27/05/2003 7/10

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MÍDIA & EDUCAÇÃO
Instrumento precioso

Caro professor Campos, parabéns pelo texto de introdução ao Telejornalismo. Trata-se de um instrumento precioso para o ensino de uma disciplina com tão poucos recursos didáticos de qualidade. Seu trabalho merece uma divulgação compatível com a excelência do trabalho.

Antonio Brasil, professor de Telejornalismo da Uerj

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Introdução ao telejornalismo – Pedro Celso Campos

 

Pós para poucos

Parece que as nossas instituições são ricas em gerar mestres e doutores. Sabemos que a maioria da população que termina um curso de graduação não tem condições para acompanhar qualquer curso de pós-graduação. Sinto-me um privilegiado por ter concluído um curso, mesmo que latu sensu, em organização particular. Pensar em fazer a escola pública eu até pensei, só que não me foi dada a oportunidade e muito menos a divulgação do processo seletivo se fez pelos meios convencionais (jornais, revistas etc.). Usou-se a publicação na instituição e na internet. Nem todos aqueles que gostariam de participar do processo tem acesso, seja in loco ou eletronicamente, mas lhes é negado o acesso de forma a permitir que uma minoria consiga a informação.

O número de vagas é restrito, assim como a quantidade de orientadores que dão preferência aos alunos da casa (formados pela instituição pública). Vira uma luta desigual. Sem contar os horários que, via de regra, atendem aos interesses do mestre ou do doutor que o acompanha. As disciplinas são distribuídas de forma a tirar a condição daqueles que exercem outra atividade ou têm que trabalhar para se manter. Enfim, quando poderíamos estar formando melhor nossos "mestres e doutores" vamos nos aliando com instituições do exterior e oferecendo, pela mídia, propaganda de cursos de "curta duração" e que formam os brasileiros que dirigirão os destinos dos ministérios envolvidos com verbas magras e raquíticas para escolas públicas. Não podemos esperar para ver. Temos que mudar já.

Marco Antonio Furlanetto, jornalista e pós-graduado

 

Texto meio vago

Sou estudante de Comunicação e ao meu ver esse texto ficou meio vago. Por exemplo, por que a UniverCidade não é uma universidade? Qual é a relação entre os senhores João Carlos Di Gênio e Ronald Levinsohn? E por que depois de falar de Unip e UniverCidade você continua a matéria falando sobre dívidas das escolas e reconhecimento de cursos pelo MEC? Me desculpem os questionamentos de uma leiga, mas a verdade é que eu não consegui estabelecer muitas ligações entre uma coisa e outra no texto, me pareceu vago.

Raquel Neumann Amorim

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Duelo, mestrados e Previdência – Victor Gentilli

 

A sociedade é omissa

A matéria é oportuna e presta um serviço à sociedade, denunciando parte dos horrores da educação no Brasil. Infelizmente, poucos estão atentos aos negócios da educação. Além disso, a sociedade é co-responsável por tudo isso, pela omissão. Deveríamos intimar o governo a cumprir o seu papel (na minha opinião, intransferível) de provedor e gestor do ensino público e gratuito de qualidade. Entendo que o desmonte do ensino "autorizou" o oba-oba das "privadas".

Valéria Villa Verde

 

MÍDIA E EDUCAÇÃO
Nome aos bois

Como contribuição ao bom texto de Marcos Marques de Oliveira, pergunto se o autor não deveria "dar nome aos bois" para que a credibilidade das opiniões fosse inquestionável.

Por exemplo:

** "Tomando como fontes, quase exclusivas, porta-vozes dos aparelhos privados de hegemonia (que estão inclusive nos órgãos governamentais), a imprensa brasileira aborda de forma parcial os dilemas que assolam a área educacional";

** "Ela está no fato de que os recursos públicos estão sendo desviados para engordar as contas das chamadas instituições ‘filantrópicas’, que sob a rubrica da assistência social são as instituições que mais se destacam na aprovação dos filhos das elites nos vestibulares. E, em tempos de crise atuarial da Previdência, vale lembrar que grande parte do ‘excesso’ de recursos resultantes da atividade ‘mezzo-comercial’ (eles não gostam que chamem de ‘lucro’) é resultante do não-pagamento das contribuições ao INSS";

** "Em primeiro lugar, os paladinos da iniciativa privada, principalmente os jornalistas orgânicos do capital, devem parar de ludibriar a população atacando os que defendem os valores públicos como ‘estatistas’ e inimigos da liberdade";

** "E uma pequeníssima parte tem a total liberdade de acumular renda e patrimônio, explorando cada vez mais a mão-de-obra e acessando por inúmeras vias os recursos públicos." Um forte abraço.

Wasca Fernando Teixeira

 

Marcos M. de Oliveira responde

Cara Wasca, em primeiro lugar, obrigado pelo "bom texto". Quanto à nominação dos atores nos trechos sublinhados, acredito que o espaço de um artigo é escasso para uma identificação abrangente. Ainda sim, concordo que a citação de exemplos poderia dar mais credibilidade aos argumentos. No entanto, o vício da escrita acadêmica, à qual me dedico atualmente, pressupõe um leitor já informado de certas premissas e conteúdos, motivo pelo qual me desculpo e, principalmente, agradeço por lembrar-me o diferencial do canal de suporte ao artigo em questão.

Desta forma, quando falo das fontes jornalísticas porta-vozes dos "aparelhos privados de hegemonia", que na concepção gramsciana se refere às associações advindas da sociedade civil, refiro-me ao fato de a maior parte das matérias da área educacional ter como base exclusiva as opiniões das instituições representativas do ensino privado (como Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior, Abmes; Associação de Universidades Particulares, Anup; Associação de Educadores Católicos, AEC; Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, Confenen, entre outras dezenas) ou de especialistas que trabalham para grupos particulares, como o ilustre colunista da Veja Claudio de Moura Castro, ligado ao Grupo Pitágoras de Minas Gerais, cujo proprietário é Walfrido Mares Guia, ministro de Turismo do governo petista.

Quanto aos "paladinos da iniciativa privada", aqui me refiro exclusivamente aos jornalistas que compõem as equipes da chamada "imprensa econômica", das seções específicas dos grandes diários e, principalmente, dos veículos de "negócios" como o Valor e a Gazeta Mercantil. Claro que, pelo público a que se dirigem, é de se esperar um viés mercadológico no tratamento da notícia. No entanto, no que se refere à área educacional, acredito que a abordagem devesse ultrapassar os interesses específicos da iniciativa privada e ganhar um sentido mais público e social, por se tratar de uma tema que, mesmo em países de capitalismo avançado, é tido ainda como de responsabilidade estatal.

Em conseqüência, quando falo do problema da "pilantropia" refiro-me a um tema que, esse sim, vem sendo abordado por numerosos jornalistas da imprensa brasileira, principalmente os colunistas Elio Gaspari (O Globo/Folha de S. Paulo) e Josias de Souza (Folha de S. Paulo). Neste quesito, uma das abordagens mais interessantes pode ser vista na coluna da jornalista Miriam Leitão, em O Globo de 24/12/2002 que, sob o título "Além da ação social", mostra a diferença entre "filantropia" e "responsabilidade social".

Por fim, gostaria apenas de registrar que não se trata de, nenhuma forma, dar "nome aos bois" num sentindo de promover um "denuncismo" sobre atitudes que estariam, em hipótese que não corroboro, contrariando aspectos legais, éticos ou morais. O objetivo dos meus artigos, no Observatório da Imprensa e nos trabalhos acadêmicos, é solicitar aos jornalistas responsáveis pela pauta educacional que procurem multiplicar suas fontes, recorrendo não só aos que têm interesse privado na área do ensino, mas, principalmente, os que estudam a fundo a educação brasileira.

Não significa deixar de ouvir os empresários da educação, mas tentar relacionar suas avaliações e propostas ao desenvolvimento real do sistema educacional brasileiro, para assim compreender de que forma tais interesses podem colaborar ou bloquear a ação do Estado numa área que, a priori, é de direito público, e não privado.

Torço e trabalho pelo debate, e agradeço ao Observatório por isso, pois acredito que a publicização dos interesses contribui para a democratização das relações sociais. E tomo essa posição de forma muito tranqüila, como quem conjuga uma visão crítica sobre o papel do ensino privado na área educacional e, ao mesmo tempo, assessora uma entidade patronal do ensino. Se como jornalista torno público o ponto de vista dos empresários da educação, como cientista social questiono o quanto seus interesses podem barrar o necessário desenvolvimento do ensino público. A contradição aparente se resolve no respeito que eles têm pelo meu trabalho, ainda que admitindo o choque das posições políticas e ideológicas, que se resolvem com diálogo e transparência.

Caso tenha mais interesse sobre o tema, sugiro a leitura de duas obras: Os empresários da educação e o sindicalismo patronal (Edusf, 2002) e O empresariamento do ensino superior (Xamã, 2002). Na primeira obra, resultante de minha dissertação de mestrado em Ciência Política, conto a história do sindicalismo das escolas particulares no Brasil e os instrumentos que usaram para influenciar as nossas políticas educacionais. Na segunda, participando com dois capítulos, analiso a política de ciência e tecnologia do governo FHC e dimensiono o lugar de ensino privado de educação básica no novo sistema nacional de ensino que se configura após as reformas implementadas pela chamada "social-democracia" brasileira. Atenciosamente, (M. M. O.)

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Diplomas que nada valem, anúncios que valem muito – Marcos Marques de Oliveira

 

MÍDIA & POLÍTICA
Transparência é o lema

O Brasil acompanha com grande expectativa os resultados das propostas de reforma do presidente Lula. Estão em questão não só ajustes nas finanças do Estado, mas a correta utilização do dinheiro público. Todo ano o país gasta milhões com a manutenção de uma estrutura administrativa inchada. O problema não é exclusivo do Planalto, também aparece nas outras duas esferas de poder da República.

Em tempos de globalização, a informação se transformou em valiosa "coisa pública". Uma sociedade democrática necessita construir uma imagem real das nossas instâncias de poder. Em recente visita ao Congresso Nacional, em Brasília, pudemos perceber que o Poder Legislativo está ocupado em mostrar sua cara e o motivo de sua existência de forma madura e responsável. A visão arcaica de que parlamentares são homens intocáveis, felizmente, caduca. A comunicação facilitou a vida do cidadão no sentido de transmitir-lhe o que acontece nos corredores do Parlamento e, também, para auxiliá-lo no acompanhamento da atuação dos nossos representantes no meio político.

Seguindo o exemplo da Câmara, o Senado Federal resolveu abrir todas as suas portas. O presidente José Sarney implantou, em 1995, complexo de comunicação com o intuito de tornar acessíveis todas as notícias sobre as atividades parlamentares. O Senado passou a contar com estrutura de mídia própria composta por um corpo de jornalistas concursados que proporcionam informações 24 horas por dia. Atualmente, o Jornal do Senado tem tiragem de 50 mil exemplares, distribuídos gratuitamente para todo o país.

Em visita aos estúdios da Rádio Senado FM, conhecemos o processo de produção das informações institucionais do Legislativo, que atinge regiões longínquas do Brasil, pelas ondas médias e do pool de notícias da Rádio-Agência Senado. A cobertura da Câmara Alta e de seus 81 representantes de estados da Federação está acessível ao público de forma rápida, transparente e inteligente. Em recente conversa em seu gabinete, o ex-presidente do Senado Ramez Tebet lembrou que o Jornal do Senado não emite opinião pessoal e retrata o que acontece com o mesmo destaque. Para ele, a opinião que aparece nas páginas não é a do editor, e sim da fonte. Tebet afirma de forma categórica que o Jornal do Senado é hoje o veículo impresso mais imparcial do Brasil. Se você em algum momento pensou que política era sinônimo de inanição, acredito que você já mudou de opinião.

Paulo Filgueiras, estudante de Comunicação da UFJF, MG

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