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AS ILUSÕES ARMADAS
Apologia do regime
Concordo em que se trata de apologia do regime – que, quem quer que tenha tido acesso aos atos institucionais não consegue imaginar qualquer justificativa plausível para sua adoção –, e que, ao estereotipar Jango, olvida ser ele bacharel em Direito numa época em que não se trivializavam tanto os diplomas universitários (hoje, há uma faculdade em cada rincão do país, como se sabe). O livro do professor Heleno Cláudio Fragoso – adversário de Jango, mas defensor combativo de presos políticos desde o início do regime – intitulado Advocacia da liberdade (1983), bem como os acórdãos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal nos hábeas corpus então impetrados dão uma idéia do que, efetivamente, ocorrera à época. Claro, já há adultos sem a memória daqueles tempos. Esquecem que o mesmo regime cassou JK, que nem de longe poderia ser chamado de "comunista" – para se ver como o critério era absolutamente aleatório –, e do próprio documento mais contundente do início daquele período, que é o Febeapá, de Stanislaw Ponte Preta, falecido em 1968. E que houve udenistas históricos – quer dizer, pessoas ideologicamente afinadas com o regime – que a este se opuseram, como foi o caso do professor Josaphat Marinho.
Ricardo Antônio Lucas Camargo
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A historiografia envergonhada – Mário Maestri e Mário Augusto Jakobskind
TRANSGÊNICOS
A vocação do Brasil
Apesar de não ser especialista, acho importantíssima a posição dos cientistas da Embrapa sobre a questão, já que ninguém pode acusá-los de estar a serviço de multinacionais, apesar de convergirem com declarações da Monsanto, por exemplo. Ao que me consta, os grandes fabricantes de pesticida redirecionaram seus investimentos científicos, deixando de fazer veneno para combater as pragas para fazer sementes que gerem plantas que não precisem de veneno, falando de forma bastante leiga.
Nunca se provou qualquer malefício dos transgênicos, muito pelo contrário, e tudo que se alardeia é um futuro desconhecido, o que, diga-se de passagem, poderia se atribuir a todo e qualquer experimento científico. Se tomarmos a soja como exemplo, o grão transgênico colocou o Brasil em posição privilegiada na produção mundial. Assim sendo, o que deveria ser discutido em nível federal é qual a vocação que se pretende adotar para o Brasil. A liderança em larga escala da produção de soja para alimentar o mundo ou se devemos nos fechar para os transgênicos e produzir uma soja padrão, e exportá-la para mercados também fechados aos produtos geneticamente modificados.
Nídia Martins
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Transgênicos e responsabilidade social – Ulisses Capozzoli
E-ZINES
Ponte entre dois meios
Gostei muito da matéria sobre e-zines. Atualmente, estou com meu próprio e-zine, quer dizer, eu e amigos. É o Coquetel Molotov, que além de sítio é um programa de rádio aqui em Recife. A página do Coquetel tem apenas um mês de vida, mas estamos super-empolgados e trabalhando muito nele. A idéia surgiu a partir do programa de rádio, porque queríamos ter uma maior interação com o público, principalmente com o público fora de Recife, que não pode escutar o programa. A página tem, portanto, a finalidade de fazer a ponte entre os dois meios. A gente faz essa interação escrevendo principalmente sobre bandas que tocam no programa ou o processo inverso acontece também: a banda sai primeiramente no site e depois toca no programa... O programa de rádio mesmo já está no ar há quase dois anos. Bom, gostaria de convidar você a visitar a página <http://www.coquetelmolotov.com.br>.
Viviane Menezes
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Uma alternativa no jornalismo cultural – Rodney Brocanelli
PROPAGANDA DA GOL
Campinas discriminada
Anúncio da GOL Linhas Aéreas, publicado no Correio Braziliense em 21 de maio de 2003, comunicando o início de seus vôos para Campinas (SP):
"Agora, você pode ir a Campinas pela Gol. Só não dê gritinhos em falsete para comemorar, senão pega mal."
Trata-se de uma propaganda preconceituosa contra os campineiros e, portanto, condenável pelo código de ética da publicidade.
Roldão Simas Filho
ANTIAMERICANISMO
Críticas à polícia do mundo
Creio que algumas coisas precisam ser colocadas no seu devido lugar: criticar a atuação dos EUA na promoção de guerras e de golpes de Estado não se confunde, necessariamente, com antiamericanismo ou com solidariedade a governos havidos como malditos pelos EUA. Contrário, no mais fundo do meu ser, à pena de morte, justamente por entender, com sir Thomas More, canonizado pela Igreja Católica em 1835, que até mesmo ao demônio, quando este estiver com a razão perante o direito, deve ser dado o êxito e que, por outro lado, os executores não podem se considerar seres superiores aos executados – até porque, a quem não se lembre, já se torturou e matou no Brasil em nome de uma revolução que precisava saber se defender, e o argumento tem o mesmíssimo peso –, considerar qualquer crítica à política externa dos EUA como manifestação de antiamericanismo é proclamar a imunidade dos EUA a qualquer crítica.
Outrossim, quando já existe a ênfase midiática na atuação dos adversários dos EUA, alguém precisa, entretanto, pronunciar-se. Recordemos, com o espirituoso e sapientíssimo Fernando Antônio Lucas Camargo, em seu importante livro Todo mundo bajula, inclusive você – o ABC do chaleirismo, no qual é dissecada, com muita finura, a atuação dos bajuladores, devidamente classificados, que os senhores mais poderosos, sabedores de que os adulões jamais lhes poderiam apontar as fraquezas, mantinham um servidor especial, o Bobo da Corte, que, em suas graças, identificava os pontos a serem corrigidos e, por vezes, auxiliava a desbaratar conspiratas. Assim como os que defendem que os agentes estatais, especialmente da polícia, não abusem da respectiva autoridade não estão, em momento algum, a sustentar que os crimes não devam ser punidos, nem que tudo é permitido aos que perpetram violência, defender que os EUA não receberam qualquer legitimidade para o exercício do papel de polícia do mundo não implica solidariedade com governos eventualmente ditatoriais que sejam seus adversários. Churchill tornou-se comunista por ter-se aliado a Stalin contra Hitler?
Ricardo Antônio Lucas Camargo, Porto Alegre
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