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CIDADE DE DEUS
Veredicto popular

Quando assisti ao filme Cidade de Deus sequer tinha ouvido falar dele. Fui ao cinema, vi o cartaz, entrei, assisti e gostei. Creio que o filme seja bastante verossímil. Tem embutidas muitas mensagens. Por exemplo, os bandidos morrem no final não porque o filme queira imitar dramalhões mexicanos, mas porque esta é a realidade, os jovens, cada vez mais cedo, vão entrando para a criminalidade, poder roda rapidamente de mão em mão. E assim por diante. Creio ter sido o filme fiel à realidade que tentou retratar. Outra coisa: Cidade jamais se prestou a ser documentário.

Penso que o problema está nos tecnicistas: embrenhados em suas teorias, esquecem-se do que é prático. Conheço um monte de gente que saca muito as coisas, mas não tem a capacidade de transmitir. É doutor, mas vive em outro planeta. O veredicto sobre Cidade de Deus já está dado, e pelo povo. Essa gente tem que aprender a ouvir a voz do povo.

Luiz Faria

Narrativa envolvente

Não concordo com Antonio Brasil quando se referiu ao roteiro do filme Cidade de Deus. O fato de ser o "roteiro sem pé nem cabeça, de trás para frente" é uma estratégia de narrativa muito interessante e envolvente. Se para ele "a qualidade dos diálogos é duvidosa" é uma grande pena, pois, embora não seja um documentário, e sim, um filme de ficção, é dessa forma que traficantes e "quase lá" se comunicam, infelizmente. Assisti ao documentário Ônibus 174 e achei ótimo, mas esse sim, tem compromissos com a veracidade das informações. Cidade é um filme baseado num livro que mistura ficção com realidade, portanto o conteúdo não deve ser desprezado de forma alguma. Se nos bastidores aconteceu algo duvidoso e sem ética isso não influencia em nada a qualidade da película. Espero que Antonio Brasil tenha mais bom senso em suas críticas.

Ana Luiza Gomes

Comunidades esquecidas

Embora respeite a opinião de Antonio Brasil, discordo totalmente de seu ponto de vista. Assisti ao filme, achei-o chocante e contundente, que nos faz refletir bastante sobre as causas sociais da violência atual. No meu caso, e de todas pessoas que conheço que o assistiram, o filme provocou uma tremenda reflexão sobre a miséria brasileira e seus reflexos nos altos índices de violência. Discordo completamente da afirmação do autor de que o filme mostra o habitante da favela como marginal, malandro etc. Muito pelo contrário, muitos habitantes da favela são mostrados como trabalhadores e honestos (o que corresponde à realidade), que acabam convivendo com o crime, face a absoluta falta de opção (ou questão de sobrevivência).

Algumas pessoas que escreveram para o Observatório afirmaram que muitos riem ao assistir ao filme; ora, alguma parte do filme tem algum humor (mesmo que negro), todavia, a maior parte é tensa e séria. Achei a dinâmica do filme excelente. Os atores são muito bons (mesmo os iniciantes). Parabéns a todos que fizeram o filme por nos darem a oportunidade de conhecer a realidade destas comunidades, esquecidas pela sociedade dos "incluídos" e pelo poder público.

Rinaldo Freire de Carvalho Pires, Recife

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