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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Cadê o diploma do Serra?

Acompanhando o horário político, notei que os ataques de Serra a Ciro cessaram e que o candidato do PSDB passou a atacar Lula, especialmente por este não ser formado. Qual a surpresa quando leio hoje na Folha que Serra também não é formado, que ele não chegou a completar o curso de Engenharia. No Chile fez mestrado e, nos EUA, doutorado. Como é possível que ele faça pós-graduação sem fazer graduação? A primeira é restritiva aos possuidores do diploma de bacharel. Como ele pôde passar no concurso de provas e títulos da Unicamp sem o título básico?

A Folha não aprofundou a matéria, e eu, como leitor, fiquei curioso. Na verdade, lembrei de Bernardo Cabral, que em seu currículo colocou ser doutor pela Sorbonne, e foi desmentido pela própria universidade francesa. Lembrei-me, também, do caso de um deputado conservador do Reino Unido, que fazia campanha pela família etc. e teve de renunciar por causa da descoberta de uma amante.

O papel da imprensa é este, instigar o leitor e, como na série (antiga) do Batman, fazê-lo esperar novos movimentos (para vender o jornal do dia seguinte?). Brincadeira. Mas não faltou aí explorar mais o filão?

Marcio Horta, São Paulo

 

Botem a faixa logo no Guanaes

Meu Deus! Quer dizer que quem escolhe o presidente é a imprensa? Botem logo a faixa no Nizan Guanaes, é mais prático. Para não estragar a máscara do Serra.

Rejane Albuquerque Limaverde

 

A "tucanização" da Folha

Sou assinante da Folha (apesar de morar em Belo Horizonte ) e tenho defendido a suposta imparcialidade do jornal. Mas o que li no domingo (15/9) na seção "Réplicas" me deixou estarrecido. Trata-se de uma resposta do repórter Fernando de Barros e Silva a uma coluna do ombudsman Bernardo Ajzenberg, que alertava a Folha sobre uma suposta "tucanização" de seu noticiário.

Tenho em mente que a mídia, como a sociedade de onde ela emerge, é parcial em suas posições. Porém, sei que têm sido criados instrumentos para a correção destas distorções, e a Folha foi quem me convenceu disto.

Até domingo eu acreditava que havia um conselho que verificava os comentários do ombudsman e dos leitores para as devidas reparações. Mas, pelo visto, não é assim que acontece...

** Se a função do ombudsman é observar distorções e enviar as críticas aos leitores e ao jornal, Bernardo Ajzenberg fez o que era de sua competência, e o que se esperava é que o jornal analisasse as críticas para que pudesse ser cada vez menos parcial.

** Caso tenha havido um engano por parte do ombudsman, não seria melhor escrever um texto apenas mostrando o "outro lado"?

** Acredito que um jornal como a Folha é formado por profissionais competentes, portanto, o ombudsman, não seria despreparado, certo? Então, por que tentar desqualificar seu discurso? (O editor sugere que a crítica seja "ataque especulativo").

** Se o que a Folha quer é reparar possíveis erros, por que desqualificar o próprio ombudsman? Segundo Fernando de Barros, Bernardo Ajzenberg transformou sua coluna em propaganda política do PT.

** Se a Folha e o editor tendem a ser imparciais, por que, numa suposta crítica à coluna do ombudsman, Fernando de Barros tece críticas ao PT e à candidatura Lula?

** Se vários governos e prefeituras de vários partidos estão sendo investigados, por que só o PT está "sob suspeita"?

São questões que ainda me indago. Acho que a Folha deve, sim, se defender, porém tentando mostrar suposto equívoco por parte de seu funcionário, e não tentar desmerecê-lo. E eu que não tinha posto em questão a imparcialidade da Folha neste processo eleitoral me pergunto: dá para acreditar?

Frederico Carvalho Dias, Belo Horizonte

 

A "tucanização" da Folha II

Adorei essa matéria! Sou assinante da Folha e estou indignada com tanta parcialidade explícita. Nos outros processos eleitorais, os textos tendenciosos tinham lugar nos editoriais, preferencialmente. Desta vez, as letras garrafais dos títulos das matérias já expressam esse jeito de ser parcial. Lamentável, num momento político em que, queremos acreditar, estamos evoluindo no processo de consolidação dessa precária democracia. E o pior, a Folha é conceituada por sua reconhecida neutralidade...

Angela Maria G. Moraes de Souza

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Bate-boca na Folha desvenda parcialidades – A.D.

 

Ainda a Folha canhota (?)

Comentei na edição passada do OI a desconhecida Folha "canhota" do estudante de Jornalismo Alex Gonsalves. A minha discordância principal era sobre a afirmação do futuro colega de que a Folha de S. Paulo "é a favor do candidato de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva". Alex respondeu a minha indagação "Que Folha canhota?" citando a professora Maria Alice Faria, a quem respeito muito e de quem conheço as publicações.

Mas citarei meus mestres como referência bibliográfica e jornalística. Começo pelo jornalista Alberto Dines, em artigo neste site, com o título "Bate-Boca na Folha desvenda parcialidades": percebe-se que na redação do jornal a linguagem jornalística está mais para a da torre de Babel. Com o objetivo de enriquecer os conhecimentos do futuro colega, sugiro também a leitura do artigo do professor Bernardo Kucinski, "Folha de S.Paulo: Rabo preso com quem?". Talvez, como estudantes de Jornalismo, nós consigamos identificar o que prendeu o rabo do famoso jornal e possamos serrar.

Sempre priorizando a informação como contribuição a nossa formação profissional, posso enviar-lhe o artigo do respeitado ombudsman da sua Folha "canhota", o jornalista Bernardo Ajzenberg, que encerra a coluna do dia 8/9 com os comentários: "Para um jornal que promete isenção no noticiário, os últimos dias – a apenas quatro semanas do pleito – registraram momentos infelizes, e não foram poucos. A Folha tem um capital de credibilidade acumulado a duras penas, ao longo de vários anos. Na reta final das eleições, ainda mais num quadro tão indefinido como o atual, tudo o que ela e seus eleitores necessitam é que esse capital não seja abalroado. Os exemplos aqui mencionados mostram que os riscos de isso acontecer existem, sim. Fechar os olhos para negá-los seria o pior caminho."

No mesmo dia enviei e-mail a Bernardo Ajzenberg, parabenizando-o pela clareza da coluna e pela aula sobre a função do ombudsman. Só por curiosidade, o título da mensagem: "O pior cego é aquele que não quer ver".

Não posso deixar de citar frase do grande mestre Mino Carta no livro sobre a vida de Cláudio Abramo: "A presença de profissionais competentes, de grandes jornalistas respeitados pelas redações atrapalha o sucesso do feudo e compromete os interesses de quem manda (...). A imprensa serve ao poder porque o integra." É a regra do jogo, futuro colega Alex, e quero cumprimentá-lo, afinal somos candidatos a foca, eu e você, e quem sabe em breve poderemos estar navegando por um desses mares da informação. Uma das principais características da nossa futura profissão é achar que podemos modificar o mundo, porque o jornalista, antes de tudo, é um inconformado. Todo indivíduo que adota esta profissão tem que ter uma dose de indignação. Não se conforma com a mentira, com a injustiça, com a desigualdade.

Quanto à insistência da Folha, que você chama de "canhota", em declarar sua "neutralidade", vou contar o que os romanos há séculos falavam da mulher do imperador: "Não basta à mulher de César ser honesta, ela tem que parecer honesta."

Celso Jardim, 4º ano de Jornalismo (48 anos, formado em Biomedicina na Escola Paulista, com especialização em Patologia, há 25 anos)

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Que Folha canhota? e Alex Gonsalves responde – no Caderno do Leitor (rolar a página)

Folha canhota – Alex Gonsalves

 

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