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TELEJORNALISMO
Sociedade em transição

Interessante e oportuno o artigo de Antonio Brasil sobre a queda dos índices de audiência de telejornais. Espero que esse Observatório continue a explorar o tema.

Alguns pontos para o debate:

** A audiência de telejornais "sérios" está em queda. Ok. Mas a questão pode ir além de discussões sobre formato. Já há literatura em estudos de comunicação que analisa a queda de interesse do público pelos assuntos em si: política, economia, sociedade, religião etc. O ponto levantado por pesquisadores é a inanição das instituições próprias das sociedades liberais contemporâneas, que pouco ou nada falam ao cidadão-telespectador. E há ainda a complexidade inerente – e cada vez mais acentuada – a esses assuntos, distanciando-os assim do cidadão "comum".

** A crise dos índices medidores de audiência. Há argumentos que colocam no chão o real valor desses índices, questionando a relação "audiência = aceitação" do conteúdo televisivo e levantando profundas dúvidas sobre a própria existência do que se convencionou chamar "audiência" – uma construção simbólica feita para dar forma mercantil ao produto televisivo, financiando, via mercado publicitário, o aparato da indústria.

O que está por trás dessa queda de audiência, a meu ver, é a transição de uma sociedade moderna, capitalista, para uma sociedade pós-moderna, pós-capitalista – e a decorrente crise das instituições que modelaram a primeira, caso dos jornais impressos e, numa segunda fase, o jornalismo eletrônico. É para fazer pensar.

Ubiratan Muarrek, São Paulo

 

IMPRENSA OMISSA
Embratel perde, mídia não vê

Sou advogado e diretor-jurídico do Instituto Pró-Consumidor-RJ. Assisto sempre ao programa e entendo a importância da crítica construtiva.

No dia 15/8/2001, conseguimos uma sentença de enorme importância no Rio de Janeiro, obtida na 4ª Vara de Falências da Capital diante da Embratel, em ação civil pública.

O motivo da ação: a empresa vinha realizando cobranças retroativas e com prazo excedido na mesma fatura mensal, submetendo os consumidores ao ridículo, comprometendo seus orçamentos mensais e com a ameaça de inclusão dos não-pagantes nos cadastros de maus pagadores.

A sentença é a primeira a declarar a nulidade das cobranças, e a empresa deixará de arrecadar R$ 300 milhões. Com isso, 600 mil clientes deixaram de ser prejudicados em seus orçamentos. A pena pelo não-cumprimento é de R$ 50 mil.

Essa notícia foi publicada em notas muito tímidas nos jornais O Dia, O Globo e Gazeta Mercantil. Esta omissão se deve provavelmente ao fato de ser a Embratel uma empresa de enorme poder econômico, podendo ameaçar jornais de retaliação, em total desrespeito aos consumidores e ao Poder Judiciário.

Alexandre Barros



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