Crise da PM mineira: o que é nacional? Mais uma vez e com o mesmo assunto evidencia-se como estão confusas em nosso jornalismo impresso e diário as definições sobre o que é nacional, regional e local e como é arbitrária a segmentação do noticiário em cadernos.
Sobre o assunto, em primeiro lugar, há que destacar a cobertura do JB - de longe, a melhor de todas tanto no dia 25 como no dia 26 de junho. Não apenas pelo volume de informações e referências distribuídos em quatro páginas sob a retranca "Brasil" (a mais nobre do jornal, evidentemente) mas pela agilidade em produzir um editorial logo no dia seguinte aos acontecimentos na Praça da Liberdade.
Seu concorrente, O Globo, não acreditou na gravidade da situação, seja pelo destaque na primeira página como pelo espaço concedido nas páginas internas, embora dentro da retranca de política nacional.
O vexame foi dado pelos jornalões paulistas, justamente os mais encarniçados na cadernização (isto é, fragmentação) do noticiário. A Folha jogou a crise que poderia tocar fogo no país (o perigo ainda não passou) no caderno "S. Paulo" e o Estadão no caderno "Cidades", dentro de um lógica visivelmente paroquial e provinciana de que aquilo que acontece numa cidade que não seja São Paulo não pode ser considerado nacional e, portanto, não é fato político merecedor de ser acolhido nas páginas nobres do primeiro caderno. Nenhum dos dois opinou sobre o assunto no primeiro dia.
O mais pitoresco aconteceu com a merecidamente celebrada Gazeta Mercantil: não deu uma linha na edição do dia 25, ignorando as graves implicações econômicas do episódio. Mas, no dia seguinte, tratou do caso em editorial. Vacilo do nosso jornal-pauta.