|
MÍDIA E DROGAS
O pensamento pré-lógico
Não sou cientista, nem a autora do artigo. Da minha curiosidade pelo tema chego a conclusões um pouco diferentes da jornalista. Existe ciência e pseudociência. Existem pessoas honestas e desonestas. O fato de o brócolis ser bom um dia e ruim no outro seria uma evidência da ausência de dogmatismos. Associar isso a um interesse econômico (hipótese que pode se mostrar válida) sem comprovação é fazer uma associação entre dois eventos que se sucedem como se um fosse conseqüência do outro (nada científico).
A ciência não se propõe a ditar verdades. Propõe-se a aceitar hipóteses, temporariamente, até que estas sejam substituídas por outras. Karl Popper dizia: só é científico o que pode ser demonstrado incorreto. Pena que a jornalista não tenha se preparado melhor para fazer uma crítica pertinente do mau uso da ciência, da pseudociência e da falta de pensamento científico no nosso dia-a-dia. Embrulhou tudo num único pacote, misturou alhos com bugalhos e destilou sua ira contra isso tudo.
Precisamos de pessoas que possam traduzir o jargão científico para o público leigo e ajudar-nos a sair do obscurantismo intelectual do pensamento pré-lógico para algo mais compatível com a nossa (pretensa?) condição de seres racionais.
Roberto Cooper
Pouco mudaria no país
Meu caro Tom, se você tivesse escrito que é preciso legalizar as drogas porque não sabemos com resolver esse problema acho que teria sido mais correto. Não entendo por que pessoas que defendem a liberalização das drogas acham que com ela as coisas serão diferentes no nosso país. Como se o nosso serviço público de saúde fosse funcionar perfeitamente para atender viciados, como se nossas autoridades políticas e policiais estivessem livres de ser subornadas por inescupulosos, como se houvesse um controle eficiente da qualidade e da distribuição desses produtos para a população, como se os tecnocratas de plantão fossem aplicar todo o dinheiro arrecadado em impostos no tratamento dos usuários (lembra da CPMF para a saúde?). Por fim, acho que nosso sistema educacional, que mal dá conta de alfabetizar nossos alunos, teria pouco a contribuir para o esclarecimento de nossos jovens sobre drogas. Já não o fazem sobre cigarros, bebidas, sexualidade, Aids e mesmo sobre drogas ilegais, por que com a legalização seria diferente? Não somos a Suíça e não vai ser permitindo a total liberalização das drogas que seremos. Aliás, os suíços já fizeram algumas experiências nesse sentido e, pelo que me consta, não se deram muito bem.
Antonio Carlos de Carvalho

|