O Estado de S. Paulo apresentaram um artigo com o título "A hegemonia das más notícias", e é sobre isto que quero tecer alguns comentários, após quase ter morrido de rir.

A oposição brasileira, seja por ingenuidade ou pura burrice, adotou a postura do "Fora FHC", que sequer encontrou respaldo na sociedade e não passou de atitude inofensiva. Há uma mensagem de insatisfação no ar e negá-la seria estupidez. As boas notícias apresentadas pelo presidente e citadas pelo OESP só são boas para um pequeno, muito pequeno, segmento da sociedade. Os números apresentados não contêm vitaminas e proteínas, nem lipídios e glicídios, não "valem por um bifinho".

É inútil e fora de hora ficar, sistematicamente e insistentemente, culpando uma oposição que nunca ocupou o poder de fato no Brasil e, se pensarmos bem, em verdade, nunca chegou a atrapalhar tanto. A oposição não é culpada, exceto por eventuais omissões, por tudo que aí está. Às vezes ela levanta algum problema: burburinho, CPIs, venda de jornais, discussão de botequim e, depois de algum tempo, a paz volta a reinar e a "festa Brasil" prossegue exatamente como estava antes, sem a mínima mudança.

Nos perguntamos por que, e a resposta pode ser encontrada no próprio editorial. Referindo-se à forma de se dar uma notícia, eles dizem: "É o que fazem em toda parte as oposições – legitimamente, quando apenas ajudam a espalhar uma verdade desfavorável aos governos de que são adversários, ou de forma desonesta, quando, prevalecendo-se da inevitável complexidade dos assuntos em pauta, omitem ou adulteram certos fatos para que o conjunto das questões seja percebido por um prisma sempre negativo."

Eu pergunto ao jornal: Por que apenas a oposição? A manipulação das notícias, o jogo de palavras nas manchetes mudando radicalmente o contexto, a omissão de alguns fatos e a massificação exagerada de outros são artifícios que sempre foram utilizados em larga escala pela imprensa e pela situação, seja para esconder fatos, seja para prestar algum tipo de apoio a algum candidato ou, simplesmente, arrumar alguma desculpa para a trambicagem. O que se vê, com muito pesar, é que a oposição só está aprendendo como se vive num país cujos valores foram completamente invertidos. O ideal seria que, como diria a vovó, "cada macaco olhasse o próprio rabo".

Bel Portões




Continuação do Caderno do Leitor

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