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Edição de Marinilda Carvalho

Rende excelente estudo de caso o episódio da detalhada matéria do Estado de S.Paulo online sobre a visita de José Serra a Palmas, quando na verdade o candidato cancelou a viagem a Tocantins devido ao mau tempo.

Preparar matéria fria para adiantar fechamento é prática comum em redação. Duvido que haja um editor (ou "fechador" de página) que nunca tenha recorrido a esse expediente. A matéria verdadeira só entra no "buraco" mais tarde, no segundo clichê. É errado? É. Mas a maioria dá sorte. O Estadão deu um grande azar. A incompetência ajudou, claro, porque faltou esperar o sinal verde da repórter. (A propósito, uma boa repórter, muito séria. É preciso saber, antes de acusá-la, se ela escreveu mesmo aquele texto apologético).

Pois São Pedro atrapalhou o candidato do governo e da grande mídia. Para o Estadão sobrou um enorme, um devastador castigo: informar que a visita fora cancelada e assumir que a festiva matéria sobre a recepção calorosa a Serra não passara de torcida do jornal.

Outro estudo de caso promissor seria o papel dos blogueiros na divulgação da farsa. Anunciada primeiro pelo site de Ciro Gomes, a notícia se espalhou como fofoca de comadre no interior.

O destaque desta edição do Caderno do Leitor, claro, é esse vexame.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Estadão com Serra em Palmas

O texto a seguir é do blog Repórter Mosca <http://mosca.blogspot.com):

"A Agência Estado http://www.estadao.com.br/agestado publicou texto narrando a passagem de José Serra pela cidade de Palmas, em Tocantins. Publicada às 13h07, a matéria dizia que "Serra participou de uma carreata (...) e fez um comício que, segundo cálculos da organização, reuniu cerca de 20 mil pessoas". Às 17h40, no entanto, em outra nota http://www.estadao.com.br/eleicoes/noticias/2002/set/20/208.htm, a AE informava que Serra cancelara a viagem a Tocantins. As explicações vieram somente às 21h09, quando, em nova nota http://www.estadao.com.br/eleicoes/noticias/2002/set/20/311.htm, intitulada "Correção", a AE pediu desculpas aos leitores, inocentemente alegando o seguinte: "Por erro técnico, a Agência Estado veiculou hoje, às 13h07, em seu site na internet, texto relatando uma suposta visita do candidato à Presidência da República José Serra à cidade de Palmas, capital do Estado do Tocantins. A visita, que constava da agenda do candidato, não existiu: foi cancelada à última hora. A repórter enviada ao Tocantins redigira um texto preliminar, com embargo interno, com o propósito de deixar arquivadas no sistema as informações que já colhera no local, enquanto aguardava a chegada do candidato. Após a visita do candidato, que acabou não acontecendo, as imperfeições do texto seriam corrigidas e dariam lugar ao relato fiel dos fatos em versão definitiva."

O Estadão retirou a matéria do site. O pessoal do Ciro Gomes imprimiu, escaneou e publicou no site do candidato a notícia original (ver no endereço www.ciro23.com.br/23/noticias/vernoticia.asp?id=1655&area=RO2). Um erro: poderiam ter capturado a tela, seria mais fácil de acreditar. Mas como a nota de correção realmente existe é porque tudo isso de fato aconteceu.

Raphael Perret

 

Fraude e mentira em Tocantins

Aliança Serra-Estadão: a mídia venezuelana fez escola. Ultrajante talvez seja a palavra. Nojento. Escroque. Rapidamente: sexta passada (20/09), às 13:07, foi ao ar uma notícia no portal da Agência Estado dizendo que o Serra foi para Tocantins em um comício onde havia 20 mil pessoas, onde estavam 134 dos 139 prefeitos da região e outras coisas mais. O problema não é que não havia 20 mil, nem que o número de prefeitos não era esse. O Serra não foi para Tocantins!

A própria agência Estado publicou depois "Serra cancela viagem ao Tocantins", às 17:40, e tirou do ar a "notícia" antiga e mentirosa. A falcatrua pode ser encontrada no site do Ciro Gomes – que faz acompanhamento da mídia por motivos óbvios.

Poderia ser mentira do pessoal do Ciro Gomes (e mesmo o fac-símile da notícia que o site apresenta poderia ser falso), mas perguntei ao pessoal do Comitê do Lula e eles viram também o absurdo, mas não deu tempo de pegar a imagem, tirada depressa do ar. Fonte: <http://emcrise.blogspot.com>.

André Deak

 

Fabricantes de notícias

Assisto, escandalizado, aos programas eleitorais gratuitos, que vão terminar nos custando muito caro. Para começar: quem está interessado em financiar campanhas caríssimas, com ares de talk show, artistas contratados a peso de ouro, sem contar o hábito de molhar a mão dos "fabricantes de notícias" no rádio, na TV e nos jornais? Viram a matéria da repórter Renata Giraldi, do Estadão? Que vergonha!

Num país de analfabetos funcionais, produzidos pelo desgoverno de décadas, inclusive a última, é vergonhoso e temerário ver a sucessão presidencial sendo feita por marqueteiros profissionais, especializados em desconstrução de pessoas. Basta acessar o site do candidato tucano para ver os "pitacos" do publicitário Nizan Guanaes sobre outra arte que não a "marquetagem desconstrutiva".

Não é humilhante, para nós, brasileiros, vermos o processo sucessório sendo comandando por marqueteiros, capazes de travestir uma fera em cordeiro? Até onde vai o descompromisso dos desconstrutores de biografias sérias e honradas, sem "penduras" com o Banco do Brasil, sem "lotes à meia com contraparentes", sem a máquina pública e a pena dos poderosos da imprensa sendo usadas 24 horas por dia e outros constrangedores e vergonhosos favorecimentos da "viúva"?

Queremos eleições reais, com voto em cédula de papel – o "online" é suspeitíssimo – e a presença urgente da Transparência Internacional, de observadores que apontem: "O rei está nu"; caso contrário é golpe!

Gilberto Gonçalves

 

Dia de luto para a imprensa

Como a imprensa brasileira tem trabalhado... Matéria da Agência Estado dava conta de uma viagem do candidato José Serra ao Tocantins que nunca aconteceu. O mau tempo fez o presidenciável cancelar a visita, mas a matéria da agência informava quantas pessoas participaram do comício dele em frente ao shopping de Palmas, por onde passou a carreata, o apoio de 134 prefeitos e do governador e outros detalhes só cabíveis a um acontecimento verdadeiro e não fictício. Lamentável. Tenho vergonha de ser jornalista quando vejo essa imprensa chapa-branca em ação. Não importa quem é o candidato ou o que será do Brasil. A notícia vai ao sabor da valsa, dos interesses dos donos de jornais. Fatos? Para que fatos? Quem se importa? Esse foi um dia de luto para a imprensa que ainda leva os acontecimentos em consideração quando vai veicular uma reportagem.

Valéria de Oliveira

 

Acidente ou não, um escândalo

Provavelmente, é uma matéria antecipada, com embargo, e que alguém, imprudentemente, jogou no ar. Mas em tempos de eleição, em que a mídia não vem se comportando tão franciscanamente, a suspeição torna-se inevitável. A lógica nem sempre é verdadeira, mas fugir dela é muito difícil. A Agestado, em despacho nesta sexta-feira, às 13h07, colocou no ar matéria assinada por Renata Giraldi descrevendo o sucesso da passagem de Serra por Palmas, Tocantins. Descreveu como ele foi recebido no aeroporto, quais os políticos que lá estavam, como foi a carreata e citou até o número de presentes ao comício no centro da cidade – 20 mil pessoas. Uma visita rápida que, segundo a matéria, durou quatro horas.

Bela matéria, bem-escrita, fatos precisos, só um problema: Serra não foi a Palmas. Ficou retido em São Paulo. Pela lógica, a agência na verdade está prestando assessoria ao candidato tucano. Até mesmo porque muitos fatos de campanha de Ciro, que ocorrem pela manhã ou no início da tarde, costumam ir para o ar somente à noite, quando os jornais já estão fechados.

Existirão vários argumentos para justificar o escândalo, até mostrando que não é escândalo. De que lado está a mídia? O fato é grave – grave não, gravíssimo. Nunca vi isso no jornalismo brasileiro. Tudo bem, alguém cometeu uma imprudência ao puxar uma matéria para o ar antes de os fatos ocorrerem. Matéria de gaveta, fria. Mas se não era o Chico Xavier que estava por trás da matéria – e ele não estava, porque toda a matéria se caracterizou como falsa –, então é lícito a gente ficar com a orelha em pé, principalmente quando sabemos que toda a mídia, como establishment, está com Serra.

Para mim, a Agestado é a melhor agência do país – conta com um pessoal qualificado e dedicado ao bom jornalismo. Entretanto, há no ar algo mais que avião de carreira. Independentemente dos aspectos eleitorais, presentes, não podemos fugir deles, o assunto é relevante.

Davi Emerich, jornalista e dirigente do PPS

 

"Matéria" faz sentido

Que absurdo, que coisa deplorável. É indispensável que o Observatório se posicione e faça com que a sociedade fique sabendo deste tipo de coisa. Não é de estranhar, tomando-se conhecimento desse fato lamentável e detestável, o editorial de O Estado de S. Paulo na capa do site de José Serra. E a "matéria" publicada pela Agência Estado faz sentido, pois sexta-feira o Ibope mostrava queda de Lula: nada melhor do que "20 mil pessoas", um passeio pelo bairro "Aureny (um dos mais pobres)" e "134 prefeitos" de um estado para a imagem de Serra.

E essa repórter, quem é? É comum essa prática entre os jornalistas? Há pressão de editores? Sugiro, por que não?, que o tema seja tratado no Observatório na TV, terça- feira. Aliás, passando os olhos por Veja, IstoÉ e Época desta semana, fico cada vez mais deprimido e achando esta profissão uma sacanagem só.

Carta Capital, contudo, há Janio de Freitas, há Bob Fernandes, e as esperanças não morrem.

Felipe Lenhart, estudante da Unisul

 

OI "diário" e "conivente"

Como a matéria pré-editada, pré-aprovada, pré-publicada no site do Estadão, depois negada vergonhosamente em mea-culpa, ainda não está comentada ou mesmo mencionada no site? A demora em comentar não seria uma forma de conivência também?

Luiz Henrique, Bahia

Nota do OI: Prezado leitor, poderia ser qualquer coisa – não fosse o Observatório um veículo semanal.

 

Estadão com Serra

Quando estava na faculdade de Jornalismo me fizeram ver que havia dois grandes jornais no país com posições ideológicas díspares. A Folha, com seu modernismo aparente e sua pretensa isenção, e o Estadão, assumidamente liberal. Para não me alongar muito vou direto ao ponto. Sei de tudo isso, mas quando abro o Estado de sábado (21/9) e vejo na primeira página a queda de dois pontos percentuais de Lula pela pesquisa Ibope e hoje (22/9) nada sobre a pesquisa divulgada por toda a imprensa feita pelo Datafolha, na qual Lula sobe quatro pontos e por muito pouco não ganha no primeiro turno, pelo menos na previsão, fico decepcionado com a imprensa da qual faço parte.

Luiz Carlos de Oliveira, São Paulo

 

Subjetividade em xeque

O pior de tudo é um jornal escrever um editorial tão escancarado a ponto de ser usado como arma de campanha no site de um candidato, como o editorial do Estadão foi usado por José Serra. É muita esculhambação...

Ariett Gouveia


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