27/05/2003 4/10

Envie para um amigo  Procure no arquivo

MÍDIA OMISSA
Denúncias abandonadas

Na disputa eleitoral passada o Sr. Paulinho, da Força Sindical, candidato a vice do então candidato Ciro Gomes, foi acusado de fraudes gravíssimas, apuradas pela ouvidora da República, pessoa de reputação ilibada. Passada a eleição, o assunto morre. O acusado passa então a ser postulante a candidato do governo de São Paulo. Como, então, o eleitor pode julgar, escolher, se os jornais não mantêm um registro quanto à apuração das denúncias? Com certeza surgirão outras, mas com certeza serão rechaçadas como falsas, tornando a eleição um ato de fé apenas. Em resumo, o que o eleitor gostaria de ter à disposição é a conclusão pura e simples das denúncias.

Leonardo Falcão Koblitz

 

Silencio no Banestado

É muito estranho que a mídia impressa e eletrônica não comente mais essa roubalheira aos cofres públicos. Soube-se que o total do desvio chega a 30 bilhões de dólares. Isto equivale a 1.000 vezes o rombo do Propinoduto, no Rio de Janeiro, explorado fartamente pela imprensa. Perto dos gatunos do Banestado, o Silveirinha é coroinha de missa. Salvo o Boris Casoy, não vejo ninguém na imprensa comentar tal assunto. Vimos na TV Senado reunião de comissão que tratou do assunto. Nela, os procuradores da república, Luiz Francisco de Souza à frente, enfatizaram a necessidade imperiosa da instalação da CPI, com objetivo de aprofundamento das investigações. A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que recolheu as assinaturas e era totalmente a favor, vem agora dizer que a CPI não é prioritária, no atual momento.

O governo FHC enviou auditores aos EUA para acompanhar as investigações. Sabe-se lá por que, eles foram mandados de volta. O governo Lula, cuja bandeira na campanha eleitoral foi a ética e o combate à corrupção, também trouxe de volta seus auditores, sob o motivo nada convincente de falta de verbas!

Mais uma vez, o PT, através de sua senadora, muda de opinião, e daí? A quem pode estar interessando o silencio da imprensa? Dizem que tem gente graúda envolvida. Cadê o Ministério Público? O caso dos grampos da Bahia é mais uma prova de que certos fatos não merecem investigação profunda. O senador ACM, que já deveria estar cassado há tempos, faz acusações graves nas fitas apreendidas. Estão lá, termos como "favorecimento de empreiteiras, concorrências superfaturadas, editais viciados, DNER, Codevasf, Porto de Alcântara etc. etc. Alguém comentou algo a respeito? Zero, salvo o acompanhamento do processo de cassação de ACM, que dá muito mais ibope.

Alguém tem dúvida sobre a maracutaia que esses indícios revelam? Fico me perguntando se as reforma são mesmo necessárias, considerando a relação de devedores do INSS e se somarmos todas os desvios praticados pelas autoridades do poder público. Poderíamos falar também da CPI da Despoluição da Baía de Guanabara, em que se diz que se desviaram mais de 300 milhões de dólares. Nesse caso, a imprensa fluminense nem parágrafos apresenta, salvo pelo JB, que tem apresentado reportagens diárias.

A impressão que se tem é que conviveremos eternamente com dois Brasis: um, do tratorista baiano, que refugou a demolição de uma casa desapropriada, das pessoas humildes que cumprem leis e obrigações; outro, de autoridades, políticos, prefeitos e seus sítios, fazendas, redes de TV, ganhos através do imposto pago pela população. Melhor seria Impunidade 1.000, em vez de Fome Zero.

Luiz Antônio de Sousa da Silveira

 

VIOLÊNCIA NA MÍDIA
Criminosos e psicopatas

Sou estudante da Universidade Presbiteriana Mackenzie, faculdade de Psicologia, e li o artigo "O jornal e o psicopata". Só gostaria de dizer que concordo que existam, sim, muitas divergências, e que o termo é realmente usado indiscriminadamente. Não se pode sair por aí chamando qualquer criminoso de psicopata, até porque muitos deles não o são. O termo, na verdade, dentro de uma linguagem mais científica, não seria mais usado. Segundo o Manual Estatístico Diagnóstico (DSM-IV), o termo atualmente empregado é "transtorno de personalidade anti-social". É um transtorno de difícil diagnóstico e tratamento. Só quis esclarecer aqui alguns aspectos.

Fernanda Rodrigues de Almeida

 

Overdose de informação

Alguém pode me explicar por que o tiro na universitária carioca tem ocupado tanto espaço nos telejornais? Eu sinceramente não agüento mais. Não vejo justificativa para esse tratamento especial do caso.

Américo Abreu

 

Vontade de rezar

É realmente digno de risos ou talvez, para o lado melodramático, digno de lágrimas este espetáculo do atual mandato de Garotinho. Quem lê o livro Meu casaco de general e vê a inocência de Garotinho para administrar o setor de segurança pública no mandato anterior como governador do RJ tem forte vontade de rezar, pois só Deus mesmo para proteger uma cidade que está sob a constante ameaça do crime organizado e de um secretário como Garotinho.

Fernanda Magalhães, pesquisadora e consultora de segurança pública

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe