RÁDIO BANDEIRANTES
Cidadania ou autopromoção

Como grande apreciador do Observatório, tenho certeza que esta mensagem surtirá os efeitos desejados. Costumo ouvir a Rádio Bandeirantes AM diariamente, antes do trabalho, e estou espantado com certas atitudes tomadas pela emissora. O referido veículo tem se destacado pelas "campanhas de cidadania" que lidera, principalmente em São Paulo. Entre elas estão a da limpeza da Estátua do Anhanguera e da atualização da Tabela do Imposto de Renda. Porém, considerando o que tenho ouvido nos últimos dias na emissora, começo a desconfiar do verdadeiro objetivo dessas campanhas. No caso da estátua, soube que a Bandeirantes ganhou um prêmio de cidadania por ter promovido a sua limpeza. Também descobri que a Câmara dos Deputados aprovou projeto a fim de discutir a atualização da Tabela do IR. Mas o que há de errado nisto tudo? A forma como a emissora veiculou estes dois fatos dá a entender que a sua real intenção era de promover a si mesma, e que a tão falada "cidadania" era apenas pano de fundo. Cheguei a essa conclusão porque a rádio insistentemente noticia o fato de ter recebido prêmios pelas campanhas que liderou. Com relação à estátua, eram as insuportáveis chamadas diárias sobre a realização da limpeza (eu ouvia pelo menos três por dia) e, no caso da tabela, a análise da Câmara foi veiculada como "uma vitória da Rádio Bandeirantes" pelo jornalista esportivo Ricardo Capriotti, esquecendo-se que a atualização beneficiará primordialmente as pessoas físicas.

Alexandre R. do Nascimento




CENSO 2000
Barato saiu caro

Em primeiro lugar, quero parabenizar a produção e os apresentadores pelo ótimo nível do Observatório e pelo interesse em tornar os fatos claros. Ontem eu assisti ao programa na TV e fiquei tentando falar no "0800", mas não consegui ser atendido. Fui Supervisor do IBGE para o Censo 2000 e o que vi não condiz com as afirmações do Dr. Sérgio Bessermann. O Censo 2000 pode ter sido um dos mais baratos do mundo, mas podia ter tido melhor aplicados os seus recursos. Exemplo: a locação de um Fiat Mille por sete meses, a R$ 65 a diária, que poderia ter sido convertido em bem da União e não em lucros para locadoras. Tivemos uma série de problemas que não pude saber se vão ou não ter solução, entre eles o não pagamento das verbas até o presente momento à recenseadores e supervisores. Os que receberam tiveram descontos estranhos, que nem a coordenadoria sabe explicar.

Márcio Cintra




OBSERVATÓRIO
Haia na Irlanda?

O Sr. Ulisses Capozoli escreveu um excelente artigo, mas o seguinte... Jornalistas fizeram feio! É verdade que a reunião sobre o clima foi um fracasso, mas mudar Haia da Holanda para Irlanda é um pouco de exagero? Ou houve uma grande catástrofe e eu não estou sabendo?

Giovanni

Luiz Egypto responde: Prezado, erros acontecem, no jornalismo mais ainda, infelizmente. Alguns são imperdoáveis, como este que você apontou. Foi receber a sua carta e consertar, no ato. Obrigado e fique sempre atento. (L.E.)



Leitura off-line

Sou leitor do Observatório da Imprensa. Gostaria de tentar dizer como faço para ler as edições na internet: acesso a página do Observatório que contém os links que desejo ler; 2 abro um programa de gerenciamento de downloads e defino uma pasta onde irei receber os textos do Observatório (Options/Destination folders). Eu utilizo o "Net Vampire" (http://www.netvampire.com); arrasto cada link da página do Observatório para o gerenciador de downloads. Desta forma, em menos de quinze minutos já tenho em meu computador toda a edição e posso ler qualquer dia e hora que desejar.

Eduardo Zanete




QUALIDADE NA TV
Mundo cão

Assistindo ao programa da Márcia da tarde de ontem (12/12), fiquei estarrecido com o nível dos programas da TV. Foi apresentada uma "reportagem" sobre um menino que tinha duas protuberâncias (ou caroços), uma de cada lado do pescoço. O tom de sensacionalismo por si já era desagradável. Mas o mais inacreditável é que aparecia no rodapé da tela a chamada "menino com chifres precisa de ajuda". Chifres! Ao mesmo tempo em que Márcia perguntava, com um tom de compaixão: "mas ele não sofre preconceito dos amiguinhos da escola?" Não preciso dizer que eu estava apenas "zapeando", mas com certeza os fãs de Márcia deveriam estar achando o máximo.

Luis Cabral




TV PAGA
Críticas à Net

Mesmo sabendo ser completamente inócuo, quero protestar novamente contra a imposição da operadora Net quanto à programação do canal Sportv reservada aos seus assinantes. Pasmem que, por obra e graça do delicioso monopólio do futebol no país, agora nossa escorchante mensalidade dá direito a termos de aturar a mesma programação de jogos da Rede Globo. Ou seja, pagamos pelo direito de escolher em qual dos canais assistiremos o mesmo jogo. E pensar que a Globo anda preocupada com a liberdade, a democracia e, certamente, com os direitos dos consumidores... Pena que infelizmente o convívio com a ditadura e suas imposições deixa marcas difíceis de serem superadas. Como disse pela enésima vez a uma das atendentes da Net pelo telefone, eu e certamente milhares de outros assinantes vamos ter de continuar pagando nossas mensalidades, sob o risco de termos de enfrentar a qualidade que a TV aberta nos reserva.

Luiz Serenini Prado




PELÉ, MARADONA & JUIZ
Hipocrisias

Tenho 43 anos e quase terminei a faculdade de comunicação, na qual pretendia seguir o curso de jornalismo. Lembro-me que a primeira lição que tive foi de que deveria dar as notícias sem me deixar envolver ou passar sentimentos que tivesse com relação a estas; que como jornalista deveria ser imparcial em minha narração. Imparcial, precisa e clara. Hoje, vejo jornalistas ocupando as primeiras páginas de vários jornais, acompanhados de diversos comentaristas esportivos, irem às raias da emoção, tentando denegrir a imagem da FIFA e de Maradona, por ser este um viciado em cocaína. Ora, se vamos deixar a emoção falar mais alto, por que Pelé, que não teve o caráter de assumir a filha que provaram ser sua, é mais merecedor de um título de maior jogador do milênio? Se um desportista é julgado não só pelo que chutou, mas também pelo caráter, não creio que nós brasileiros tenhamos tanto direito de ficar atirando pedras como se santo fosse nosso chamado rei. Quanto às algemas do Juiz Nicolau, melhor seria que lutássemos para que ele e muitos outros pagassem realmente pelo mal que fizeram à Nação e pelo desrespeito que trataram seus compatriotas. Mas, infelizmente, sentimentos de nacionalidade e respeito ao nosso solo são ao que me parece, sentimentos em extinção. Juiz Nicolau será como Luiz Estevão, Jorgina e muitos outros, com suas falsas CPIs. O Brasil adora mostrar a roupa suja ao seu povo e depois recolocá-la no cesto sem que nenhuma mancha ou sujeira lhes sejam tiradas. Perdoe-me por me alongar, mas uma algema é fácil de tirar, difícil é fazer justiça e mostrar ao povo que merece respeito por parte das autoridades.

Eliana Moreira




PRISÃO DE LALAU
Negociação legítima

A prisão do juiz Nicolau é o típico caso em que a negociação envolvida era um meio plenamente justificável para se atingir a paz publica e de possível consecução da justiça. Para se chegar a esta, qualquer espécie de negociação preliminar é instrumento cabível, tanto é assim que o direito brasileiro adota, nos processos, o princípio da instrumentalidade das formas, onde o fim processual é beneficiado em face de eventuais vícios sanáveis. Em razão da celeuma publica, a negociação para a prisão é mera formalidade. Pensar muito diferente disso é querer achar brecha de ataque às instituições como a própria Polícia Federal ou o Ministério da Justiça, e daí buscar minar a própria legitimidade democrática pautada nessas instituições, o que é desserviço público mais sério.

Alexandre Pontes




BARRIGA
Colunistas se atrapalham

A culpa não é deles, diga-se de passagem. É um episódio isolado e não representa nenhum demérito vergonhoso que vá abalar as suas respeitabilíssimas carreiras como colunistas políticos. É um hábito tipicamente brasileiro depositar a confiança em números, estatísticas e índices percentuais e colocá-los nos mesmo patamar de importância de declarações ou documentos escritos. Isto quando simplesmente não se substitui uma coisa pela outra. Porém, não se pode negar que o jornalismo na Grande Rede, um meio de comunicação que ficou marcado por propagandear aos quatro ventos, uma precisão cirúrgica sem precedentes no transporte de informações e, ao mesmo tempo, representar o emblema máximo para o genocídio dos jornais impressos do mundo inteiro, não está imune a desencontros dessa natureza. Basta comparar as informações dos tijolinhos recolhidos hoje nas colunas de dois jornalistas nacionalmente conhecidos:

Ninguém segura o Brasil (Ancelmo Góis, em Noticia e Opinião) - "Segundo o vetusto The Chicago Tribune, dos 850 carros que ganham blindagem em todo o mundo a cada mês, 250 a 300 são do Brasil. A pouco lisonjeira liderança reflete o medo dos ricos daqui com o avanço da criminalidade."

Medo nas ruas (Cláudio Humberto, na versão on-line da Tribuna da Imprensa) - "Segundo o jornal arg(h!)entino Clarín, já circulam no Rio e São Paulo cerca 2000 carros blindados, e não apenas carrões vistosos de milionários: 20% pertencem a profissionais liberais. Na Argentina, diz o jornal, são apenas 35, mas os empresários do setor acreditam que em breve será o dobro."

Erraram os colunistas ou as fontes que serviram de subsídio?

Fabio Leon Moreira



Volta ao índice





Use o e-mail para nos mandar sua contribuição


Para garantir a publicação de sua correspondência, use correio eletrônico. Críticas e denúncias contra veículos de comunicação citados nominalmente serão submetidas aos mesmos, para que tenham oportunidade de resposta simultânea à publicação da crítica ou denúncia.

Clique aqui para enviar sua mensagem




Observatório | Índice da edição | Busca | Objetivos | Purposes
Caderno do Leitor | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você