Indice Jornal de Debates A imprensa em questao Caderno da Cidadania O circo da noticia Entre aspas

Edição de Marinilda Carvalho

Ratinho é mesmo um fenômeno. Está há meses na pauta do Observatório da Imprensa sob intenso bombardeio. Nesta edição, dois leitores escrevem para falar... bem dele!

Sem problemas, somos pluralistas!

Mas a novidade da quinzena é que um juiz de São Paulo não perdoou. Comparou o circo dos horrores do Sr. Massa às arenas romanas e pespegou-lhe alta multa diária, a vigorar enquanto ele exibir aqueles barracos na TV. Não percam, está no Caderno da Cidadania.

Por falar em circo, vocês viram quem é a capa da Focinhos nº 1? Quem mais? Xuxa, é claro, e seus cachorros. "Eles são meus melhores amigos", disse ela.

Um abraço, boa leitura!

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Clique sobre o trecho sublinhado para ler a íntegra da notícia

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Viva Ratinho, fora Ratinho
Por que essa censura contra o Ratinho? Só porque ele fala a linguagem que o povo entende e mostra a realidade em que o povo vive?

E por que a Globo não é censurada? É quem elege presidente no Brasil. Enquanto as outras fazem críticas ao governo, Globo só comenta o interessa ao governo. A Globo pode mostrar sexo explicito nas novelas, no horário das 18h, ou até antes, e ninguém censura. Exibe novelas como conto de fadas, para a população viver de ilusão. É fácil, num país em que a maioria da população é semi-analfabeta. Fica muito fácil manipular este povo sofrido e enganado.

Então, por que ninguém crítica a Globo?

Josivaldo Almeida Silva

Nota do O.I.: Será que o leitor vem acompanhando mesmo o Observatório? Temos criticado intensamente a má qualidade da TV, seja na Globo ou no Ratinho. Nesta edição, não deixe de ler matéria da revista Consultor Jurídico sobre a condenação de Ratinho a multas de R$ 100 mil diários, caso continue exibindo deficientes físicos e baixarias no programa. Disse o juiz, ao rebater alegação da defesa de que a audiência do programa é grande justamente porque mostra baixaria: "Também as arenas romanas atraíam multidões, como as brigas de galo, as farras de boi etc. Sempre existirão os que sentem prazer com o sofrimento e o embaraço alheios." A matéria está no Caderno da Cidadania.

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Acho que as pessoas criticam muito o Ratinho e esquecem seu lado humano, de ajuda ao próximo. Enquanto isso, feiticeira e tiazinha vêm influenciando nossas filhas a mostrar o bumbum, esquecendo que têm algo melhor a oferecer: o cérebro.

Jefferson Chaer

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Enviei a seguinte questão ao Mural do UOL:

"Venda da Mãe – Para o indivíduo do UOL que teve a infeliz idéia do Tudo por Dinheiro, transformando em piada a trágica história do sujeito que mandou cortar a própria mão, deixo a seguinte pergunta: 'Você venderia sua mãe na zona para pagar uma dívida?' Enquanto não aparece comprador para ela, sugiro que esse aprendiz de Sade reflita sobre a seguinte questão: não é esse cinismo da imprensa, ao ridicularizar todas as tragédias, transformando o Brasil num grande auditório do Ratinho, que faz a violência crescer assustadoramente como tem crescido?

PS: Não estranhe, indivíduo, se ainda não achou comprador para sua mãe. Com o filho que ela tem, não deve valer um tostão furado."

Como viram, trata-se de uma indignação justa, expressa na única linguagem que a imprensa brasileira parece conhecer – a dos chiqueiros. E tenho o direito de usá-la neste tom, porque já ando muito cansado, desesperadamente cansado, de ser vilipendiado, diuturnamente, em minha sensibilidade. Como cidadão, exijo respeito. E se não mo quiserem dar, hei de conquistá-lo a minha maneira, como estou fazendo agora, obrigando os comunicadores que têm esse tipo de idéia a se lembrar de que provavelmente têm espírito, e não apenas intestinos.

José Maria e Silva

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Acabo de receber em minha casa um exemplar impresso do Observatório da Imprensa. Gostaria de agradecer a vocês pela gentileza e também pela publicação da minha opinião no Caderno do Leitor, sob o título "Ratinho Impresso". Sobre a revista em questão, Injustiça, parece que finalmente saiu de circulação. Não sei bem o que aconteceu. Durante algum tempo os jornais publicaram que uma construtora teve ganho de causa contra a revista por injúria e calúnia, mas depois não saiu mais nenhuma linha sobre o assunto. O importante é não ter mais que encarar com aquele "lixo" nas bancas de revistas.

Maria Rosa Pinheiro, professora primária, Curitiba

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Concordo plenamente, a injustiça social está sendo banalizada. Já deixei de assistir ao programa Sai de baixo há muito tempo por este motivo. O ator Miguel Falabela caiu no meu conceito em muito, bem como diretores e redatores do programa. É realmente de extremo mau gosto.

Sonia Maria Rodrigues Ventura

Barriga do ano
Excepcional a análise sobre o FMI. Fazia tempo que eu não lia algo tão bom.

Luís Colombini

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Realmente a cobertura do FMI poderá ser um bom case study nas faculdades de Comunicação. Um simples santinho distribuído pelo Camdessus foi tratado como a cartilha da pobreza pelo Globo. Humildemente, sugiro dar uma olhada na última edição da Dinheiro <www.revistadinheiro.com.br>. O próprio Camdessus me disse que continua o mesmo diabo de sempre. Abraços,

Milton Gamez, editor de Finanças da revista Dinheiro

Campos na Academia
Sobre a candidatura de Roberto Campos à Academia Brasileira de Letras: a revista Bundas insiste em criticar o escritor, já o Sr. Cony, da Folha, o defende. Quem está certo?

Haroldo Arruda

Alô, Tocantins
Eu gostaria de solicitar uma ajuda para tentar localizar algum jornal on-line no estado de Tocantins. Já procurei em vários sites de busca.

Anderson Marcelo

Quem retrata o Brasil real
No artigo Quem retrata o Brasil real?, Isak Bejzman mostra mais uma vez o abismo entre o país em que se vive e o que sai no jornal. Spacca

Obrigado, obrigado
Assisto ao O.I. na Cultura e sempre visito o site na net. Parabéns, Alberto Dines é o melhor jornalista do Brasil.

Eduardo Siqueira

Adorei a forma de os senhores apresentarem as notícias.

José Alves de Sousa

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Esta maravilha existe em banca?

Francine Lima

Nota do O.I.: Em banca, ainda não. Mas, graças ao apoio da Xerox do Brasil, temos uma versão impressa mensal que resume as duas edições virtuais do mês. Basta enviar nome, endereço e CEP a <obsimp@ig.com.br> para receber gratuitamente em casa.

Estadão e "condução"
Há várias edições o jornal O Estado de S. Paulo tem demonstrado claramente sua linha ideológica de conivência com o Poder Legislativo Federal. Na seção de Política do jornal, não passa um dia sequer sem que haja menção do nome do senador ACM, seja em destacada matéria ou no interior de outras. Tudo bem que ACM faz de tudo para aparecer, mas o jornal sempre cuida de destacar o lado "bom e justo" do senador. Rogério Reis de Oliveira

João Cabral ignorado
Enviei a mensagem abaixo à ombudsman da Folha.

"Prezada Sra. Lo Prete,

Morre um dos maiores poetas do mundo contemporâneo, diversas vezes cotado para receber o Prêmio Nobel de Literatura, e o maior jornal do país – pelo menos em circulação – não publica nenhuma linha, nem mesmo em Obituários.

Que a Real Academia tenha se negado a entregar o merecido prêmio ao nosso Cabral vá lá, mas que qualquer jornal brasileiro não tenha noticiado a morte para exaltar, mais uma vez, a obra e a pessoa desse formidável literato é um fato que merece o Prêmio Ignóbil de Jornalismo.

Dizem que no Brasil as personalidades só são lembradas quando morrem, a Folha nem isso teve capacidade de fazer.

Esse episódio retrata bem o que está acontecendo com o jornal, ou seja, como Vossa Senhoria mesmo já disse: a Folha ridiculariza as gafes dos outros ao mesmo tempo em que comete as suas próprias (imperdoáveis) gafes.

Triste, muito triste."

Guilherme Canela

Requião sub judice
Caro Alberto Dines, estar sub judice não significa – o sabe quem tem até o segundo semestre de Direito, condenação. Réu não é bandido. Se assim fosse, para que julgamento? Aliás, só os nazistas eliminavam mesmo sub judice. O pecado de Requião é estar sub judice? Não, errado. Desqualificar para se defender equivale a dizer que o dinheiro que roubei era de um ladrão. Ladrão que rouba ladrão... Então eu também poderia dizer que é sintomático que Dines esteja a favor da Editora Abril, e concluir que alimentam interesses escusos em comum. Ambos se sentem ameaçados pelas denúncias do senador. A espada de Dâmocles pende ameaçadoramente sobre suas cabeças. Quem desatará este nó górdio, em vez de cortá-lo, como o fez Alexandre, o Grande, perguntar-se-á por que Dines é panfletário com os não-alinhados ao des-governo de seu amigo FHC.

Gilmar Antonio Crestani

Veja no "social"
Depois das eleições de 89, em que particularmente a imprensa, ou grande parte, para não cometer equívocos, colaborou com Collor, cada vez menos se vê uma publicação inteligente com o seu leitor. Todos temos sidos tratados sistematicamente como idiotas consumidores ansiosos por algo novo. Veja, que é um dos pilares da comunicação brasileira, está manchando suas páginas com assuntos que estariam mais bem colocados num semanário do tipo Caras. Nas últimas edições parece que todo mundo saiu de férias, e sobrou a galera do "social". Não que não seja um trabalho este feito para o colunismo social. Mas não em uma revista como Veja.

Ricardo Santana, jornalista

Propaganda e liberdade
Baseado em matéria de Emir Sader, gostaria de sugerir um tema para o programa de Alberto Dines. Comunicação, propaganda e liberdade. A propaganda vem ameaçando a liberdade de comunicação. Liberdade é a satisfação de necessidades. E já que não existe liberdade para se alimentar, ter saúde, educação e a livre concorrência é uma balela – basta citar "A ditadura dos cartéis", de Kurt Rudolf Mirow –, simulam nos oferecer a liberdade de pensar e se expressar através dos meios de comunicação. Silvio Autuori

O pato pateta
No dia 6/10, o conjunto de rock Pato Fu, aqui de BH, ganhou a capa do caderno Magazine de O Tempo, por ocasião do lançamento de seu novo disco. Os rapazes, que conheci aqui quando ainda faziam shows em calouradas, choramingaram muito a respeito do fato de que Milton Nascimento não quis subir com eles ao palco, na festa da MTV. Oh, mundo cruel! Quando conversei com eles, ignoravam o Clube da Esquina, e também detratavam Beatles, Legião Urbana, todo o rock anterior a eles, com exceção do conjunto Sexo Explícito, de onde saiu o guitarrista John. Quando perguntada pelas raízes mineiras, Fernanda Takai sempre respondia – e respondeu ao Jô Soares – que nasceu no Amapá, embora conheça tanto de índio quanto o Sting.

Milton está com toda a razão. Para que fingir que é amigo de quem não tem interesse pelo próprio estado nem pela MPB? Viva Milton!!!

Lúcio Emílio do Espírito Santo Júnior

Ficou feio, Covas
Lamentável a entrevista do governador Mário Covas na estréia do telejornal São Paulo Notícias, em 4/10/99 pela Rede Record, às 13h. O governador passou total antipatia ao telespectador, que esperava esclarecimentos sobre a falta de segurança no estado. Mas o profissionalismo do repórter Wagner Império, dos apresentadores Miguel Dias e Eleonora Paschoal segurou o telejornal. Mário Covas deveria ter simplesmente cancelado a entrevista, ficaria mais elegante do que o descaso demonstrado à Rede Record. Será porque não são da Globo? Ficou feio.

Carlos Donizete de Lima

Itamar ou motoboy?
Quando poderei acompanhar, neste Observatório, análise isenta da cobertura da imprensa dita nacional sobre as atitudes do governador de Minas Gerais, Itamar Franco? Lendo o Estadão – tudo bem que é o Estadão – cheguei a acreditar que a popularidade do FHC, ou a falta dela, não passa de manipulação da esquerda-festiva. Depois, lendo a IstoÉ Dinheiro, comecei a achar que o buraco é mais embaixo. Vocês não leram? Pois é, e um amigo empresário de SP ainda me disse que a atitude do Itamar levaria as ações da Cemig para o buraco. Não satisfeita, li matéria publicada pelo "pai da ética", o New York Times, que me deixou preocupada. Eles falavam do Itamar ou do motoboy? Só faltou acusar o governador de estupro, em pleno Palácio da Liberdade. Façam-me o favor...

Sou jornalista formada pela PUC, curso pós-graduação em comunicação e estou muito confusa. O que sobrará para os 95% da população que se (des)informam lendo/assistindo jornais diários?

Daniela Serra

Matéria em vez de anúncio???
Por que não trocar um simples anúncio – nem sei bem quanto perderia um jornal por esse pequeno anúncio – por um artigo ou coluna que leve o leitor mais aéreo a se interessar pelo próprio mundo em que vive?

Guilherme Macedo

A Folha e o Acre
A maneira como o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, aborda a questão do Acre em relação ao narcotráfico e à Justiça é distorcida, por desviar o foco do problema. Todos sabem que no Acre o Estado perde a guerra para uma elite política corrupta. A oposição denuncia e luta, mas não tem culpa pelo caos atual. O PFL, sim. ACM, sim. E ninguém diz isto. Existia violência e corrupção no governo de Orleir Cameli. A senadora Marina Silva tentou por quatro anos instalar uma CPI. ACM vetou. O governador elege seu capitão de mato, e todos se "surpreendem" ao ver que o crime organizado domina vários estados brasileiros. No centro de tudo há partidos, sim, e responsabilidades partidárias, sim.

Jairo Menegaz




Continuação do Caderno do Leitor

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