27/05/2003 8/10

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JORNAL DO BRASIL
De Verissimo a Sir Ney

Como iminente ex-leitor do JB, quero lamentar-me pela decadência da mídia, agora acelerada pela assimilação, disfarçada de liberalismo cultural, de personalidades como a do ex-presidente Sarney, ou, como diria um velho colunista, Sir Ney. Sir Ney deixou o Brasil de cabeça para baixo, numa inflação de 80% e um povo convencido de que sair daquilo valia até a eleição de um possível louco como Collor.

Mas a nossa tolerância, quase patológica, considera que um lobo mau vestido de agente cultural não é um lobo mau, é apenas um agente cultural. Das duas, uma: ou somos mesmo capacho, sobre o qual a mídia pode pisotear pois seremos dóceis e ainda agradeceremos, ou essa é mais uma das diversas manobras maquiavélicas, consciente ou não, de vender ao povo quiabo por jiló. Delfim Neto virou ministro da Agricultura depois de destruir o Brasil e deixar-nos esse legado cancerígeno da correção monetária, que muitos se enganam e pensam que já nos deixou. Sir Ney, depois de salvar a pele do coronel bem-amado, quero dizer, do ACM, levar sua PMDB, fazer o governo Lula ter sua mancha ética e moral tão boa quanto o FHC, agora, nos é empulhado como escritor e entendido de cultura.

Sai Verissimo e entra Sir Ney. Pobre país esse.

Pedro P. de Lima-e-Silva

 

O parágrafo compensa

Transmito-lhe abaixo carta eletrônica que enviei à seção Cartas ao Editor do JB, a qual não foi selecionada para publicação pelo seu diretor de Redação, Nilo Dante. Estou remetendo copia desta à jornalista Dora Kramer, por haver mencionado seu nome naquela carta.

Carlo O. Saraiva

"O último parágrafo do artigo de Alberto Dines deste sábado, 17, compensa amplamente a leitura assídua do JB. E mais, renova a esperança dos cidadãos de bem, de que a vida pública reserve ao Sr. Sarney o mesmo destino, em definitivo que, em 1962, o então editor-chefe do JB lhe atribuiu, no jornalismo. Enquanto articulistas como Dines e Dora Kramer escreverem no seu jornal, a leitura diária do JB é insubstituível. Atenciosamente, Carlos O. Saraiva."

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BIENAL DO LIVRO
Povo do Rio excluído

Não consigo entender o porquê da exclusão da maioria do povo do Rio que gostaria de comparecer à Bienal do livro. Os preços da entrada (R$ 7) e do estacionamento são escorchantes e indecentes para uma população que recebe salário mínimo de R$ 240. Por isso é que os programas Gugu, Faustão, Caldeirão do Huck e as novelas da Globo ainda sobrevivem. A ignorância de um povo leva a isto que vemos hoje em dia na nossa TV para ser consumido. É a única distração gratuita a que o povo pobre pode ter acesso.

Edmar Pina

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