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Alberto Dines
GLOBOLHA, FOLHOBO
Quem é que vale,
Valor ou Folha?
Com pouco mais de 60 edições, Valor mostra que encontrou uma fórmula para fazer um jornalismo customizado, sem macaqueação. Mais denso e mais referenciado – um passo à frente.
Já a parceria Folha-Globo que produz o jornal continua sendo equívoca e complicada. Difícil entender um Conselho Editorial onde aparecem (embora convenientemente distanciados) os nomes de João Roberto Marinho e Otavio Frias Filho. Se o padrão global era considerado pela Folha como jornalismo chapa-branca, como é que podem estar no mesmo barco com os Frias, além dos citados, profissionais como Merval Pereira e Luiz Eduardo Vasconcelos?
Ou o Pensamento Único é uma realidade inexorável ou estamos diante de uma história cujos principais lances ainda não se consumaram. Por enquanto, delineia-se um quadro nitidamente esquizofrênico.
Chama a atenção neste aspecto a convergência entre os públicos da Folha e Valor. O chamado multiplicador de opiniões, o executivo e o homem de negócios que vivem na esfera paulista, por mais apressados que sejam, terão que ler obrigatoriamente os dois jornais (mais a Gazeta Mercantil e o Estadão). Em qual dos dois deve acreditar? Se os dois parceiros tratam da conjuntura politico-econômica, quais as ênfases, ângulos e versões que devem valer? Em qual dos dois acreditar – na Folha, fremente, ou no viés otimista de Valor?
Jornais, além de informações, passam estados de espírito. Atitudes. Nesta dualidade vale o Valor ou vale a Folha? Ou valem os dois, em dias alternados?
Exemplos concretos, escolhidos aleatoriamente:
Na edição da quarta-feira 26 de julho, a Folha noticia na primeira página que FHC foi informado sobre a crise na BM&F (que resultou na surpreendente ajuda aos bancos Marka e Fonte-Cidam). Já Valor, numa perdida página interna (C-4), informa com mais cautela que Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, havia informado FHC de forma "genérica" sobre a crise e a necessidade de ajudar as duas instituições.
No mesmo dia, a Folha reproduz corretamente na primeira página a acusação de Ciro Gomes de que FHC não rouba mas deixa roubar. É uma afirmação que não poderia passar em brancas nuvens, dita pelo mais cotado candidato à sucessão do presidente. Nem Jânio Quadros fez tamanha acusação a JK. O caso ficou no noticiário durante uma semana.
Como se comportou Valor? Nenhuma linha. O empresário brasileiro foi poupado desse dissabor porque tem coisas mais importantes para pensar ou porque a publicação foi vetada pelos parceiros do lado de lá? (Convém levar em consideração que Valor é cliente do noticiário da Agência Folha e da Agência Globo.)
No mesmo dia, o segundo assunto mais importante na primeira página de Valor era o aumento do emprego no pais, sobretudo em São Paulo. Dados concretos. Para a Folha de S.Paulo o assunto mereceu uma mirrada chamadinha de duas linhas.
A primeira página de Valor da quinta-feira, 3/8, escancara a questão. O anunciado depoimento de Eduardo Jorge naquele dia no Senado foi valorizado em todos os jornais. Valor concedeu-lhe uma chamadinha na rubrica "Destaques", da primeira página. Seria normal num jornal de negócios se não tivesse sido Valor o jornal que deflagrou o caso com um depoimento explosivo do ex-secretário da Presidência. Se o caso Eduardo Jorge valeu uma manchete que abalou o pais há três semanas, por que razão agora foi escondido?
Conclusão: pobres empresários, executivos e formadores de opinião! Esquizofrenia não é brincadeira. É distúrbio mesmo. Sua característica fundamental é a dissociação e a assintonia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade. Quem o diagnostica não é Freud, mas o Aurélio.
O Globo entra No limite
Era esperado: se Xuxa e Sasha converteram-se em assuntos habituais da primeira página do jornalão (que acaba de comemorar magnificamente os seus 75 anos de vida) [veja em Entre Aspas, nesta edição, chapéu O GLOBO HÁ 75 ANOS], a estréia de um "reality-show" na Rede Globo deveria ser explorada ao máximo. Não deu outra.
A apelação começou na terça-feira, 1/8, no alto da primeira página, com uma trepidante questão – "Quem será a próxima vítima?" –, já que o líder comunitário da Rocinha, Amendoim, foi excluído da maratona logo depois do programa de estréia.
O assunto certamente será incorporado à pauta da revista Época, às revistas femininas, depois à CBN, para então converter-se em questão nacional.
Exatamente por isso, porque este tipo de falsa realidade (graças à exploração mediática) acaba tomando conta de um país é que o resto da imprensa deveria estabelecer um cordão
sanitário à sua volta. Boa oportunidade para que a Folha demonstre que, apesar da parceria no Valor, ainda mantém sua independência.
A rainha da casa
Luiz Egypto
É conhecida a ascendência de Xuxa, Sasha, Marlene Mattos & cia. sobre a pauta de O Globo e do jornalismo da TV Globo. Desde o anúncio da gravidez xuxal, o pré-natal da Rainha e as rusgas com a família do pai da criança, passando pela babação de ovo generalizada da festa de 1 aninho e pelos inolvidáveis 10 minutos de matéria no Jornal Nacional, quando do badalado nascimento de Sasha; em todas essas oportunidades Xuxa demonstrou um poder de influência de fazer inveja a quem topa tudo para aparecer na mídia.
Dois anos atrás, em agosto de 1998, este Observatório atentou para a alquimia jornalismo-marketing-entretenimento que os veículos das Organizações Globo são pródigos em preparar, especialmente quando se trata da modelo que se transformou num dos maiores negócios globais. E aquela primeira observação teve vários desdobramentos [veja remissões abaixo]. No que respeita a O Globo, esse tipo de imposição de pauta tem sido tão freqüente que sua aceitação pelo jornal deve estar-se dando de forma absolutamente mecânica, na base do top-down para conformados.
Isto ficou claro na edição da sexta-feira, 21 de julho, do jornalão carioca. Noticiava-se, então, a estréia da inefável Sasha nas passarelas. Registre-se: nesse dia, a Folha deu o assunto na capa, com direito a foto em duas colunas e 17,5 centímetros de altura. Já O Globo, com uma capa forte dedicada à análise dos resultados da Pesquisa Nacional de Domicílios, optou por chamar o assunto Xuxa-Sasha no índice da página 2, ilustrado por uma foto em duas colunas e 27,7 centímetros. Um portento de imagem.
Foi dito que, quando se trata de Xuxa, O Globo aceita mecanicamente a imposição de pauta. Certamente por isso a legenda de 6 linhas que sublinhava a grande foto era um primor de desleixo. "Sasha desfila de mão dada com a sua mãe Xuxa, em sua estréia nas passarelas..." etc. etc. De mãos dadas.
Na imagem, cuidando do desfilar da filha, Xuxa sorria embevecida.
Com as mãos na cintura.
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Xuxa-Sasha – Alberto Dines (5/8/98)
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Subject: Re: Xuxa – A. D. e Merval Pereira
Cartas (5/9/99)
Cartas (10/3/00)
Cartas (20/3/00)
Mais uma da Xuxa, desta vez na Época – A. D. (26/5/00)
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