27/05/2003 3/10

Envie para um amigo  Procure no arquivo

O GOLPE DOS CARTOLAS
Estatuto do leitor já!

Como é que pode um jornalista da TV Globo – a maior e mais assistida TV brasileira – dar uma informação tão estapafúrdia quanto a que o repórter Tino Marcos forneceu ao encerrar o Jornal Nacional de 21/5/03, ao afirmar que os dirigentes esportivos estavam até aquela hora reunidos com o ministro Agnelo Queiroz, em Brasília, por não concordarem, entre outras coisas, com o artigo 19 do Estatuto do Torcedor, que diz, segundo o repórter, que os dirigentes serão "responsabilizados" independentemente de culpa por qualquer briga de torcedores dentro ou fora do estádio.

O citado artigo diz literalmente: "As entidades responsáveis pela organização da competição bem como seus dirigentes respondem solidariamente com as entidades de que trata o artigo 15 e seus dirigentes, independentemente da existência de culpa, pelos prejuízos causados a torcedor que decorram de falhas de segurança nos estádios ou na inobservância do disposto neste capítulo."

Das três alternativas, duas são muitas e uma já é demais:

1) O repórter sabe ler? Existe alguma diferença entre "responsabilidade" e "responder"? Ou não?

2) A quem interessa distorcer a "informação"? Para que ou a quem serve esse "desserviço", já que 60 milhões de pessoas foram dormir com essa versão que dificilmente será retificada com o mesmo eco?

3) Supondo que o repórter saiba ler e acreditando que não teve a pretensão de desinformar, como é que pode estar apto a realizar seu trabalho estando tão desinformado? E como é que seus superiores e a própria empresa em que trabalha permitem algo tão ridículo?

Para encerrar, código de defesa do consumidor também nos jornalistas, e a criação do Estatuto do Leitor (é o mínimo que a situação atual está exigindo).

Lara Gómez

 

Senti-me lesado

Espero algum comentário sobre a forma com que o repórter da Globo Tino Marcos deu a noticia da paralisação do campeonato brasileiro. O repórter ainda teve a cara de pau de comentar que não haveria como os cartolas programarem as mudanças dentro do prazo da lei. Senti-me lesado por ter feito assinatura no pay per view de todo o campeonato. Lendo as notícias descobri que havia um funcionário da Globo na tal reunião. Era de se esperar mesmo...

Tiago Augusto Nogueira Silva, São João del Rey, MG

 

País passado a limpo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apoiada por representantes de oito clubes de futebol, decidiu suspender o Campeonato Brasileiro de Futebol por tempo indeterminado, medida que revogou cerca de 24 horas depois.

Alegando dificuldades para cumprir o recém-aprovado Estatuto do Torcedor, principalmente o item que prevê a responsabilização de dirigentes de clubes por incidentes que envolvam a segurança nos estádios, os dirigentes resolveram interromper a principal competição do calendário do futebol brasileiro, que teve tabela divulgada com 45 dias de antecedência, algo inédito no Brasil. Embora a paralisação não tenha se concretizado, chamou atenção a audácia do modus operandi.

Medidas deste tipo não chegam a ser novidade, quando se trata de dirigentes de futebol: estão acostumados a fazer o que querem, como querem, quando querem; se leis aparecem para balizar suas atuações, reagem pela imposição e a intimidação. E, como sempre, torcedor é tratado, no Brasil, como gado...

A insensata atitude dos dirigentes constituiu-se uma afronta ao governo federal, que promulgou a lei. Felizmente, o poder público tomou medidas que propiciaram a manutenção da rodada, preservando a lei que havia sido sancionada poucos dias antes. Gol "de placa" do governo Lula, que botou a "cartolagem" no seu devido lugar.

Cabe ressaltar, no episódio, o benéfico papel que a imprensa esportiva desempenhou, culminando com a revogação da barbaridade. Lideradas por José Trajano, Jorge Kajuru e, especialmente, Juca Kfouri, as melhores cabeças do jornalismo esportivo brasileiro reagiram, exemplarmente, a mais esta "maracutaia". O alerta ao torcedor de que, mais uma vez, se estava buscando lesá-lo, foi contundente e bem comunicado.

Foi digno de louvor, por exemplo, o excelente trabalho que o canal de televisão fechada ESPN Brasil fez: cobertura em tempo real, depoimentos relevantes, debates; enfim, jornalismo esportivo levado a sério. Não menos importante foi o trabalho do diário de esportes Lance! que, via editoriais, reportagens diferenciadas e atualizações instantâneas em seu endereço eletrônico, permitiu que interessados no tema tivessem acesso a informações relevantes e originais.

A imprensa esportiva brasileira é passível de diversas críticas, como o evidente despreparo de boa parte de seus representante (com as devidas exceções, é lógico) e uma certa tendenciosidade (idem). Entretanto, seus setores vanguardistas demonstraram, na situação supracitada, como se faz para passar um país a limpo.

Luis Filipe Chateaubriand, mestre em Administração Pública e autor do livro Novas propostas de calendário para o futebol brasileiro

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe