ALTA DO DÓLAR
A maior da história

Senhor redator e senhor editor de Economia do Correio Braziliense: por que todos os jornais, inclusive o Correio, insistem em nos "informar" que o dólar vem atingindo "a maior cotação desde a criação do real"? Por que não informam que estes recordes são, na verdade, absolutos, valendo para toda a história do Brasil? Quando o real foi criado, em 1/7/1994, com CR$ 2.750 (cruzeiros reais) se podia comprar um dólar ou trocá-los por um real. Hoje você precisaria de CR$ 6.050 (2,2 x 2.750) para comprar o mesmo dólar.

O mesmo acontece para qualquer outro padrão monetário brasileiro anterior que se converta para os valores atuais. Por que os jornais são tão "caridosos" no mister de evitar que seus leitores percebam cruamente a realidade que vivemos e possam então se esforçar por mudar o atual modelo socioeconômico-ambiental?

Transcrevo o terceiro parágrafo da matéria de Neusa Ramos, do Estadão:

"O BC interveio quando a moeda disparou para R$ 2.216, batendo novo recorde desde a implantação do sistema de livre flutuação, em janeiro de 1999."

Ora, é só visitar as séries de cotações do dólar, disponíveis no sítio do Banco Central, e verificar que em janeiro de 99, o maior valor do dólar foi R$ 1,99 (29/1), em fevereiro, R$ 2,03 (25/02), e em março, R$ 2,16 (3/3). Portanto, o que a Neusa quis nos "informar"?

No mais, a matéria "informa" que os atuais recordes do dólar se referem à "era do real", como se antes ele já tivesse valido mais do que atualmente.

Transcrevo o terceiro parágrafo da matéria de Gabriela Esper, na Folha de 20/4/200:

"O mercado de câmbio está pedindo desesperadamente uma intervenção do Banco Central. A moeda norte-americana já está sendo negociada com sua maior cotação de todos os tempos, vendida a R$ 2,270, com alta inédita de 3,65%."

Dá-lhe, Gabriella, assim é que se escreve. "A maior cotação de todos os tempos"!!!!

Joaquim Moura



PROPAGANDA OFICIAL
Querem gororoba?

Gostaria de dizer que acho uma pena que o governo federal tenha apelado para uma campanha televisiva com crítica ao MST e bobagens oficialistas como a "agenda positiva" – será que alguém engole esse tipo de gororoba? Enquanto isso, a corrupção corre solta no governo, e os sem-terra continuam precisando, mais do que de um lote de terra, de justiça social.

Seria de muito melhor proveito se o governo aproveitasse o horário gratuito para, por exemplo, conscientizar a população para o avanço da Aids e as medidas de prevenção, como o (famigerado) Fernando Collor chegou a fazer certa vez em cadeia nacional; ou então para fazer, sim, propaganda, mas contra as drogas – e não contra o MST.

Eduardo Bassakin



MINISTÉRIO PÚBLICO
"Achador" é melhor

Acredito que os profissionais da mídia já observaram que as investigações feitas pelos procuradores do Ministério Público, na maioria das vezes, não alcançam Suas Excelências que desviam o dinheiro público. Afinal, quem rouba é bandido, os maiorais desviam. Chique, não?

As investigações são realizadas com todas as dificuldades imagináveis, e quando se obtém êxito os relatórios são entregues aos conselheiros nomeados pelos partidários dos investigados. E aí, se der para abafar, abafa-se; para levar com a barriga, leva-se; chantagear os acusados de rabo-preso, faz-se; enfim, só resulta em prisão e punição quando os fraudadores não têm costas largas, digo, suficientemente larga$, para suportar a pressão da indignação da opinião pública, cada vez mais presente.

Um importante aspecto semântico da função/cargo dos procuradores não é percebido ou levado em consideração pela mídia e a população. Os procuradores procuram, procuram e procuram de todas as maneiras fazer valer suas investigações e apurações, mas não conseguem. Proponho renomear a função ou cargo: em vez de procurador passa a achador.

José Renato Almeida, Salvador



OBRIGADO, OBRIGADO
Não me decepcionem

Sou estudante secundarista e, por estar vivendo o ano mais alienante da minha vida, (vestibular!) tenho pouco tempo para me ocupar com coisas que não dizem respeito à reprodução das abelhas ou à nomenclatura dos ácidos. O que me conforta é saber que pelo site de vocês eu posso sempre contar com informações confiáveis e críticas inteligentes a respeito do que anda acontecendo. Sempre que posso, acompanho alguns programas e revistas que se dizem imparciais (não vale a pena citar nomes...), só para depois me "divertir" com as críticas que vocês fazem às abordagens medíocres e às baboseiras a que freqüentemente somos submetidos.

Eu realmente acredito que a imprensa deve vigiar o que a própria imprensa divulga, para privar o público de gafes imbecis. É incrível o poder que a mídia tem sobre as pessoas em geral, principalmente sobre a classe média, que assina n revistas semanais, assimila as informações (e a posição dos autores, sem nem questioná-los), e se julga apta a ser chamada de "elite intelectual" – acreditem, tenho o exemplo dos meus pais em casa. A responsabilidade social dos meios de comunicação é enorme de transmitir a realidade dos fatos e fazer com que as pessoas tirem suas próprias conclusões.

Bom, todo mundo sabe que não é todo jornalista que consegue transmitir a informação do jeito que bem entende, sem interferência da mídia em que trabalha. Vocês tem a autonomia que um jornal precisa e devem exercê-la sempre. Espero não me decepcionar com uma das poucas fontes de informação que não me fazem desistir de ser jornalista.

Barbara Almeida



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